sexta-feira, 9 de novembro de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CVIII

Et voilá! Chegámos ao fim de semana, parte da qual, passei algures num recanto ribatejano. 
Depois conto! Agora vou deixar-vos com mais uma Doçura ou Diabrura.
Pintado por Salvador Dali


IDEIAS SOLTAS

canto ideias soltas
letras, poetas
de outro mar

conto sonho e desejo
simples razão de existir

grito paixão e sonho
Poetamor
rasgo de dor

bebo palavras loucas
cantos sentidos
no seu olhar

sinto  a livre vontade
pura liberdade de prosseguir

o céu vermelho rasgado
quero sempre
sempre seguir


Maria da Silva Cardoso ( in Poiesis, vol xv, Editorial Minerva)



A todos desejo um fim de semana repleto de sonhos a realizar e um ótimo dia de São Martinho, mas sem excessos!
Convosco ficam os meus beijinhos embrulhados, desta vez, com um cheirinho a castanhas assadas  e porque não? A água pé ou a jeropiga (escolham, eu prefiro a primeira)!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FERRADURAS

Na esplanada de um dos cafés da "minha" aldeia


Maria: A minha afilhada vai abrir uma nova loja, quando abriu a primeira dei-lhe uma ferradura, parece que lhe deu sorte. Na inauguração desta, gostava de lhe dar outra, mas não sei onde a arranjar.

Eu: Tenho uma, há séculos, na bagageira do meu “velhote”. Ofereço-lha de boa vontade!


Assim fiz! Mas passados uns dias fiquei zangada, arrependida, por ter dado a ferradura, ela habitava o meu Peugeot há mais de 20 anos, fazia parte integrante dele, passou tanto tempo que já nem me lembro como lá foi parar.

Passei dias a pensar na ferradura "perdida", de tal modo que, quando fui  à escola de equitação queixei-me à minha treinadora:
Estou muito zangada comigo, dei uma ferradura que tinha há anos a uma pessoa que mal conheço e agora ando louca por ter outra. Onde é que vocês as arranjam?
Não é porque acredite no seu significado mas porque... 
Contei-lhe a história!



Parte do material roubado
A treinadora: uma ferradura para dar sorte tem que ser roubada ou achada, perto das casas de banho há imensas já velhas e enferrujadas.


Com esta dica, entrei num enorme gamanço, não fanei uma, nem duas, nem
 três, fanei um monte delas. Tenho andado a recuperá-las para que amigas minhas as “achem”. Tenho que inventar um processo para que tal aconteça.






A primeira que recuperei, ofereci-a à treinadora, representa o Bonito, o cavalo que tem aguentado comigo, acrescentei-lhe como não podia deixar de ser uma namorada ruiva de olhos verdes e outros pormenores que podem apreciar.
O Bonito e a Namorada















Ainda estou muito no princípio mas aqui deixo as fotografias das que já estão prontas.










A Esmeralda (vai para uma amiga que adora cavalos pretos)





Reciclar é actualmente o meu grito de guerra na bricolage!




Nota: Sou uma nódoa a montar post com várias fotografias, este ficou uma enorme porcaria!

domingo, 4 de novembro de 2012

TRALHA

Há poucos dias, um Poeta que por aqui passa e deixa sempre uma pegada, escreveu no seu espaço, um pequeno poema delicioso, com trocadilhos apropriados ao contexto poético. Embora a vontade seja muita, como não lhe pedi licença, não o transcrevo, nele está associada a palavra tralha a uma “criança travessa”. Percebi a analogia, mas decidi brincar no comentário que lhe fiz dizendo que uma criança não é tralha mesmo que seja travessa e interroguei: Como é que a mesma língua pode ter significados tão diferentes?

É interessante como uma palavra que se usava pouco nos passa a surgir no léxico diário.
No dia seguinte encontrei tralha, uma verdadeira e real tralha, debaixo do telheiro onde abrigo o meu bólide, há montanhas de anos. O telheiro não é propriamente propriedade minha, é-me emprestado.
Durante a noite um amável (ou uma) vizinho, tinha decorado metade do meu espaço, como se pode ver na fotografia, com uma série de artefactos em muito mau estado de conservação, nojentos e de um modo muito desorganizado, ao menos que fosse tralha arrumadinha.
Infelizmente, em muitos locais, há sempre uma ovelha negra que age no escondidinho da noite e tem este tipo de ações muito pouco civilizadas.

