quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

PREGUIÇA

Quando escrevi isto não sonhava que me ia servir deste acidente, para falar sobre a PREGUIÇA.
Pois foi, pois é, a fractura do meu pulso esquerdo, e o facto de ficar engessada até ao cotovelo, deram cabo do meu Verão, da minha ida à praia, dos meus passeios pelo campo, das minhas visitas a São Pedro de Sintra e a Sintra, daquilo que entendo que devo fazer. Vá lá, não estragou por pouco, nenhuma das minhas viagem porque estas, só as faço quando o grande bloom de viajantes termina. Não é por acaso que passo os meses de Julho e Agosto em “casa”. Para que me serviria a sorte de possuir um Refúgio entre a serra e o mar? Teve um lado bom, deu-me direito a um mês de PREGUIÇA.
De “armas e bagagens” mudei-me para casa da Ana Rita e fiz o que também gosto de fazer…, li, li muito, brinquei com as crianças, “aturei” os meus netos adoptivos, e qual dondoca bem apetrechada, frequentei com grandes mordomias a piscina dos meus compadres. Usei e abusei desta maquineta, que teclo apenas com o indicador direito, que até está a ficar gasto… e ouvia a família dizer:” Lá está ela no vício!”
Fui excelentemente tratada, os mais novos também ajudaram, até a pequenota de 4 anos me ajudava a vestir. Portaram-se melhor do que é costume. Era maravilhoso senti-los acordados à espera que eu os chamasse e era um prazer vê-los, o mais velho, mais comedido não o fazia, com o Freddy e o Ruka, saltarem para cima da minha cama e de mim. O Ruka mais atrevidote a querer lamber-me (Tela não leia ”odeio-o” as lambidelas … dos cães e dos gatos).
Foi um tempo de “estado de graça”, uma PREGUIÇA instalada e consentida. Dispensava o pulso partido, mas de outro modo não tinha “preguiçado” tanto.
A PREGUIÇA dá prazer? Claro que dá! Pelo menos a mim. Mas usar a Preguiça todos os dias cansa…
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E agora? Não posso fechar este post assim, sem mais nem menos, então cá vai, da autoria de duas cabeças pensadoras, para uma delas dar cumprimento a um trabalho sobre Fernando Pessoa, a partir de “Ai que prazer não cumprir um dever” do poema “Liberdade”, que muitos de vós certamente conhecem e que foi tão bem declamado por Ary dos Santos
Ai que prazer não cumprir um dever
Estar ao luar
E não estudar
Apenas pensar
Em namorar

Ai que prazer não cumprir um dever
Um filme ir ver
Comida não fazer
Um refresco beber
Numa tarde de lazer

Ai que prazer não cumprir um dever
Laborar não
Arranjar um gatão
Com um belo carrão
E gozar o Verão

Ai que prazer não cumprir um dever
Ir passear
A loiça não lavar
A roupa não passar
E o chão não encerrar

Ai que prazer não cumprir um dever
Não tratar da cadela
Ver a telenovela
Navegar à vela
Com o namorado à trela

Ai que prazer não cumprir um dever...


Não tenham preguiça em comentar!

É EXPRESSAMENTE PROIBIDO DIZER MAL DOS VERSOS ATÉ PORQUE, A PROFESSORA DE PORTUGUÊS, DISSE MUITO BEM DELES!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INVEJA

Durante esta época natalícia li em muitos cantinhos, as jovens senhoras falarem orgulhosamente nas suas compras: boinas, botas, casacos, brincos, colares, pregadeiras, … eu sei lá que mais! Uma panóplia de artigos para contemplar a vaidade feminina. E a exibirem-se em fotografias em que escondiam parte do rosto.
Eu, roída de INVEJA, quase roi as unhas até aos cotovelos, olhei para mim e falei com os meus botões que, por puro acaso, não existiam na roupa que trazia vestida, e afirmei convicta: “mas estou fantástica, estou mais do que na moda, estou avançada na moda!”
Pensando em vocês, pedi à minha fotógrafa privada, que se apossou há uns largos meses da minha máquina digital, para me tirar uma fotografia para sujeitar à vossa apreciação…

