terça-feira, 10 de agosto de 2010

PSEUDOLALIA

Quem de entre nós não conhece um mentiroso compulsivo?
Tenho uma amiga que o é! Como todos os que lidamos com ela o sabemos e as mentiras que conta não prejudicam ninguém, têm a ver com a sua própria vida, dizemos que ela é muito “criativa” e nunca a desmentimos, damos-lhe o devido desconto. De certo modo até lhe achamos graça. Muitas vezes reconta acontecimentos do passado, que diz que se passaram com ela, esquecendo-se que nós sabemos a origem da história que, normalmente, se passou com uma de nós.

Acontece que a mentira compulsiva resulta de um vício de mentir, a pessoa mente por mentir, perde a noção do que é a verdade, “vive” as suas mentiras. Alguém com este vício está doente, sofre de pseudolalia, a doença da mentira.
Como qualquer outra maleita, esta pode atingir patamares muito elevados de gravidade, podem surgir graves distúrbios de personalidade, o indivíduo pode acabar por perder a noção do real e passar a viver num mundo diferente do mundo dos que o enquadram.
Há hipóteses de cura desde que as pessoas que sofrem de pseudolalia , tenham a noção dela e se queiram tratar. A psicoterapia, feita por um psicólogo ou um psiquiatra, dá uma ajuda mas muitas vezes tem que ser acompanhada com o recurso a medicamentos.

Gia Carneiro Chaves (psicoterapeuta) afirma sobre este assunto: “o vício de mentir é um acto inconsciente e perante a mais simples situação, a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva» e salienta: «Os indivíduos afectados por este vício perdem, em certa medida, consciência da doença que vão adquirindo, pois a diferenciação que fazem entre o real e o imaginário é gradualmente menor. (…) Sentem a falta de confiança dos que vivem em seu redor, o que os desespera amargamente, sentindo-se vítimas incompreendidas; e uma raiva incontida quando confrontado com a verdade, que já não entendem, fá-los soltar a mola da violência»


Pelo que acabei de expor verifica-se que um mentiroso compulsivo pode, em determinadas circunstâncias, tornar-se VIOLENTO!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

HUMOR NEGRO

Hoje lembrei-me de uma troca de “galhardetes” que tive num passado não muito distante com um amigo meu que é um pouco “amalucado” e para o qual eu tenho sempre uma paciência imensa.
Ele andava a atravessar uma fase má da vida, tinha a ver com “rabos de saia” e os amigos não sabiam bem o que se estava a passar, entretanto ausentou-se para o sul do país, dizendo que ia de férias. Eu enviei-lhe um e-mail em que entre outras coisas dizia o seguinte:
(...)“Dei-te a "mão" e disse-te que podias ter em mim uma amiga e confidente situação que tu "raivosamente" não aceitas. Não estamos sós e é muito mau negarmo-nos a alguém que nos pode ajudar. Tu lá sabes! Saberás? Estarás em condições físicas e psíquicas para compreenderes isto?” (...)


Não obtive resposta. Deixei passar mais de quinze dias e enviei novo e-mail apenas com esta pergunta: “Morreste?”


De imediato recebi a resposta que se segue:
“Morri louco e maneta depois da mão que me ofereceste, no hospital
psiquiátrico onde morava. Fui cremado e as cinzas foram snifadas pelo meu colega de quarto que partilhou tantas vezes o colete comigo e a quem deixei em testamento o meu computador, dado que de loucura ele estava aviado. Ao vencedor as batatas!!!!”


Não contente com esta resposta ainda me enviou a que transcrevo e que tenho junto das minhas recordações:


