Tenho uma amiga que o é! Como todos os que lidamos com ela o sabemos e as mentiras que conta não prejudicam ninguém, têm a ver com a sua própria vida, dizemos que ela é muito “criativa” e nunca a desmentimos, damos-lhe o devido desconto. De certo modo até lhe achamos graça. Muitas vezes reconta acontecimentos do passado, que diz que se passaram com ela, esquecendo-se que nós sabemos a origem da história que, normalmente, se passou com uma de nós.
Acontece que a mentira compulsiva resulta de um vício de mentir, a pessoa mente por mentir, perde a noção do que é a verdade, “vive” as suas mentiras. Alguém com este vício está doente, sofre de pseudolalia, a doença da mentira.Como qualquer outra maleita, esta pode atingir patamares muito elevados de gravidade, podem surgir graves distúrbios de personalidade, o indivíduo pode acabar por perder a noção do real e passar a viver num mundo diferente do mundo dos que o enquadram.
Há hipóteses de cura desde que as pessoas que sofrem de pseudolalia , tenham a noção dela e se queiram tratar. A psicoterapia, feita por um psicólogo ou um psiquiatra, dá uma ajuda mas muitas vezes tem que ser acompanhada com o recurso a medicamentos.
Gia Carneiro Chaves (psicoterapeuta) afirma sobre este assunto: “o vício de mentir é um acto inconsciente e perante a mais simples situação, a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva» e salienta: «Os indivíduos afectados por este vício perdem, em certa medida, consciência da doença que vão adquirindo, pois a diferenciação que fazem entre o real e o imaginário é gradualmente menor. (…) Sentem a falta de confiança dos que vivem em seu redor, o que os desespera amargamente, sentindo-se vítimas incompreendidas; e uma raiva incontida quando confrontado com a verdade, que já não entendem, fá-los soltar a mola da violência»
Pelo que acabei de expor verifica-se que um mentiroso compulsivo pode, em determinadas circunstâncias, tornar-se VIOLENTO!

