sábado, 15 de outubro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA XCII

Esta semana terminou com um conto de suspense com fim previsível mas muito mais maquiavélico ... Fez-me lembrar as famílias que são muito permissíveis para com os seus rebentos, com rédeas de muitos quilómetros de comprimento  e de um dia para outro,   reduzem essas rédeas a meia dúzia de centímetros. Que acontece? Na maioria dos casos as "criancinhas" revoltam-se e entram numa espiral de "ataques cerrados" a tudo e a todos ... Porque é que estes progenitores não rectificam os seus erros de educação, educando e aplicando? 
Enfim, não foi bem este assunto que me trouxe até aqui. Vim para vos deixar, mais uma vez, uma Doçura ou Diabrura... 
A fotografia foi tirada por um amigo virtual (não façam filmes é mais novo do que os meus filhos e é um homem muito lutador) e que me a dedicou,  no Facebook, em 2010, no dia dos meus anos. Obrigada "Bombas"!

ESPERANÇA AMOROSA

Grato silêncio, trémulo arvoredo,
Sombra propícia aos crimes e aos amores,
Hoje serei feliz! - Longe, temores,
Longe, fantasmas, ilusões do medo.

Sabei, amigos, Zéfiros, que cedo
Entre os braços de Nise, entre estas flores,
Furtivas glórias, tácitos favores,
Hei-de enfim possuir: porém segredo!

Nas asas frouxos ais, brandos queixumes
Não leveis, não façais isto patente,
Que nem quero que o saiba o pai dos numes:

Cale-se o caso a Jove omnipotente,
Porque, se ele o souber, terá ciúmes,
Vibrará contra mim seu raio ardente
Bocage ("Bocage Sonetos", livros de bolso * Europa-América)

PARA TODOS UM FIM DE SEMANA EM QUE A ESPERANÇA NÃO MORRA!
NÃO TENHAM "MEDO" DE ACEITAR, ESTES AINDA NÃO PAGAM IMPOSTO, AQUI VÃO OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

NÃO FIZ NADA!

Após mais um dia de trabalho Albano foi directamente para casa. à chegada encontrou os filhos a brincarem no jardim com os pijamas vestidos. Estavam molhados e sujos de terra, sobre a relva a mangueira parecia uma cobra gigante, algumas embalagens vazias de comida comprada feita e brinquedos espalhados, quanto às crianças gritavam possessas e corriam descontroladamente  atrás umas das outras.
O carro da mulher estava fora da garagem, tal como ele o tinha deixado a pedido dela, as quatro portas estavam totalmente abertas. Albano sentiu um frio percorrer-lhe o corpo e o coração bateu mais forte. Correu para a porta da vivenda que se encontrava escancarada, a sala parecia ter sido varrida por um furacão, a televisão estava ligada, num programa infantil e no volume máximo, na cozinha o frigorífico tinha a porta mal fechada e espalhados pelo chão, pela bancada e pela mesa, encontrou o caos, pedaços de bolachas, embalagens de leite, iogurtes derramados, …
Chamou pela mulher: Arlete, Arlete!
O silêncio respondeu-lhe.
Em corrida subiu as escadas atulhadas de brinquedos e de roupa.
No seu pensamento via a Arlete desmaiada na melhor das hipóteses.
Da casa de banho ao cimo das escadas saía um cheiro nauseabundo a urina e a fezes, o papel higiénico forrava as paredes, toallhas molhadas cobriam o chão, a pasta de dentes tinha servido para a execução de desenhos abstractos, a banheira com alguma água e sabão tinha dois patinhos de borracha que pareciam estar a rir-se dele.
Temendo o pior entrou no quarto do casal…
Ficou petrificado, a Arlete com a camisa de noite ainda vestida, estava recostada nos almofadões lendo uma revista.
-Que aconteceu? Arlete estás bem? Que se passa?
-Nada Albano, nada! Porquê tanta agitação?
-Como é possível dizeres isso, a nossa casa está de pernas para o ar! – Respondeu de cenho franzido o Albano
Arlete sorriu e respondeu: Ah! Estás a referir-te à casa? Não és tu que todos os dias, quando chegas do trabalho e me vês cansada perguntas: “Querida afinal o que é que fizeste em casa, durante todo o dia?”
Pois é querido, hoje NÃO FIZ NADA!
NOTA: Não sou a autora da ideia da história. O original chegou-me por e-mail de autor desconhecido, eu dei-lhe um “banho” bem ao meu modo.
Sei por experiência que, desde que estou reformada, há quem pense que não faço nada…

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ACUMULAÇÃO

A manhã decorria com uma tranquilidade transmitida pela sua paz interior, pelos cheiros que chegavam dos campos acabados de ceifar, pelos sons emitidos pelos passáros.