Passo a descrever-me para verem como estou na moda (digo eu) mas sou muito poupadinha (avareza?). Da cabeça para os pés que até ficaram cortados, mas que garanto, tenho pés.
A boina foi comprada no Harrods. Sim! Em Londres, no ano da graça de 1991. O anel do dedo mindinho foi comprado em Creta em Setembro de 2009, a camisola branca é da Redoute e foi adquirida em 2007, o casaco é da Marcks & Spencer e foi comprada, há não sei quanto tempo, na Avenida que vai dar à Praça de Londres, vinda do lado da Alameda, em Lisboa, a pregadeira é artesanal e caseira, a saia de ganga já fez pelo menos três anos e as botas essas são quase recém-nascidas, comprei-as em Albufeira no início deste mês de Dezembro, são de salto raso à boa maneira de uma aldeã por opção.
Acham que tenho razões para sentir INVEJA?

Agora verifico que esta INVEJA se transformou em VAIDADE! Assim não vale! Estou a fazer batota e a desviar-me dos meus propósitos.
Então vou tentar ver a minha INVEJA por outro prisma.
Vejamos! Tenho “inveja” de outras coisas, não vou citar nomes mas tenho como “mira” alguns de vós!
“Invejo” : a vossa capacidade criativa, o vosso humor malandreco, o vosso humor satírico, o vosso humor crítico, a vossa alma poética, a vossa arte fotográfica, o vosso amor cúmplice, o vosso amor casado com a paixão, o vosso amor sereno, a vossa ingenuidade, a vossa ternura, a vossa tenacidade, a vossa dádiva na “exposição”, a vossa alegria de viver, …
Enfim! Parece que não INVEJO ninguém, ADMIRO-VOS!
Que chatice! Eu quero pecar! Será que não sou nada INVEJOSA?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GULA

O que a GULA pode fazer a uma pacata mãe de família muito bem comportada, um exemplo que todos deviam seguir (não acreditem muito nisto, sou eu a armar em boa), EU!
Ora ouçam atentamente! Uma grande, enorme amiga de infância, da qual presentemente ouço apenas o silêncio da sua ausência, gostava muito de “receber em casa”, era uma pessoa muito divertida, que adorava pregar partidas, para seu próprio gozo. Num dia em que dava um desses jantares em que eu, como de costume, brincava com ela às cozinheiras, ela avisa-me que a partida desse dia já estava a postos e disse-me o que era, sem especificar muito bem.

Tanto quanto me lembro, o jantar correu maravilhosamente e o convívio foi óptimo.
Finalmente, depois de todos os convidados se terem despedido, com os agradecimentos habituais, as promessas de retribuição e os elogios do costume (bem merecidos, devo acentuar), eu fiquei para ajudar a dar um jeitinho na “arrumação” da contenda comensal e pergunto-lhe: “então quantos provaram a comida do Phebinhos?” O Phebus era o cachorro dela como já devem ter deduzido. “Comeram tudo disse-me ela!” Rimo-nos perdidamente! Voltei a perguntar-lhe: “ E o que foi que puseste?” “Uns biscoitos de chocolate, na mesa dos doces!” Guinchei a rir! Os nossos maridos e ela, pensavam que eu tinha enlouquecido, não percebiam onde estava, nessa afirmação, a graça… Muito custo, pois a vontade de rir era imensa, os meus interlocutores já riam também, sem saberem bem porquê, lá fui explicando…

Vocês já descobriram? Acredito que sim! Eu devo ter sido a “convidada” que comi mais biscoitos de chocolate para cão naquela noite.

Isto é GULA ou não? Devo dizer-vos que há cães com muita sorte! Os biscoitos eram deliciosos!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

VAIDADE

Já todos ouvimos falar nos 7 pecados mortais: Inveja, Ira, Vaidade, Preguiça, Gula, Avareza e Luxúria , eles fazem parte do nosso quotidiano. Estão directamente relacionados com as nossas pequenas fraquezas, com os nossos “dramas” e, também com o nosso humor, acredito que muitos de vós não os cometeram, eu já cometi alguns, com pouca gravidade é certo.
Vou dar-vos a oportunidade de me julgarem…