“Maria Teresa
Não imaginas o embaraço e o desarranjo que me fez ter sido cremado maneta.
O funcionário de turno jurava que eu tinha entrado com as duas mas eu do alto
da minha loucura lá lhe expliquei muito devagarinho que a tinha perdido quando
correspondi à oferta de ajuda de uma solícita senhora. O pobre homem atónito
mas sem se aperceber da minha bem disfarçada loucura-cheguei a assobiar para
dar um ar mais descontraido-insistia em que a mão não podia ter ido colada à tua. Garanti-lhe que sim e até argumentei que o devia sossegar cremar menos uma peça. O homenzinho perante este sólido argumento, agarrou-se ao facto de pelo facto de eu provir de um manicómio, seria louco e custaria muito mais a queimar e já se dispunha a dar-me dar exemplos da sua vasta experiência. Lá me esforcei por lhe fazer entender que a minha insanidade tinha sido temporária e que só tinha sido atestada por uma pessoa. Que não, que só me podia queimar com dois atestados e o que é facto é que tive que o subornar para que ele fechasse os olhos ao que ele chamava insuficiência de provas. Chegou a sugerir-me inteligentemente outro meio de transporte para o outro mundo e que fosse ardido nas trevas ou melhor no inferno. Aí saltei e disse-lhe que era ateu e que a minha viagem teria de ser só de ida e ficar por cá .Assim foi a história da minha morte que foi gira, acredita! Repetiria se reencarnasse! Obrigado pelas tuas ofertas piedosas de mulher de causas de amizade mas eu vivo perfeitamente com os meus botões com quem desabafo regularmente.
Saúda-te o
Morto”

Este meu amigo tem um humor um pouco para o negro mas é bastante criativo nas histórias que conta, diverte-me, diverte-nos … Achei uma delícia esta missiva, fartei-me de rir, aliás cá em casa todos nos rimos com esta pequena “brincadeira” …


E eu sou uma mulher morta se ele descobre que publiquei estes e-mails dele.

domingo, 8 de agosto de 2010

DAR QUE FALAR

“Bem ou mal, falem de mim”! Foi uma das frases mais citadas que ouvi durante a minha vida. E foi a que me “saltou” ao consciente quando vi este miminho que me foi generosamente dedicado pela Manuela.
Já me mimaram muito e há alguns tempos dedicaram-me alguns, que acabei por não publicar, porque me “perdi” no espaço e no tempo…e agora é difícil saber quais e quem, disso peço desculpas se tiver direito a elas.

Voltando a este e tentando dar cumprimento às regras:

1-Mostrá-lo:


2- Dedicá-lo a 5 pessoas:

Natália

D*

JP

S*

Saraif

3- Na minha opinião porque é que o meu blogue dá que falar?


Esperando que dê mesmo, talvez seja porque é um blogue de “ttt”:


Testemunhos de vida
Transparência
Tolerância
Ternura
, muita…por todos os que me “apoiam” quer deixem ou não a sua “marca”. Sei que estão para lá deste ecrã na frente do qual passamos alguns momentos das nossas preciosas vidas. (…)
Teresa… quase por inteiro

Escolhi 5 nomes não tão aleatoriamente como pode parecer. Muitos outros gostaria de citar mas sei que esses bloguistas, que tenho em pensamento não “gostam” muito de os receber, facto que aceito e compreendo, além disso outros estão de férias e o respectivo computador também…


Para a MANUELA a minha ternura e um MUITO OBRIGADA!

sábado, 7 de agosto de 2010

DOÇURA OU DIABRURA XXXIX

De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, o tempo começou a ser considerado como uma 4ªdimensão do espaço, sendo assim o tempo do Universo terá três dimensões espaciais e uma temporal.
Seja como for o tempo é um instrumento que comanda as nossas vidas, com a sua passagem tudo se transforma, tudo muda, …
E assim, com o seu decorrer rápido ou menos rápido, chegámos a mais um fim-de-semana das
nossas vidas! E a mais um DOÇURA OU DIABRURA!


Derrota

Eras sempre imprevisível
Um gesto manhoso
Da pegajosa mão
Passinhos de algodão
Num dengue sinuoso
Olhares de veludo
Silêncios de seda
Sorrisos de cetim
Momices de Entrudo

Quem pudera adivinhar-te o fundo
Nesses trejeitos de doçura disfarçados?!
Quem ousara atribuir-te um coração imundo
Nesses beijos lentos e leves tão adocicados?

Esperaste longos anos por uma vitória no cansaço
Armadilhas de amor escorregadio.
Porém tudo acabou no vazio
Tu afinal perdeste. Eu não caí no laço!
Nílea Domoste, in “da incerteza” (poesia a cartoze)


PARA TODOS OS QUE POR AQUI PASSAM :
BOM FIM-DE-SEMANA!!!!!!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

5 BLOGUISTAS E 5 VÍDEOS

Hoje tenho uma proposta a fazer-vos, trata-se de um desafio que me foi feito pelo Pinguim, não podia dizer que não, por isso estou a dar cumprimento ao que ele espera de mim.