Roubou um pedacinho de tempo a algumas tarefas que podiam esperar e decidiu espreguiçar-se na cadeira de descanso que a convidava de braços abertos.
Recostou-se e meditou, meditou nas imensas juventudes que tinha acumulado ao longo dos anos. Sim, porque em todas as etapas da sua vida, tinha sido jovem…muito jovem até!
A maturidade tinha-a ensinado a viver com aquilo que é impossível de mudar, continuava a conservar a esperança de atingir alguns sonhos. Sorrindo pensava que a velhice era uma obra de arte, bastava olhar para as rugas vincadas, esculpidas por um génio do cinzel, as cãs, que iam substituindo dia a dia o negrume dos seus cabelos, estavam a ser pintadas por um pincel mágico manuseado pelas mãos de um duende maroto.
Não, não se sentia no inverno da vida sentia-se na estação das colheitas, no seu coração o amor continuava ardente, não era velha pois mantinha a fé em si mesma, era saudavelmente alegre, sabia que para o coração não há idade.
Ao longo do tempo tinha acumulado muitas emoções, estava na hora de começar a acumular outras.
Suspirando ergueu-se lentamente e iniciou mais um capítulo do livro da sua vida…
Nota: Tela pintada por Gustav Klint

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA XCI

Foi a SEMANA, ao fim de tantos meses, finalmente ... uma semana em que todos os dias estiveram perfeitos (estou a referir-me ao clima, porque quanto às diferentes crises que grassam por aí, neste momento, recuso-me a pensar).


IDENTIDADE

Fusão da minha alma
meu sonho, minha fábula
minha sensibilidade oculta
minha gémea melancolia
minha sensualidade difusa
meu enigma, minha perdição
meu sonho metamorfizado,
meu desejo infinito,
de não te perder,
depois de te ter encontrado
Isilda Melo Seabra (Raízes do Ser, Universitária Editora)

PARA TODAS E TODOS UM FIM DE SEMANA DE CONTO DE FADAS!
E OS MEUS INFINITOS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

RAPIDAMENTE

A manhã de sábado ia a meio...
-Rápido! Vamos passar o fim de semana fora...
-Vamos para onde?
-Segredo! O indispensável dentro de uma maleta!
-Já "estou"...
Mais ou menos uma hora depois partia para um lugar desconhecido...
Fui para sul, atravessei a ponte 25 de Abril, a partir de determinada altura, depois de uma paragem técnica em Palmela, entrei em estradas de interior, baralhei-me (para me baralharem não  é preciso muito) com a direcção tomada, ia na conversa e na minha necessidade de observar a natureza que me rodeava.
Li placas com a indicação de localidades por mim conhecidas, outras nem tanto, depois de passar pelo Outeiro do Cão, entrei e saí do Outeiro do Lobo (a distância entre as placas de sinalização desta aldeia era tão curta que quase só inspirei e expirei uma vez) e lá fomos, até que cheguei ao lugar do destino.
 Caminho de acesso já dentro de "muros"
 O alojamento
 A paisagem vista do varandim
 Os vizinhos que nunca vi
 A rampa de acesso ao alojamento (por "aqui" não vi escadas)
 Um recanto oásico a caminho da piscina
 Uma lonnnnnnga piscina de ondas
 Posando para a posteridade bem agarrada ao livro que ando a ler (um livro faz sempre parte da minha bagagem)
 Uma paisagem também visível mas para além dos "muros"
  Neste local de descanso impera a ecologia.

E é mesmo assim, aqui construí-se a pensar no poupar...de tal modo que as torneiras da casa estão providas de temporizador e "aqui" a "je" que para manobrar tecnologias fica uns pontos abaixo de zero, tomou duche às prestações (praguejando um bocadinho confesso). Existia certamente um processo para dar tempo para tirar todo o gel de uma vez mas não descobri.

Hoje estou diabólica! Onde estive? Vá lá! Vejam se descobrem...
Se ninguém souber a resposta eu prometo, solenemente (quem mais promessas faz menos cumpre), que vos falo mais sobre o local!

sábado, 1 de outubro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA XC



A semana correu mansa com dias ensolarados. Chegadas e partidas! Saudades, abraços, novidades …
 “Partidas” do Google essas foram imensas e de muito mau gosto. Neste momento continuo sem ter um acesso normal a alguns blogues, uns porque têm um aviso de que podem conter um vírus “pernicioso”, outros porque não os encontro no endereço que possuo e outros ainda onde só posso comentar como “anónima”.
Sei que muitos se queixam do mesmo…

E com este rolar do tempo chegou o dia da Doçura ou Diabrura.

No teu barco
No teu caminho
Viajo serena e feliz
Falando como uma criança
Perdida nas palavras
E depois nos silêncios que me dás

Fujo de ti
Perco-me em ti
E na vã palavra de te dizer não

Então digo
Atrevidamente brincando com o teu olhar
Que te quero
Como um canto
ou uma ave que passa
Maria Dolores Piteira (in Labirinto de Espelhos, pág. 113, Editorial Minerva)

A NATUREZA TEM UM RITMO PRÓPRIO E FÁ-LO SEM PRESSAS. FAÇAMOS COMO ELA ESTE FIM DE SEMANA, VIVAMO-LO SEM PRESSA MAS BEM PREENCHIDO…
PARA TODOS OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS!