sexta-feira, 29 de julho de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXXII

Há dois meses que não escrevia nada sob este título! Interrogo-me: como foi possível? Adoro poesia, adoro “doçuras” e “diabruras”, adoro desejar um fantástico fim de semana a todos, ficando “a torcer” para seja mesmo bom!
Vou começar a remedear essa situação, sem mais demoras, cá vai!



Óleo de José Santos Aguilar


PESO LEVE

A leveza do que é pesado.
Uma melodia simples.
Um embalar de corações.
Esse peso que trazes,
Peso que me faz sentir tão leve.
Peso suave,
Vem!
Traz esse teu peso!
Sinto-me a flutuar.
Eleva-me com essa dificuldade
De te elevares.
Danço a dança que me desvanece,
Caio no chão de tanto te venerar.
Vem!
Amarra-me com esse teu amargo e rude peso
Quero-me levantar.
Tua beleza é como um divino altar,
Frio e gelado.
Derretes meu medo de amar.
És pesado grotesco.
Traz-me teu peso.
Quero flutuar.
Patrícia Lourenço, in Intemporal (Editorial Minerva)

UM FIM DE SEMANA FANTÁSTICO PARA TODOS NA COMPANHIA DOS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

terça-feira, 26 de julho de 2011

DANÇANDO COM OS AMIGOS

SAUDADE não é apenas uma palavra que soa bem, é um sentimento que nos invade, que nos põe nostálgicos, que nos faz pensar com muita força em pessoas, afectos, locais, acontecimentos, … Tenho saudades do tempo em que usava assiduamente este cantinho, para escrevinhar o meu sentir, para responder aos vossos comentários e visitar-vos quase diariamente.


“Danço” convosco quase todos os dias, interrogo-me sobre o que cada um de vós estará fazendo neste momento…mas a minha vida familiar tem estado tão preenchida nestes últimos tempos e o que escrevo é tão pessoal, tão íntimo, que não ouso, nem quero, nestes tempos mais próximos, partilhá-lha aqui.
Danço ao som de uma canção que só outro alguém ouve…sei que a seguir à “noite nasce o dia”, não temo a “noite”! Vivo intensamente as emoções que me fazem caminhar na VIDA! Sinto no ar um aroma diferente, quero, apetece-me, desejo, continuar a senti-lo mesmo que não conheça a sua fonte e que saiba que um dia posso deixar de o sentir…

sexta-feira, 17 de junho de 2011

VIVER A PRAIA

Há quase um ano registei o que sentia deste “jeito”.
Ontem verifiquei que muitas coisas mudaram. Fui pela primeira vez relembrar o prazer de “habitar” a minha praia, voltar a pisar a areia, sentir o sol a aquecer o meu corpo, observar o vai e vem das ondas, … com alguém que entrou inesperadamente na minha vida há três meses. O homem que neste momento me oferece o peito para repousar a minha cabeça cheia de sonhos, que me abraça com ternura, … não é o mesmo.


O homem da “minha praia” continua a viver no meu coração mas já não me pode abraçar…Relembro-o com amor e saudade, revejo-o nos filhos e netos que tivemos em comum, nada mudou em relação ao que sentia por ele, mas a minha vida tomou um rumo totalmente diferente.
“Vivo” a praia de outro modo.


Com aquele que hoje está ao meu lado, estive só na praia, sem crianças, embora elas existam nas nossas vidas que, durante muitos anos, foram totalmente vividas em mundos diferentes.
Desenhámos um coração muito diferente dos do passado, nele apenas ficaram gravadas duas iniciais esperando que fossem apagadas com a subida da maré.
O mar é o mesmo… estava tranquilo, nada zangado. Nele mergulhámos e brincámos como se tivéssemos renascido na idade dos nossos netos…Sonhámos em uníssono com as paragens longínquas que estão para lá da linha do horizonte…Observámos um veleiro e sentimo-nos transportados nele… "Programámos" viagens a realizar brevemente...

Como é bom ainda termos projectos de vida a dois na nossa idade…

segunda-feira, 6 de junho de 2011

PÉ ANTE PÉ...

