terça-feira, 30 de março de 2010

A FUGA

O meu tio, homem amoroso, simpático, divertido, contava histórias e anedotas como ninguém, fazia-nos rir quando estávamos tristes, era adorado por todos mas, … não tinha a noção do valor do dinheiro ou talvez tivesse, mas de um modo diferente do da restante família.
Andava sempre com falta do vil metal. O meu pai que sempre foi trabalhador por conta de outrem, juntamente com um amigo, sem nunca largar o seu emprego, criou uma pequena empresa familiar, e convidou este meu tio para ser sócio com quota a realizar.
Um dia, há sempre um dia, em que as vidas mudam de rumo, o meu tio foi enviado a um cliente para receber uma conta relativamente elevada. Foi e não voltou! Melhor voltou, mas não nesse dia!
Como todos calculam a família ficou em polvorosa, ninguém sabia dele, as conjecturas sobre o que lhe teria acontecido foram imensas e algumas bem disparatadas, houve quem chorasse. Até que,… quase no fim da tarde do dia seguinte ao desaparecimento, apareceu um telegrama mais ou menos com os seguintes dizeres: “de uma fuga inesperada encontro-me em Paris!”
E esta hein?
Escusado será dizer que a “sociedade” nunca mais viu o dinheiro do cliente…

Sem querer imitar o meu tio, eu também vou encetar uma fuga, ao contrário da dele, a minha foi muito bem planeada, vou desaparecer durante uns dias e para que ninguém fique preocupado e comece a chorar, posso dizer-vos que vou passar a Páscoa a Londres, não vou só. Vou muito bem acompanhada! Vou com um filho…

Páscoa é renovação, vamos todos “esforçar-nos” para conseguirmos realizar os nossos sonhos, renovar os nossos dias.
Para todos muitas amêndoas, de acordo com o gosto de cada um, há-as de todas as cores, formas e ingredientes

Uma PÁSCOA CHEIA DE “FLORES”!

segunda-feira, 29 de março de 2010

CASA TROGLODITA

Em Matmata, zona montanhosa, aparentemente desértica, em que o solo sem ser de areia solta, como no deserto, tem uma cor ocre dourada, olha-se e o nosso olhar espraia-se até ao horizonte vendo apenas uma vegetação muito disseminada. Os nossos sentidos enganam-nos! Se viajasse de helicóptero veria “poços” perfurando o solo, cilindros esvaziados que são casinhas, casinhas brancas, cavadas na montanha, assim construídas para manterem uma certa estabilidade na temperatura, num local do mundo onde as temperaturas são elevadíssimas de dia e à noite chegam a atingir os zero graus.

Existem desde o século XI, já foram habitações muito pobres, hoje o turismo retirou-lhes o que tinham de genuíno, possuem infra-estruturas básicas e são fonte de riqueza …
Como podem observar pelas fotos, é escavado um cilindro oco no solo e ao longo das suas paredes são abertas as divisões, a ligá-las há o pátio circular a base do cilindro, estas casas ligam-se ao exterior por um pequeno túnel que abre numa das escarpas da zona montanhosa ou num caminho.


Visitei uma das casas, fui muito bem recebida, foi-me ofertado chá de menta que aceitei, visitei várias divisões com o chão coberto por tapetes artesanais, decoradas com artefactos característicos da região, mas fiquei convicta que estava a ver uma “montagem”. À saída como é da tradição do local, deixei alguns dinares num pequeno recipiente colocado estrategicamente em local previamente estabelecido.
Sobre a porta de entrada do pequeno túnel que conduzi ao pátio circular observei gravada a “Mão de Fátima”.
No local o que me atraiu mais foi o ter pernoitado num hotel troglodita.
Seguindo por uma estrada, onde de construções nada se via, de repente, descendo por um desvio de terra batida eis-me em frente da entrada de um hotel. Construído nos mesmos moldes da casa troglodita que descrevi, mas em proporções muito superiores e muito mais sofisticado. Os quartos davam todos para um pátio central mas tinham, felizmente, portas e casa de banho.
Foi a casa de banho que permitiu que eu conseguisse dormir…
A amiga com quem partilhei o quarto apossou-se da cama, eu não me quis aborrecer, podia ter-se tirado à sorte, mas enfim…
A minha cama era escavada na parede, ao longo da parede, não em profundidade, parecia que estava num jazigo, embora um jazigo seja possivelmente mais confortável. O buraco na parede era um arco circular, eu colocava os pés numa extremidade do arco e deitada podia caminhar pelo arco até onde o meu corpo permitia a dobragem, consegui chegar com os pés quase à cabeça. Um local excelente para me “ginasticar”, se estivesse disposta a isso. Pouca ou nenhuma iluminação existia, o quarto mantinha-se praticamente na escuridão, só havia luz na casa de banho… dormi toda a noite (ou quase) com a luz da dita acesa e a porta aberta.
Não sofro de claustrofobia, ou será que sim? Na verdade senti-me enterrada viva.
Neste mesmo hotel, na zona da piscina, essa sim ao ar livre, tive um dos meus MOMENTOS MÁGICOS mas este é para ser relatado noutra altura.

