Há horas para nos despedirmos! Há horas em que gostaríamos de apagar da memória milhares de recordações. Chegou a hora de o fazer! Estou a despedir-me dessas memórias e a convidar-vos a dançarem comigo, descalços de preferência. Fechem os olhos, oiçam as palavras e dancemos!
Confesso que até nem estou a ser original, foram amigos que me "meteram" esta ideia na cabeça, uma cabeça que neste momento está um pouco em disfunção... Mais loguinho estará a funcionar bem melhor!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
MEMÓRIAS REMOTAS
terça-feira, 29 de junho de 2010
MENTES A DESCOBERTO
Quantos de vós já ouviram falar em neuromarketing?O neuromarketing é filho de um casamento entre a neuromedicina e o marketing, “nasceu” por volta de 1990 e o seu estudo e implementação é financiado por grandes empresas como a Coca-Cola, a General Motors, a Ford, a Kodak e outras…
O marketing que tanto nos agride, pode ser definido, de uma forma muito simples, como sendo um processo para levar um produto ao seu consumidor, sob a forma de publicidade e de “demonstradores” devidamente treinados. Na actualidade, tem um enorme aliado, a ciência que estuda o comportamento de quem consome. Através do estudo das reacções neurológicas a determinados estímulos fica a conhecer-se a lógica do consumo, esta lógica permite perceber os desejos e as motivações das pessoas. Surgiu assim um novo conceito o neuromarketing.
Através da ressonância magnética e da tomografia computorizada, já se consegue ver como determinadas funções cerebrais (memória, raciocínio, emoções) são activadas perante um estímulo. Com este conhecimento o caminho da mente de um consumidor fica a descoberto e os conhecedores deste processo ficam a conhecer os “desejos” dos potenciais consumidores mesmo antes deles mesmos estarem conscientes do que desejam.
Resumindo o neuromarketing informa as empresas do modo como o consumidor reage cerebralmente em relação ao cheiro, à cor, ao sabor, à embalagem de determinado produto, … Os publicitários puderam deixar para trás os estudos subjectivos, as meras impressões e as estatísticas.
E nós consumidores ficámos à mercê deste processo de actuação, ficámos fragilizados e somos “empurrados” por imagens ou afins, que de um modo invasivo nos conduz ao consumo.
Para além dos que fazem estes estudos e os publicitários, temos aquilo a que chamo os “profissionais no terreno”, aqueles que têm artes para nos levar a comprar o que nem sempre estamos a precisar muito. Eles resumem o seu modo de actuação a uma sigla A.I.D.A. (Atenção, Interesse, Desejo, Acção).
Depois de nos despertarem a atenção, eles têm que nos manter interessados e fazem-no de um modo simpático e amigável, falam muitas vezes, nos seus próprios problemas. Ficamos abertos a desejarmos o “objecto” que nos está a ser impingido e aí os bons profissionais falam nas pessoas importantes que já adquiriram o produto, em como o stock é limitado, …
Chega a altura de passarem à acção e fazem-no com muita subtileza com perguntas tipo gostaria mais de outra cor? Quer que volte na próxima semana?
O pagamento pode ser facilitado sem juros!
(…)
Conheço uma marca de aspiradores em que o “vendedor” actuou exactamente desta maneira.
