domingo, 14 de abril de 2013

ESTAR LIVRE

Renoir
Ela aproxima-se do motorista de táxi, parado nas chamadas “praças” e interroga: Está livre? Ele responde sim ou não! Se estiver livre ela acomoda-se no banco traseiro, caso contrário parte em busca de outro, motorista e táxi.
Ela entra num parque de estacionamento e verifica se há um lugar livre para estacionar o carro, nunca lhe passaria pela cabeça estacionar num lugar já ocupado, não é tão tola como às vezes parece.

O “estar livre” ou “ser livre” pode não ter uma definição quando ligada a ações humanas, pensa ela. Mas pensa mais … ninguém é totalmente livre, a vida traz sempre condicionantes, todos são prisioneiros de afetos , responsabilidades, pressões exercidas pelo mundo envolvente (inclusivamente familiar), ela sente-se livre apenas pontualmente.

Ela fica confusa, sensação ultimamente bastante familiar, quando num contexto de conversa amena, com um ser virtual, muito “alongada” num curto espaço de tempo, sobre temas inócuos, mas muito centrados nos “eus” de cada um dos companheiros de diálogo, fala no “ser livre” e a resposta é habilmente desviada para um campo a “dar” para o filosófico.
Ela não entende porque é que o parceiro de diálogo, quando no meio das “pequenas confissões desvendadas”, quando até já se tinha levantado a hipótese da virtualidade poder passar a realidade, não entendeu ou fingiu não entender o que significava, naquele contexto, ser livre…

Ela não gosta de se sentir confusa! Ela é uma mulher pragmática!
Ela questiona-se e remete-se à continuação da leitura do romance que tinha começado a ler!

20 comentários:

  1. Admita-se que ela é uma boa leitora e tenha boa capacidade de interpretação.

    De uma forma mais ou menos psicológica, compreende-se.
    Se terá que ser aceite, compete, a ela, decidir.

    Se ela não gosta de sentir confusa, aconselho-a a não dramatizar o que parece, a esta distância, ser simples.

    Essa coisa do 'estar livre' ou ser livre', corre o risco de se misturar com a estória do motorista de táxi.

    Afinal, ela seguiu naquele táxi ou foi para outro?

    Ah, a situação do táxi e do motorista não foi uma acção humana!

    A confusão instala-se, neste preciso momento, no leitor que também não é tolo, nem nada que se pareça.

    O romance que ela está a ler versa algo de valor acrescentado, tipo IVA?

    Bom domingo, Maria Teresa.
    E diga a ela que não seja tão pragmática.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Observador embora já o tenha detetado no poste anterior, assumo neste, o papel de anfitriã e assim dou-lhe as boas vindas!
      O seu comentário, para mim, é hermético nalguns pontos.
      Não sei se ela é boa "interpretadora"! Pode ser que sim, pode ser que não! Em mera especulação, ela pode estar rodeada de muralhas que a impedem de ver o óbvio ou exagerar na interpretação do óbvio.
      O ir ou não ir no táxi para mim é irrelevante! Ela vai ou foi no que que foi possível!
      A situação do táxi que me parece que lhe caiu no "goto", no contexto do poste, não é uma "ação humana" .
      Nesta caso o leitor é o Observador? É que por aqui passam vários leitores!
      Ela não me disse que romance estava a ler, eu sei o que estou a ler! Por isso não sei se foi taxado de IVA ou não!
      Se eu voltar a encontrá-la, eu entrego-lhe o seu conselho!
      Volte sempre que lhe apetecer! Será bem recebido!
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
    2. Agradeço as boas vindas.

      Se o eu comentário é hermético, ainda que apenas em alguns pontos, deve ter sido escrito como se estivesse sob o efeito do Inverno. Estava frio e mandei fechar a porta.
      Capice?
      :)

      Não é relevante, então, saber se ela é boa "interpretadora? Penso o contrário mas, especialmente em democracia, termos todos, a liberdade de interpretar.
      Seja!

      Também para mim é pouco importante que ela vá de táxi ou a pé. Desde que vá...
      Talvez me tenha "caido no goto" a situação do táxi. Fiquei traumatizado desde que vi o 'Táxi Driver'.

      O leitor é o Observador. 'Euzinho aqui, oh".
      Passam vários leitores? É bom sinal. Pessoas que gostam do que é bom.

      Entregue sim, o meu conselho. Pode ser útil, não vá ela estar indecisa.

      Voltarei. Sei que sou bem recebido.

      Os beijinhos, agradecidos, serão desembrulhados e colocados ao sol.

      Eliminar
    3. Querido Observador porta fechada?Excelente, ao menos não entra frio pelas frinchas (creio que nunca tinha escrito está palavra, alguma vez seria a 1ª)Capico!
      É evidente que em democracia (estamos em democracia?)a interpretação é livre, mas nem todos interpretam da mesma maneira, uns entendem "alhos", outro "bugalhos"!
      Será que ela foi a pé? Não tinha pensado nisso, seria livre para o fazer ou estaria acorrentada a um poste?
      Não precisava do oh, já o "vi"! :):):)
      Obrigada pelos comentários.
      Beijinhos embrulhados para si! (por favor não os coloque ao sol, podem sofrer queimaduras de 3º grau e ficam irreconhecíveis e intragáveis)

      Eliminar
  2. As realidades
    quando ficcionadas
    por vezes tornam-se
    ainda mais verdade

    Belo o seu texto

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Mar são "as verdades verdadeiras"!
      Muito obrigada pela sua apreciação!
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
  3. Ela é uma mulher inteligente e que sabe estar na vida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido João tu és um homem inteligente e também sabes estar na vida...que o teu maior sonho seja rapidamente realizado Amigo!
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
  4. Verdade ficcionada ou ficção realista??
    O "ser livre" e o "estar livre" tem muito que se lhe diga, realmente :)

    Bjoka :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Anira "a gata algures na selva urbana" saudades da sua coleção de "felinos"
      Neste caso "o ser ou não ser era a questão"!
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
  5. Pelo que obervo aqui de longe e sem binóculos, para poder ler o titulo do livro e o nome do autor, não me parece que seja grande obra. Será um livro para "passar tempo" no intervalo de filosofias entre o ser e não ser livre. A grande questão, para mim, é esta: a leitora do Renoir seria livre, sonhava com liberdade ou refugiava-se na leitura para fugir à realidade?
    O meu palpite é este e é definitivo: não é livre. :)))
    Decifra enquanto "aparas" este beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Carapau, para peixe tens uma visão de águia,"ela" não é livre!:):):)
      Eu sou livre para escrever o que me apetece, sem ter medo do lápis azul!:):):) Por enquanto, mas isso sai desta história.
      Segurei o beijo e penso que "o" decifrei!:):):)
      Coloquei os pontos nos "iis", bem e com muita facilidade.
      Beijinhos embrulhados para ti!

      Eliminar
  6. A verdade é que por um motivo ou por outro nenhum ser humano é livre...

    Bjxxx

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Teresa (minha homónima) seja bem vinda a este cantinho!
      Em "termos sociais" ninguém é totalmente livre... Mas somos livres para sonharmos, para amarmos, para desejarmos,...
      Volte sempre que desejar será bem recebida!
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
  7. A liberdade universal não existe. Cada um tenta construí-la à sua medida, o que também não é fácil e raramente possível...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Carlos sem dúvida!
      Beijinhos embrulhados para si

      Eliminar
  8. Adorei este seu Pensamento. (mais um).
    Obrigado Maria Teresa pela visita e pelas inteligentes palavras.
    Bjs
    G.J.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Gaspar sempre gentil!
      Sou um bocadinho "cusca" mas gosto de entender o que "vejo"
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar
  9. Muito pertinente a diferença entre ser e estar...Por vezes estamos, mas seremos mesmo?
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Tio só muito raramente...
      Beijinhos embrulhados para si!

      Eliminar