PS:
1-É ao registar estas notas que lamento ser tão má fotógrafa, numa fotografia veriam como de aspecto, o “catre” onde mal dormi,até era divertido.
2-A “Mão de Fátima” pode vir a dar um post

domingo, 28 de março de 2010

DIVAGAÇÃO

Não me tinha apercebido como o sol me estava a fazer falta!
Nestes dois últimos dias senti-me rejuvenescer e então hoje senti uma paz profunda…
Fui até Lisboa por motivos que dizem respeito à verificação da correspondência que lá vai parar! Tinha muita e entre esta muita, muita mesmo para a reciclagem…
Pelo caminho consegui observar como as plantinhas do campo são espertas, mesmo com o asfalto, elas conseguem nascer nas fissuras das bermas. Os campos estão plenos de amarelo...
O céu estava lindo! O sol mais alto no horizonte, ofertou-me a sua energia!
Continua a construir-se sem o mínimo cuidado em não provocar poluição visual, observei autênticos caixotes e neles procurei descortinar a vida de quem os habita.
As memórias e as ideias surgiram-me em golfadas e por causa desses edifícios enormes, sem os conseguir definir, saltei num pulo leve, como que levada pelo vento para:
LA CASA
de Vinicius de Moraes / Bardotti / Sérgio Endrigo
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos
Número zero

Será que seria bom ter-se uma casa assim?
Hoje sinto-me feliz e livre….


Nota:
1-Tenho selinhos para publicar, peço desculpa a quem mos atribuiu, prometo que não os vou esquecer.
2-Nos comentários ao post A CAMELÓRIA, pediram-me para falar nas Casas Trogloditas, vou fazê-lo mas ainda não tive tempo de elaborar o texto que tem que ser cuidado, para que possam “ver” o que os meus olhos viram e “sentirem” o que o meu coração sentiu.

sábado, 27 de março de 2010

DESABAFO

Último dia de uma semana de sobressaltos, que terminou com uma decisão, que andava a protelar quase há um ano.
Hoje o DOÇURAS OU DIABRURAS vai de fim-de-semana. Também merece!

EU estarei deste lado do ecrã e todos vós que me lêem, comentam e acarinham desse outro. Separa-nos um véu, o véu da virtualidade que, tantas vezes e por bem, se rompe.
Sou CARNE e ALMA! Sou FOGO! Sou ÁGUA! Sou TERRA! Sou AR! E sou… AMOR!
Tive a coragem de dizer BASTA! BASTA a quem teima em tentar sugar-me a ALMA! BASTA a quem não aprendeu o significado da palavra RESPEITO! BASTA a quem vive uma MENTIRA!
É uma ATITUDE minha que me causa SOFRIMENTO, não o posso negar, mas cansei-me de ESPERAR, esperar por uma PROVA, um SINAL…
Quando somos concebidos somos condenados à MORTE. Porque não matarmos ATITUDES, COMPORTAMENTOS, AFECTOS, …? É DOLOROSO? É sim! Vai doer durante uns tempos? Não o vou negar! Mas a MORTE de quem amamos deve doer muito mais! E EU já A senti e sinto, em todos os poros do meu CORPO, em todos os recantos da minha ALMA.
Estou SERENA e ORGULHOSA de mim!

QUERO…
Quero poder respirar
E o mundo abraçar!
RIR sem temor,
plena de AMOR!
Comungar IDEIAS!
FALAR sem MEDOS!
QUEBRAR CADEIAS!
NAVEGAR com CALMA,
por entre os dedos
das marés da ALMA!
Maria Teresa
**********

UM BOM FIM-DE-SEMANA PARA TODOS, DESEJO FORMULADO COM O CORAÇÃO.