Para além desta experiência tive outra há bem pouco tempo que passo a relatar:
Há cerca de 15 dias recebi em minha casa um destes promotores, promovia uma bomba filtro de água. Embora não pareça, muitas vezes tenho imenso que pensar e que fazer de modo que, ao telefone, ao ouvir uma voz feminina a dizer-me “que era a não sei das quantas” da verificação da qualidade da água da zona eu nem meditei, disse logo: envie o técnico! O pobre coitado, que até tinha uma excelente apresentação, decidiu (com o meu consentimento é certo) invadir-me a cozinha pequeníssima com um aparelhómetro (aquilo a que o demonstrador chamava filtro) razoavelmente grande para as dimensões do desgraçado do meu lava-loiças e respectiva bancada, ainda por cima quis copos e mais copinhos transparentes, dois jarros e água fervida (a ferver estava eu por dentro) e decidiu fazer experiências que não eram mais do que a electrólise da água (usou-a na água fervida, na água da torneira e na água engarrafada) enquanto a água da torneira passava pelo tal aparelhómetro. Quando ele me começa a falar que o “tal” retinha vírus através duma dupla membrana “não sei das quantas” eu tive que fazer um esforço enorme para não me rir. O aparelho “monstruoso” para o tamanho da minha cozinha, que está a precisar de obras urgentes, custa a módica quantia de 18yy euros se ficar instalado sobre a bancada (não sei é como depois conseguia cozinhar) ou 16yy euros se ficar por baixo do lava-loiça que por acaso, nesta casa, até é uma “pia”. Podia pagar em “n” prestações, tinha garantia vitalícia e ofereciam-me um colchão…
Eu fingi que engolia tudo desejosa que o fulano levasse toda aquela parafernália para longe da minha vista…
Socorro! Poupem-me! Livrem-me destes “neuromarquetistas” da banha da cobra… Descobriu-me a mente uma ova!
Nota:
1-Este processo é bastante complexo e tem enormes aliados, nomeadamente os nossos cartões de crédito, os nossos cartões de desconto de grandes espaços comerciais, … através deles vão ficando registados milhares de dados para estudo dos técnicos treinados para fazerem estudos de mercado…
2-Obrigada querido A.A.S. por teres despertado a minha curiosidade para esta nova forma de nos levar ao consumo, o neuromarketing. Sem este teu “espicanço” eu nunca pensaria em tal e este post não existiria.
Há cerca de 15 dias recebi em minha casa um destes promotores, promovia uma bomba filtro de água. Embora não pareça, muitas vezes tenho imenso que pensar e que fazer de modo que, ao telefone, ao ouvir uma voz feminina a dizer-me “que era a não sei das quantas” da verificação da qualidade da água da zona eu nem meditei, disse logo: envie o técnico! O pobre coitado, que até tinha uma excelente apresentação, decidiu (com o meu consentimento é certo) invadir-me a cozinha pequeníssima com um aparelhómetro (aquilo a que o demonstrador chamava filtro) razoavelmente grande para as dimensões do desgraçado do meu lava-loiças e respectiva bancada, ainda por cima quis copos e mais copinhos transparentes, dois jarros e água fervida (a ferver estava eu por dentro) e decidiu fazer experiências que não eram mais do que a electrólise da água (usou-a na água fervida, na água da torneira e na água engarrafada) enquanto a água da torneira passava pelo tal aparelhómetro. Quando ele me começa a falar que o “tal” retinha vírus através duma dupla membrana “não sei das quantas” eu tive que fazer um esforço enorme para não me rir. O aparelho “monstruoso” para o tamanho da minha cozinha, que está a precisar de obras urgentes, custa a módica quantia de 18yy euros se ficar instalado sobre a bancada (não sei é como depois conseguia cozinhar) ou 16yy euros se ficar por baixo do lava-loiça que por acaso, nesta casa, até é uma “pia”. Podia pagar em “n” prestações, tinha garantia vitalícia e ofereciam-me um colchão…
Eu fingi que engolia tudo desejosa que o fulano levasse toda aquela parafernália para longe da minha vista…
Socorro! Poupem-me! Livrem-me destes “neuromarquetistas” da banha da cobra… Descobriu-me a mente uma ova!
Nota:
1-Este processo é bastante complexo e tem enormes aliados, nomeadamente os nossos cartões de crédito, os nossos cartões de desconto de grandes espaços comerciais, … através deles vão ficando registados milhares de dados para estudo dos técnicos treinados para fazerem estudos de mercado…
2-Obrigada querido A.A.S. por teres despertado a minha curiosidade para esta nova forma de nos levar ao consumo, o neuromarketing. Sem este teu “espicanço” eu nunca pensaria em tal e este post não existiria.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
VESTIDA COM UM LENÇO
O Sol começou a visitar-nos, uma visita há muito desejada mas, não tão esplendorosa como seria de esperar, tal não impede que as pessoas não se “dispam” e frequentem as praias e não só.