Nunca gostei de casacos ou outras peças de vestuário providas de capuz mas fui tentada, já há alguns anos, pelo casaco das fotos. É uma peça de vestuário que se pode vestir dos dois lados, a parte negra é impermeável, a outra é de pele sintética.
Quando o vestia, com a parte negra para fora, fi-lo sempre sem puxar o capuz para a cabeça, sempre me serviu como sobre-capa até que um dia…
Ia ao cabeleireiro e como o cabelo estava por arranjar, decidi colocar o capuz, em frente ao espelho. Coloquei-o de uma maneira que considerei chiquíssima, senti-me maravilhosa porque este não ficou agarrado à cara, ficou solto, senti-me como uma dama dos finais do século XIX, romântica, lânguida, sensual, desejada, …

Assim equipada ( bem “armadilhada”), saí de casa e caminhei imponente a pé e opada de VAIDADE, até ao meu destino…encontrei pessoas conhecidas pelo caminho, caminho esse que é uma avenida e uma estrada de cidade, com as quais fui trocando uns tantos ou quantos cumprimentos, uns tantos ou quantos “agradinhos”, entre os quais: “que casaco maravilhoso!” Tive a sensação que estava a fazer “furor” e estava!
Chegada ao cabeleireiro e despido que foi o casaco, com a ajuda da recepcionista, eis que se detecta, que ia etiquetada… na base do capuz ainda estava pendurada a etiqueta ENORME identificativa do produto e respectivo preço… lá se foi a minha imodéstia por água abaixo…
Ri-me perdidamente e imaginei-me no lugar dos passantes que me viram de costas, e do que deviam ter pensado e até comentado, o que eu comentaria no lugar deles…
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E ao descrever esta cena, recordo de Nicolau Tolentino (1740/1811) o soneto que decorei em
adolescente:

O colchão dentro do toucado

“Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena,
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali, ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz co'a doce voz que o ar serena:
"Sumiu-lhe o colchão, é forte pena;
Olhe não lhe fique a casa arruinada."

"Tu respondes-me assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?" E dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado;
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.”

É espantoso como este soneto se pode transportar para a actualidade…a crítica a tudo o que é secundário, a critica feita de um modo satírico à VAIDADE…
A VAIDADE é enganadora e efémera… E eu snif, snif, estou a fingir que estou a chorar, cometi (continuo a cometer), um terrível pecado a… VAIDADE

domingo, 27 de dezembro de 2009

BARAFUNDA

Vão desculpar-me tenho a certeza! Na minha cabeça vai uma barafunda de bradar aos céus! Alguns neurónios fundiram e neste momento os miminhos estão todos engarrafados. Não publiquei logo na altura em que os recebi, porque lhes queria dar algum realce e estava com pouco tempo para tal… Por isso vou fazer algo de diferente e como estamos numa época de tolerância, os visados vão ser tolerantes e vão-me ajudar a sair deste engarrafamento neurónico. Lembrem-se: é para o bem da minha saúde mental!
Da C*inderela, da Anira, da Chapéu Amarelo e de ????
Recebi os selos que a seguir publico, com a vaga sensação de que me esqueci de um...
Alguns bisados, etc…..




Mas não vou fugir aos desafios, sou lá mulher para isso, mesmo no meio desta "barafunda" toda, ainda penso muito bem, às vezes!.

Desafios
1-Parecer sobre: “este blogue é o mais fofinho de todos!”, não concordo muito, há outros blogues bem mais fofinhos, de repente lembrei-me do da Buxexinhas
2-O que você deseja neste Natal? Aqui “a porca torce o rabo”, parece-me que “não sei como descalçar as botas”. Posso escrever sobre o que desejo para mim, para a família, para os amigos com ou sem rosto, para o país, para a sociedade, para toda a humanidade, …
E assim vou deixar palavras do Poeta, cada um de vós pode interpretá-las de acordo com o vosso sentir

NATAL

O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas de perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa


3- “O teu blogue é fabuloso”. Será? Na minha opinião e eu não sou muito modesta, não me aparece assim muito, tem algumas qualidades mas…Vocês que me lêem e que me comentam é que podem opinar e com honestidade.
Que prendas recebi neste Natal?
Cá vai a lista:
-Uma pulseira Pandora, para completar mas, já com os seguintes berloques: duas crianças (imperativo ser), um buda, a letra T, uma bolina azul com estrelinhas e outra vermelha com uns símbolos que não sei o que representam
- Um alfinete para colocar numa lapela ou numa boina
-Uma decoração para a parede do meu quarto aqui do Refúgio, muito bonita, engraçada e original, elaborada pela Ana Rita (vão lá ver que a malandra publicou a fotografia hoje)
- Um livro “No Coração de África” de William Boyd
- Uma caixa com “queimador” , essência perfumada líquida, suporte para incensos e velas
-Umas meias daquelas que têm protecção para as usarmos sem calçado
- Uma faca para manteiga e uma rolha de garrafa, ambas com o Pai Natal a decorar
-Uma flor que é um relógio de pulso, tem que se abrir as pétalas para se verem as horas
-Uma caixa de Ferrero Rocher (mas isto foi “maldade”, os chocolates são a minha perdição)
-Um cestinho para pão com um pano bordado a ponto Richelieu, feito pela minha madrinha, senhora de 83 anos que borda com uma perfeição que eu nunca atingi.
-Um serão depois do jantar da Consoada que durou até às 4 horas da manhã (serão virtual mas fantástico)
E o mais importante de tudo o AMOR e o CARINHO que muitos me expressaram de diferentes maneiras e formas,… deixo isso à vossa imaginação.
4- “Seu blogue faz-me viajar”. Os vossos fazem-me, se fazem! O meu, desejo muito que sim!
Três livros que me marcaram:
Vou dizer de repente:
“O Pavilhão dos Cancerosos” de Aleksandr Solzhenitsyn
“As Sandálias do Pescador” de Morris West
“Filhos de Torremolinos” de James Michener
Já não retiro, há mais, muitos mais e com mais “influência” do que os citados mas o que está, está!

E agora meus queridos a “mesa” está posta. Sirvam-se que eu agradeço, levem a “comida” que quiserem, distribuam-na, divirtam-se com os desafios e sejam crianças e felizes mesmo apenas por breves instantes, tal como eu fui enquanto elaborei este post, que não foi tão breve assim, em vários sentidos

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Devo explicar que tenho alguns textos feitos com alguma antecedência, quando me apetece escrever faço-o, sem ser por “encomenda”, são os intemporais… Outros textos lembro-me na altura em que penso postar, “saem-me”nesse momento, logo são criados na data em que são publicados. Tenho muito “material” por isso posso postar (detesto esta palavra), quase todos os dias, o mesmo não acontece em relação aos miminhos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

DOÇURA OU DIABRURA XIV

Fim-de-semana prolongado! Mas a doçura ou diabrura não pode faltar...
Continuamos na fase da doçura.
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"Ora bem, acho que devemos devolver as cartas que escrevemos um ao outro, " disse ele. "Certo", respondeu ela, mas deixa-me perguntar-te se não deveremos devolver também todos os beijos que trocámos?".
Assim fizeram, após o que logo reataram o noivado.
Anónimo

Um exemplo que deve ser levado a sério...

BOM FIM-DE-SEMANA para todos!
Atenção ao piso molhado! Sejam condutores civilizados...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

PAI NATAL

As memórias sobre os Natais da minha infância estão desorganizadas. Lembro-me de na Noite da Consoada colocar um sapato na chaminé e no dia de Natal, acordar muito cedo e correr desenfreadamente até à cozinha e, entre os sapatos dos vários membros da família, procurar o meu, de agarrar sofregamente os embrulhos que perto dele se encontravam. Os presentes eram, neste tempo, supostamente dados pelo Menino Jesus.
Que idade tinha quando surgiu a figura do Pai Natal, não me lembro, nem sei porque apareceu a substituir o Menino Jesus, se contemporizou com ele… Sei que os versinhos que hoje publico, com a letra que tinha ao 10, 11 anos, foram “inventados” pela minha avó materna. Na noite de Natal ela “maltratava” as teclas do piano uma melopeia, que ainda conheço de ouvido, e nós as crianças da família cantávamos, eu muito desafinadamente, os versos escritos na folha da foto.

Faz hoje anos, não sei quantos, a memória trai-me, que conjuntamente com o meu irmão e primos cantámos pela primeira vez esta “canção”. Na nossa ingenuidade de crianças achávamo-la o máximo. Em anos seguintes a canção enriqueceu em versos, não sei se em qualidade… Não encontrei “vestígios” desse crescimento, nem me lembro dos versos, sei que cada um de nós era citado…

O "trás" está errado, devia ser traz, mas nenhum adulto me emendou, não devem ter visto, e esta folha, deve ter sido uma espécie de cábula.

Se clicarem sobre a foto lê-se bem o que está escrito