Nota:
1-O meu desabafo refere-se a uma parte da minha existência, da minha vida, da qual pouco ou nada falei aqui. Mas irei falar!
2-Aos comentários do post A CAMELÓRIA, peço desculpa por não ter respondido um a um como é hábito, estava em fase de “GRANDES TOMADAS DE POSIÇÃO” e a cabeça encontrava-se em situação de disfunção (ela nem sempre funciona bem, mas…:):):) ).
3-Como estamos em fase de contenção de despesas, já comecei a tirar o papel de embrulho aos meus beijinhos, por isso não se admirem por eles aparecerem “sem papel”, é menos higiénico, mas são mais saborosos, como um de vós disse.
4- Sinto-me segura aqui, a escrever os meus lamentos e saber que há quem os leia e me compreenda…

quinta-feira, 25 de março de 2010

A CAMELÓRIA

Ontem à noite um amigo meu, que se apercebeu que eu tenho estado com uma valentíssima constipação, o que me impediu de viajar esta semana, como estava planeado, escreveu no mail que me enviou: (…) estiveste a tanguear-me e eu a julgar-te na Oura – camelório!
Ele é uma pessoa divertida, nem sempre, que gosta de usar palavras "diferentes".
Esta última palavra fez-me lembrar a minha viagem à Tunísia, onde me “baptizei” num passeio de camelo, será que fui uma camelória?
Mas tal como o camelo que caminha muito devagar, eu vou fazer o mesmo "no contar” desta “aventura”.
Não vou descrever a Tunísia, nessa situação transcreveria um dossier inteiro, mas apenas o que senti perante o que visitei e observei, numa síntese muito “sintetizada”.
As cores: os verdes dos oásis, os azuis das portas e janelas principalmente em Sidi Bou Said, onde se bebe um chá de menta com pinhões de agradecer aos céus, a cor ocre dos edifícios (característica de outros países do norte de Àfrica) e a cor dourada do sol e da areia das dunas.
Dunas, deserto! Dei um passeio pelo deserto montada num camelo, inserida num grupo de umas dez pessoas.
Estava na Tunísia acompanhada por uma amiga e duas conhecidas, todas ficaram bravas comigo por eu me ter “aventurado”. “Parvas”, nem sabem o que perderam!
Para se iniciar a viagem temos que nos “mascarar” como a figura documenta, óculos escuros, cabeça e corpo muito bem cobertos.
Não consigo descrever a emoção que senti ao “caminhar” sobre dunas, subir e descer, deixar de ver gentes e as suas marcas, avançar para um lugar desconhecido até uma casamata, visitar um oásis sentir uma brisa quente mas perfumada com o cheiro de jasmim…Ser apelidada de gazela, termo que considerei muito carinhoso, embora fosse contestada pelas três “parvas”, quando lhes contei.
Vi uma miragem e só soube que o era, porque acreditei no guia que nos disse que “ali” não havia povoado nenhum.
Depois da viagem de camelo, depois de ser camelória (lá porque cá, muitas vezes sinto-me “camela”, com os barretes que me enfiam), vi muitas outras “belezas”.
À noite o céu do deserto é diferente do céu que estamos habituados a ver, é negro mas muito estrelado…
Num dos oásis encontrei vários tuaregues homens lindos, altos e esguios, de pele morena (clara em relação aos outros povos africanos), rosto de traços bem definidos, como que esculpidos, olhos e cabelos muito negros, estes últimos sem serem frisados.
Eu e as que deixaram de ser “parvas”, alugámos um jeep com condutor e fomos, até ao local desértico, penso que em Matmata, onde foi filmado parte do filme “A Guerra das Estrelas”.
Gostaria de falar nas casas trogloditas, nas romãs, nas tâmaras, na hospitalidade, na gentileza, nos pintores de rua, na sua História que faz parte da nossa, nas fortalezas ancestrais feitas de pedra e areia, num dos hotéis onde pernoitei construído debaixo de terra, no comércio, nos cheiros, nos sabores, … mas o espaço e o tempo escasseiam.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CHAPELEIRA