Vamos então aproveitar a moda dos anos sessenta e retomarmos o “vestirmo-nos” com um lenço, não será propriamente um lenço de algibeira, mas um lenço um bocadinho maior.
Aqui vos deixo para vossa apreciação várias maneiras de o usar, todas elas experimentadas por mim, que os vestia e ainda visto sobre o fato de banho.
Vamos então aproveitar a moda dos anos sessenta e retomarmos o “vestirmo-nos” com um lenço, não será propriamente um lenço de algibeira, mas um lenço um bocadinho maior.
Aqui vos deixo para vossa apreciação várias maneiras de o usar, todas elas experimentadas por mim, que os vestia e ainda visto sobre o fato de banho.
Não pensem os homens que este post é apenas dedicado ao “género feminino”, vocês têm um papel importante neste assunto, aconselhem as mulheres com quem lidam em intimidade, se devem e podem usar o lenço e a maneira que lhes fica melhor. Podem até fazer um brilharete se lhes oferecerem um, eles continuam a existir à venda, lindíssimos, das mais variadas cores e tipo de tecido, opacos ou transparentes, enormes ou reduzidos, …
Vistam-se com um lenço e sintam-se livres…passeiem à beira-mar, com ele a servir de saia e deixem que o mar o beije… QUE SENSAÇÃO FANTÁSTICA!
Nota:A partir de hoje, não sabendo até quando, para mimar a Olga, vou voltar ao envio de "beijinhos embrulhados"!
domingo, 27 de junho de 2010
50 000 E MAIS ALGUNS!
Desde o dia 14 de Agosto do 2009 que este blogue tem existência real. Virtualmente, para poder dar continuidade a um trabalho que tinha encetado cerca de um ano antes, foi aberto em Junho do mesmo ano.
Brochura com a compilação dos textos que publiquei desde o dia 14 de Agosto de 2009 até ao dia 31 de Dezembro do mesmo ano.
No início não coloquei um contador de entradas, para ser verdadeira quem o colocou, passado um tempo, foi a Ana Rita. Sei que neste momento esse contador indica que foram dados mais de 50 000 cliques... alguns dos quais são, como não podia deixar de ser, meus.
Muitos dos que aqui comentam seguem-me desde quase o início mas poucos conhecem o porquê de enviar beijinhos a todos, por isso transcrevo o meu primeiro post:
Brochura com a compilação dos textos que publiquei desde o dia 14 de Agosto de 2009 até ao dia 31 de Dezembro do mesmo ano.No início não coloquei um contador de entradas, para ser verdadeira quem o colocou, passado um tempo, foi a Ana Rita. Sei que neste momento esse contador indica que foram dados mais de 50 000 cliques... alguns dos quais são, como não podia deixar de ser, meus.
Muitos dos que aqui comentam seguem-me desde quase o início mas poucos conhecem o porquê de enviar beijinhos a todos, por isso transcrevo o meu primeiro post:
“Há beijos e beijos... Os meus beijinhos embrulhados são as prendas sem grande valor material, mas com grande carinho que costumo dar à família e às pessoas de quem gosto, enfim... a quem AMO. Neste espaço penso enviar infinitos beijinhos embrulhados sob a forma de imagens e de palavras que exprimam o que sinto, o que penso e o que desejo. Beijinhos embrulhados!”
Os meus comentários nos últimos tempos terminam com “beijinhos sem embrulho” como consequência de uma brincadeira. E porquê? Porque um dos meus queridos comentadores fez a observação de que dava trabalho a desembrulhá-los e essa foi a resposta que achei adequada.
Chamo querido/a a todos/as porque estou numa idade em que penso que sermos carinhosos não faz mal a ninguém, … Será que aos trinta, quarenta, cinquenta anos, sentir-me-ia um pouco ridícula em fazê-lo? Não faço a mínima ideia, hoje sei que não me sinto assim e o “hoje” tem muita força para mim.
Sou uma “escrevinhadora” por prazer e enquanto for sentindo tal, vou continuar a fazê-lo, não estou cumprindo metas, nem obrigações, nem em busca de honrarias.