O tempo vai-se escoando, mas esse escoamento passou a ser muito relativo, tenho os dias muito preenchidos, deliciosamente preenchidos… Caminho pé ante pé como uma criança, procurando não pisar vidros, nem espinhos.
Com uma sensação de liberdade e tranquilidade vou observando tudo o que me rodeia, as cores estão mais vivas, os espaços estão mais alar
gados, as pessoas estão mais simpáticas (devo estar delirando) e o pôr-do-sol é sempre diferente…








Um pôr-do-sol como tantos outros a que ultimamente tenho assistido mas que, para mim, têm sempre um sabor diferente. Este “aconteceu” na 6ªfeira, nas Azenhas do Mar e demorou poucos minutos.

O Sol! O pôr-do-sol! A noite chega e com ela muitas juras de amor vão ser sussurradas…podem ser eternas ou efémeras mas, ao acordar, tenho a certeza que vou novamente encontrá-lo e, espreguiçando-me, estou a dar-lhe os bons dias com um abraço…
Se a luz é símbolo de beleza, verdade, bondade, alegria, pureza, a sua fonte será o quê?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXXI

Os caminhos que nos últimos tempos tenho percorrido, guardam segredos e esses segredos têm-me conduzido a tesouros. Entre esses tesouros encontro a alegria, a ternura, a compreensão, a felicidade, a amizade, o amor,… e todos vós têm dado a vossa contribuição para essa riqueza


Quadro de Leonid Afremov

FELICIDADE
Não é posse
É dádiva

Não é o que se procura
É o que se oferece

É a sensação agradável de liberdade
É o prazer do pequeno e do grande
Do forte e do frágil

É sentir que tudo está do nosso lado
E que caminha ao nosso encontro

É sentimento
Do bem e do belo
E também de pequenos nadas

É saber dar e receber
É saber aceitar o espaço que nos está destinado
É saber colocar os sonhos na realidade.
Irondina Viegas (INTEMPORAL, Editorial Minerva)



QUE NESTE FIM DE SEMANA TODOS CAMINHEM MUITO...DEIXEM UMA JANELA ABERTA PARA QUE QUANDO A FELICIDADE ASSOMAR, CONSIGA ENTRAR... MESMO QUE SEJA APENAS POR BREVES INSTANTES!



BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

DANÇANDO

Nunca esteve nos meus sonhos dançar, no final de um lindo dia de Primavera, já com um cheirinho a Verão, ao som de música country, no mini-jardim do meu Refúgio… conduzida por um homem que faz o meu coração bater mais depressa… (o dele também bate)
Senti-me transportada para a época em que a vida me sorria com lábios da cor de pêssegos maduros e cheirava a maçãs acabadas de colher, em que acreditava em fadas envoltas em vestes diáfanas, em príncipes montados em cavalos brancos e que as histórias de amor tinham sempre um final feliz…



Nem tudo está maravilhosamente encarrilhado, seria uma utopia pensar isso, mas estamos muito empenhados em que os carris fiquem paralelos e haja poucos acidentes no percurso.
Não somos jovens (ambos pagamos bilhetes para seniores em determinados locais), temos experiências de vida muito diferentes mas… ambos desejamos fervorosamente que dê certo.Conversamos muito, bebendo avidamente as lições de vida que ambos possuímos, temos personalidades muito vincadas, como consequência das nossas profissões, fomos habituados a “comandar” e a “moldar” pessoas, somos um pouco “mandões”…

Enquanto o bem-estar nos envolve, o sorriso permanece nos nossos lábios e nos nossos olhos, …dancemos!

Nota: E o idiota do computador não aceita a cor azul no texto

segunda-feira, 23 de maio de 2011

CAMINHANDO

Dos terrenos circundantes da aldeia bucólica onde me refugio pouco conheço, ou pouco conhecia…longas caminhadas têm-me levado à descoberta de pequenos paraísos.



Caminhar por uma vereda cujo céu são a folhas verdes de um caniçal a beijarem-se sobre as nossas cabeças e de repente



ficar a céu aberto na encosta de uma colina,

vendo o mar muito perto,



transpor pequenos ribeiros de água límpida ainda não conspurcado pelo homem,


tudo tem sido vivido por mim numa descoberta que me obriga a pousar firmemente os pés no chão, para não cair, embora tenha um braço em que me apoiar, mas que me deixa a cabeça e o coração à solta.
Assim, mas não só, vou vivendo os meus dias, um de cada vez, com uma tranquilidade e algum arrebatamento que há muito não me eram oferecidos, …