Quem é que ainda se lembra de UM CHAPÉU?
Na freguesia a que pertence o meu Refúgio, a escola pública frequentada pela Nádia (a menina que achou que eu ia linda) e pelo meu neto, comemora durante esta semana, a chegada da Primavera, nestas comemorações está incluído um Desfile da Primavera.
Foi pedido aos pais que criassem chapéus para as crianças usarem, à partida não deviam ser chapéus comprados feitos, ou melhor, chapéus comprados já enfeitados.
Por portas e travessas o chapéu para a Nádia usar nesse desfile, veio parar às minhas mãos com o pedido para ser eu a “criá-lo”. Para poder cumprir a missão para a qual fui incumbida, foi-me entregue um chapéu de palhinha, com uma fita vermelha, que tinha impressa a palavra Portugal.
Depois de passar pelas minhas mãos, ficou com o aspecto da figura.

Que tal? Acham que posso iniciar uma nova profissão, a de modista de chapéus, ou melhor dizendo, a de chapeleira?

terça-feira, 23 de março de 2010

A ILHA DO SONHO

Na sequência da resposta que dei ao Carapau no comentário de Paxi e Antipaxi, falei na Irlanda. Deitei-me a pensar nela, no que senti quando a visitei e no que registei de um sonho que tive, “vivido” lá, num passado não muito longínquo.
Talvez por isso, senti necessidade de falar hoje neste país.

Como gostei da Irlanda! Passear pelas suas veredas bordejadas por “brincos de princesa” campestres, sentir na nuca o sopro de duendes travessos que nos espreitam através dos arbustos e por detrás das frondosas árvores que se encontram pelos campos, escutar o bater das asas diáfanas das fadas, visíveis nas borboletas coloridas que pousam de flor em flor. Encontrar no ar que se respira, o espírito dos Celtas que a habitaram. E os rebanhos ovinos à solta pelos prados, com marcas coloridas para os criadores os saberem distinguir?
O seu povo! Um povo muito acolhedor, grato e não esquecido, que constantemente recorda o modo como no passado, quando ao fugirem da fome, no século XIX, chegaram à América e foram tão bem acolhidos. Não existem muitos vestígios “físicos” da sua História, os “invasores” da ilha deixaram-na ao longo dos tempos a “ferro e fogo”, a Inglaterra abandonou-os…

A visita à parte sul desta ilha, fez-me acordar do marasmo duma vida calma, fez-me voltar a sonhar com o amor, sem idealizar a sua forma física.
Sonhei com um homem que me colocaria um braço sobre os ombros e a quem eu abraçaria pela cintura, à beira das escarpas da zona ocidental, observando ao longe, mas simultaneamente tão perto, as Ilhas de Basket, numa comunhão de pensamentos imaginando os seus habitantes isolados, durante meses a fio, duma terra que estava à vista. A necessidade que sentiriam em libertar a alma e o recorrerem ao registo escrito dos seus afazeres, dos seus pensamentos, das suas emoções. Ouvindo as suas vozes libertando poemas e os seus corações palpitantes de amor.
Noutro local do mesmo país, em Dublin, passearíamos de mãos dadas, ouviríamos a história de Molly Malone, apreciaríamos a sua figura representada em bronze, mulher pequena, atrevida e bela e deliciar-nos-íamos com a canção, quase hino nacional, que lhe foi dedicada. À noite, antes de recolhermos à alcova secreta que nos aguardava para uma noite de amor terno e profundo, voluptuoso e eterno, visitaríamos um pub onde apreciaríamos uma guiness acre e fresca, que deslizaria pelas nossas gargantas sequiosas, pelos nossas bocas sedentas de beijos…

Há quem chame à Irlanda “o país das fadas” … como concordo com esta designação!
LETRA DA CANÇÃO
MOLLY MALONE

In Dublin´s fair city
where the girls are so pretty
I first set my eyes on sweet Molly Malone
She wheeled her wheel-barrow
through the streets broad and narrow
Crying Cockles and mussles alive alive oh

She was a fishmonger
and sure it was no wonder
For so were her father and mother before
And they both wheeled their barrow
through streets broad and narrow
Crying Cockles and mussles alive alive oh

She died of a favour
and sure no one could save her
And that was the end of sweet Molly Malone
And her ghost wheels her barrow
through streets broad and narrow
Crying Cockles and mussles alive alive oh

Alive, alive-o alive alive-o
Crying Cockles and mussles alive alive oh