Que desafio é este?

Tenho que nomear 5 bloguistas e “classificá-los” com um vídeo musical.
Escolher os bloguistas foi-me muito fácil, escolher a música uma tarefa quase impossível, participo-vos que sou uma analfabeta no que diz respeito ao mundo da música, apenas sei dizer se gosto ou não gosto, se me “toca” ou “não”…
Espero que os 5 que vou indicar se consigam identificar com o vídeo que para cada um deles escolhi, fi-lo pensando em algumas características que vou detectando em cada um e pensando que todos não se importam de dar continuidade ao desafio.

Cá vai:


Para o Ergela



Para a Canhota




Para a Adek





Para a C*inderela




Para a Sairaf


ESTE DESAFIO ESTÁ ABERTO A TODOS OS QUE PASSAM POR AQUI!
NÃO FICA RESTRITO APENAS AOS QUE "NOMEEI".
Aguardo a vossa opinião.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ATÉ BREVE!

Terminei a minha fuga de três dias, fazendo uma despedida plena de sorrisos na Quinta das Lágrimas, em Coimbra! "Coimbra tem mais encantos na hora da despedida"!

Ao entrar-se nesta Quinta deparamos com a fachada do Hotel da Quinta das Lágrimas, hotel de charme, inaugurado em 1995

Nas suas traseiras podemos encontrar recantos aprazíveis como este ...

e a ladeá-lo veredas, numa das quais observámos, pela primeira vez, um loureiro cerejeiro

Nos seus jardins e mata, as minhas memórias, muito difusas, misturaram-se com as memórias de outras gentes, gentes que por aqui têm passado desde o século XIV, memórias essas bem presentes na vegetação, nas lendas e na sua verdadeira história.

O que fomos observando ao longo do passeio que iniciámos lentamente, para sentirmos na alma o "espírito" do local?

Água, muita água! Este precioso líquido formando um lago com nenúfares

Outro lago

Uma das muitas fontes! Nascente que derrama o seu pequeno caudal sobre uma rocha e que vai alimentando ainda mais outro lago

Árvores, milhares de árvores, abetos, pinheiros, araucárias, bétulas, castanheiros, palmeiras, olaias, canforeiras, nogueiras, carvalhos, sequóias,... originárias das mais diferentes e remotas partes do mundo.

Uma das duas sequóias, existentes na mata, as Wellingtonias (Sequoia gigantea), plantadas para marcarem a presença do Duque de Welligton nesta Quinta, em 1813

Flores, muitas flores principalmente de caule longo, na imagem a flor de agapanto, flor do amor, lírio africano


Era aqui, nesta quinta idílica que Pedro e Inês se encontravam, sempre em segredo, para que nada perturbasse o seu amor. Inês, que a história apelidou de "colo de garça", tal era a sua beleza, residia no Paço do Convento de Santa-Clara-a-Velha, distante da Quinta não mais de quinhentos metros.


A determinada altura deste passeio sem pressas, chegámos a uma das fontes mais conhecidas: a Fonte das Lágrimas

Reza a lenda que esta fonte nasceu das lágrimas derramadas por D. Inês quando foi esfaqueada até à morte pelos três mandatários do rei, D. Afonso IV, pai do grande amor da sua vida D. Pedro, mais tarde D. Pedro I de Portugal. Terão sido as lágrimas que Inês então chorou que fizeram nascer a Fonte das Lágrimas, o seu sangue ficou de tal modo entranhado nas rochas que ainda hoje quando as observamos, vimo-las tingidas de vermelho.


Muito perto encontrámos uma porta em arco e uma janela neo-góticas que dão acesso a este mundo mágico e misterioso que é a mata da Quinta.

Ao lado da porta encontra-se a indicação que ali se encontra a Fonte dos Amores, na realidade pode ver-se um cano estreito, que vai terminar a uma centena de metros do Convento de Santa- Clara-a-Velha. Seriam as águas que brotam da Fonte dos Amores para este cano que serviriam de transporte para as cartas de amor de Pedro para Inês. Diz a lenda que o príncipe as colocava em barquinhos de madeira que, seguindo a corrente, iriam até às mãos delicadas de Inês.