Gosto de desafios! Desafio-me muitas vezes, mas não permito que esse desafio se torne doloroso ou que me transforme numa pessoa agressiva, a agressividade entristece-me.
Tenho pena de ter sido “obrigada” a colocar um moderador de mensagens, principalmente pelo motivo que foi e que ainda me dói muito…
Todos os que por aqui passam e passaram me honram e honraram com a vossa visita! Estou-vos muito grata! A vossa presença, quer deixem um comentário, quer não, é motivo de muito agrado para mim.
Pessoalmente sou conhecida apenas por 5 de vós! E nesses 5 há familiares…
A TODOS A MINHA AMIZADE (embora virtual) E O MEU BEM-HAJAM!
sábado, 26 de junho de 2010
DOÇURA OU DIABRURA XXXIV
Com o Verão acabado de chegar vamos aquecer um bocadinho o corpo e a alma.AMADO
E, por fim,
sinto os passos daquele que amo.
Ao aproximar-se ,
tudo se cala deste lado da colina-
a serpente dorme,
os alces parecem de pedra, na margem do lago.
Não digo nada àquele que amo.
Derramo as pétalas e os perfumes sobre a sua
forma altiva,
de claridade, de silêncio e bronze.
As sandálias deixam transparecer a errância
dos seus pés.
Ele respira serenamente,
ele bebe o meu vinho doce,
quando me calo.
E quando a sua mão se detém no meu ombro,
caem sobre as cidades duas estrelas puras.
É Setembro outra vez,
nas vinhas do meu amado.
De onde terá vindo?
Onde terá lançado a sua palavra,
os salmos que lhe ouvi outrora, num jardim de
frutos proibidos?
Sentar-se-á aqui, neste alpendre, aquele que amo.
Ao entardecer, iremos ao rio.
Beberei da mesma água, na concha das suas mãos.
Verei o esplendor dos seus caminhos e,
muito perto,
vénus que nunca dorme.
Velarei o sono daquele que amo.
E, como um anjo de estremecido cristal, tocarei
a leve música das suas viagens.
Já não seremos deste mundo.
José Agostinho Baptista, in QUATRO LUAS edições Assírio & Alvim
QUE O TEU FIM-DE-SEMANA SEJA AQUELE COM QUE SONHASTE!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
EL TOBOSO
Pensam que o preguiçoso do Sancho Pança levou a carta a D. Dulcineia? Não, fingiu que sim o malandro e mais, engendrou uma resposta.
Mas, um dia D. Quixote, num daqueles seus ataques de frutuosa imaginação decidiu ir até ao lugarejo onde vivia a sua amada.
(…)
Mas, um dia D. Quixote, num daqueles seus ataques de frutuosa imaginação decidiu ir até ao lugarejo onde vivia a sua amada.
(…)
-A noite está quase a chegar, antes de começar uma nova aventura tenho que pedir licença e a bênção a Dulcineia.
-Deve ser difícil conseguir vê-la e muito menos receber uma bênção, só se for pelas frestas do curral.
- Deves estar louco! Pelas frestas de um curral? Foi certamente na varanda do seu palácio real que a viste.
-Talvez! Talvez! A mim pareceu-me uma fresta! Quando eu vi D. Dulcineia o sol estava encoberto e ela devia estar a peneirar o trigo, o pó levantado, como uma nuvem, também lhe tapava o rosto…
-És um idiota! Como pode uma senhora estar a fazer trabalho de uma assalariada?
-Deve ser difícil conseguir vê-la e muito menos receber uma bênção, só se for pelas frestas do curral.
- Deves estar louco! Pelas frestas de um curral? Foi certamente na varanda do seu palácio real que a viste.
-Talvez! Talvez! A mim pareceu-me uma fresta! Quando eu vi D. Dulcineia o sol estava encoberto e ela devia estar a peneirar o trigo, o pó levantado, como uma nuvem, também lhe tapava o rosto…
-És um idiota! Como pode uma senhora estar a fazer trabalho de uma assalariada?
E a conversa derivou para outros assuntos a contento de Sancho.
Finalmente chegaram a Toboso, Sancho Pança, que a toda as horas levava pancada por causa das diatribes do seu amo, ficou aterrorizado, não fazia a mínima ideia onde morava D. Dulcineia…
-Sancho leva-me até ao palácio da minha amada!
-Não posso! A casa onde a vi era pequeníssima!
-Então era porque estava a descansar a sós, como é costume as princesas e as grandes damas fazerem.
-É muito tarde não devemos incomodar ninguém.
-Vamos até ao palácio, depois logo se vê! Repara naquela enorme sombra, deve ser ali!
-Está bem! Vamos então até lá mas guie-me o senhor meu amo que eu não vejo nada!
-Mas isto é a torre de uma igreja!
-Agora me lembro que a casa dessa senhora fica num beco sem saída.
-És um mentecapto! Onde é que viste que os paços reais ficam em becos sem saída?
-“Cada terra com seu uso”! Eu vou procurar por essas vielas e travessas e talvez encontre esse palácio de uma figa.
-Fala com respeito Sancho quando te referes à minha amada!
- Como é que quer que eu faça, encontrar a casa à meia-noite, se só a vi uma vez e Vossa Mercê milhares de vezes?
-Olha lá herege! Não te tenho dito todos os dias da minha vida, mil vezes por dia, que nunca vi Dulcineia, que nunca frequentei o seu palácio e que estou apaixonado apenas por aquilo que ouvi dela.
- Fiquei agora a sabê-lo! Se nunca a viu, eu ainda menos…
-NÃO PODE SER! Disseste-me que a viste peneirando o trigo e trouxeste-me a resposta à carta que por ti enviei.
- Não quebre a cabeça com isso! Sei tanto quem é D. Dulcineia como sei dar murros no céu!
(…)
Nota:
As fotografias que ilustram este texto, foram tiradas por mim, logo… é proibido dizer mal delas :):):)
terça-feira, 22 de junho de 2010
CARTA A DULCINEIA
Na Serra Morena, languidamente recostado num pinheiro, sem se preocupar em ficar com o corselete manchado de resina, D. Quixote sonhava,… mas acordado, com a sua dama e musa Dulcineia que ele nunca tinha visto nem vestida nem despida. De rompante, decidiu escrever-lhe uma carta.Ei-la!
“Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Toboso, te envia saudar, que a ele lhe falha.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, de modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e, se não, faz o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida terei satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte
O Cavaleiro da Triste Figura”
Tradutores: Viscondes de Castilho e de Azevedo
Nos dias de hoje a carta talvez seguisse assim:
Ó minha!
Estou para aqui sem ter nada que fazer “a modos que” resolvi escrever-te.
Estás a fazer-te um pouco cara e eu não estou para te aturar! Queres ou não curtir comigo? Ou sim ou népias! Anda por aí muita gaja, que até “chora” para andar comigo, se pensas que fico a pensar em cortar as goelas por não queres nada comigo, estás muito enganada.
Tenho na minha frente uma loirinha e um prato de caracóis, fico à espera que digas qualquer coisa, mas não demores muito que eu não tenho tempo a perder!
O Zé Vida Curtida
Desafio os meus e as minhas visitantes a "vestirem-se" de D. Quixote e a “escreverem” uma carta à bela Dulcineia! Até pode ser apenas uma frase…
A carta chegou às mãos de D. Dulcineia?
Para o saberem lêem o livro, perguntam a alguém que conheça a história ou…aguardam pelo próximo post.
Nota:
Consta que Dulcineia a dama “inventada” por Cervantes, se baseou numa dama que vivia na época, em Toboso e, por quem tinha uma certa atracção. Seu nome seria Aldonza Lorenzo, chamar-lhe-iam abreviadamente Ana, "doce Ana" (se lerem "doce Ana" rapidamente e com sotaque espanholês, soa a dolceana=dulcineia). Não consegui saber se isto é mesmo verdade, Cervantes zangou-se comigo e deixou de me falar...
A carta que transcrevi foi retirada da obra Dom Quixote de La Mancha, Mel Editores, tendo como tradutores os citados.
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