E foi da janela da Fonte dos Amores que eu me despedi, não sem antes relembrar Camões

"As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores"
Os Lusíadas, canto III

desta pequena grande aventura, deste passeio recheado de amizade, de sonhos, de paraísos esquecidos, ... dizendo: até breve!


Este texto, as "MEMÓRIAS", o "OÁSIS", as "TASQUINHAS E...?"e os "PÉS E MAIS ALGUMAS COISAS", testemunhos de um tempo que passei afastada de alguns dissabores da vida, só puderam ser vividos, escritos e ilustrados graças à perícia fotográfica, disponibilidade, programação, amabilidade,...das minhas AMIGAS e "filhotes" . Para todos um MUITO OBRIGADA e UM BEM-HAJAM!

domingo, 1 de agosto de 2010

MEMÓRIAS

Já passaram 60 anos desde a primeira vez que fui ao Bussaco.
Memórias que emergem com este “voltar”, memórias difusas avivadas por fotografias tiradas na época, em que a minha avó materna é a figura predominante.

Fachada do Hotel Palace de estilo arquitectónio Manuelino-Gótico, infelizmente maculada, no dia em que visitámos o local, pela presença de carrinhas de um canal de televisão que no dia seguinte iria de lá fazer um programa em directo .

"Varanda" nas traseiras do hotel com bonitos panéis de azulejos portugueses


No presente revi o Hotel Palace que já conhecia, mandado construir em 1885, pelo rei de Portugal D. Luís, um dos mais belos hotéis históricos do mundo. No seu lugar existiu, entre 1628 e 1834, o Convento de Santa Maria do Bussaco, abrigando a Ordem dos Carmelitas Descalços, ordem essa que mandou plantar toda a mata que o circunda .

Mata onde em 1810 se travou a célebre Batalha do Bussaco entre as forças anglo-portuguesas e as francesas, as primeiras comandadas pelo Duque de Wellington e as segundas por André Massena

Que vi e que fiz neste passeio que me marcou mais?

Uma mata frondosa, considerada área protegida, com espécies vegetais do mundo inteiro, sendo bem “visíveis” os fetos gigantes…

Um lago com fauna e flora própria do local


Outro lago de águas turvas mas com uma beleza única

Uma cascata ao fundo da qual, a doce e divertida filha mais nova da minha anfitriã e eu, posámos para mais tarde recordarmos

Caminhos para se palmilharem lentamente

Atalhos que nos conduzem até à Cruz Alta, assim os queiramos percorrer

"Apanhada" com o produto de um pequeno “namoro” que tive com um arbusto florido

Trepadeiras das quais me foi oferecida uma vagem para ficar guardada como prova da minha passagem por este local.

Algumas das muitas belas flores que por lá abundam

Brincadeiras entre uma avó e uma “neta” que posaram como se ambas modelos-adolescentes fossem.


A recusa em querer sair de lugar tão aprazível! Saí porque me prometeram levar até à Cruz Alta.

Na Cruz Alta uma foto similar em poses, a outra de tempos remotos, em que as fotografadas foram eu, com menos de 10 anos e a minha avó.

No céu ténues nuvens


E olhando estas nuvens que pareciam estáticas, de um colorido tão diáfano que se confundiam com o firmamento, iniciámos a viagem de regresso a casa, onde nos aguardava um outro filho da minha anfitriã.

Nesta casa senti-me num lar, as “crianças” (vão matar-me) são muito simpáticas e bonitas, não me conheciam mas acolheram-me muito bem, conversaram comigo sem ser apenas por educação, sentir-me-ia honrada se fossem meus netos. A mocinha é muito engraçada, toda "para a frente", adora pintar as unhas de um modo um pouco psicadélico, gostava que a observassem, como eu observei, como se diverte a executar essa tarefa. O irmão gosta muito de cerâmica, comigo partilhou uns vídeos sobre o assunto, acreditem que aprendi bastante com estas visualizações…

A vista panorâmica tendo como ponto de observação a Cruz Alta é indiscritível, infelizmente não tenho nenhuma foto dela e não quis colocar uma retirada da Internet.

Todas as fotografias publicadas são da autoria da minha amiga anfitriã.