Querido Poeta, mesmo gostando muito do seu poema, afirmo: isto é que é TRALHA! 

sábado, 3 de novembro de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CVII

Num fim de tarde, de um dia da semana que passou, estive em amena cavaqueira com a minha neta de 7 anos, dizia-me ela: "(...) e no sábado fui a uma festa, estava lá o Gonçalo, o meu ex-namorado (...)"
E esta hein? Será uma DOÇURA? Como avó confesso que fiquei totalmente entupida!

Fotografia da autoria de João Candeias, um jovem amigo
AMOR E ÓDIO
Odeio-te!
Como te poderei odiar
Se te amo tanto?!
Odeio-te,
Tu és o sol que se oculta nas nuvens da indiferença
E que provoca todo este dilúvio de sentimentos
Que me fatiga e enlouquece

Odeio-te!
Tu eras o sonho que se deitava comigo,
Eras  luz da esperança
Que entrava pelas janelas abertas da minha alma
Todas as manhãs.

Odeio-te
Eras o sonho estéril e maldito
As marés encrespadas, o naufrágio,
Do meu pobre barquito.
Odeio-te!
De tanto te amar...
Conceição Bernardino (in, Poiesis,vol.XV, Editorial Minerva)


PARA TODOS UM FIM DE SEMANA CHEIO DE AMOR E POUCA CHUVA!
ODEIEM-SE OU AMEM-SE, AMBOS OS SENTIMENTOS ANDAM DE MÃOS DADAS!
NÃO SE ESQUEÇAM DE COLHER OS BEIJINHOS EMBRULHADOS QUE DAQUI VOS ENVIO!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

RENOVAR

Durante o mês que terminou deu-me uma vontade imensa de fazer remodelações, renovar, renovar, renovar,…era a palavra que insistia em bater, com alguma delicadeza, na minha cabeça. Não renovar o corpo físico que esse é meu, é único, é o original, vou-o tratando bem, mas nada de alterações como hoje está tão na moda. Queria arejar os espaços físicos para que o interior da minha louca mente, dos meus negros pensamentos, também aproveitasse.
Comecei pelo sótão e pela arrecadação, os sítios menos improváveis para tal efeito pensarão alguns.
Vista "panorâmica" da janela do meu sótão
Na arrecadação espero só entrar e sair, no sótão vou permanecendo, qual “(A)Princesinha” (lembram-se dos contos da condessa de Ségur, da coleção azul) fechada no sótão do colégio por ter passado ao estatuto de pobre.
Neste local, que ficou tão convidativo que até os meus netos querem vir para cá fazer os trabalhos de casa, tenho-me reencontrado com os meus sonhos, com a tranquilidade desejada, com o ar leve que precisava de respirar, …
Aqui estou a recomeçar a concentrar-me nas minhas leituras que tão bem me fazem, sinto-me longe dos problemas que grassam lá fora, oiço o ladrar dos cães, o chilrear dos pássaros que andam muito baralhados com o clima ameno impróprio desta época. Neste preciso momento, oiço vozes de mulheres falando mas não consigo, nem quero entender o que dizem, prefiro tentar adivinhar e imaginar uma história,… devanear.
Olhando pela pequena janela vejo um espaço, espaço me deixa apreciar uma zona campestre, salpicada por pequenas casas, cortada ao fundo, na linha do horizonte, por uma serra.
Estou revivendo! Estou tranquila! Hoje sou ÁGUA!

Deixo-vos espreitar uma parte dessa minha vista rural, apenas um pequenino ângulo!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CONFISSÃO

Confesso:
- a crise que atravessamos preocupa-me muito
- a falta de civismo põe-me histérica
- a hipocrisia dá-me vontade de “estrangular” meio mundo
- a mentira entristece-me
- a desumanização considero um crime
- o modo como a jovem geração está a ser educada confunde-me
(…)

Paranóia de Salvador Dali 

Com esta pequena confissão quero dizer que estes são assuntos que não quero “discutir” aqui neste espaço, são temas que não me são indiferentes, neles intervenho, com bastante frequência, mas com interlocutores a que possa ver os olhos (creio que quem me lê me compreende).
Durante anos debrucei-me num estudo aprofundado sobre as Ciências do Comportamento e sou uma mulher de Ciências, também não quero falar de assuntos aprofundados sobre Física Quântica, sobre Geometria Euclidiana, sobre a cisão ou a fusão dos átomos, nem em nada que seja afim.
 Aqui gosto de falar dos meus afetos, do meu dia-a-dia, dos meus desgostos e principalmente das minhas alegrias, o que não me impede de aflorar os assuntos que acabei de “renegar” .
“Posto isto e os factos” e continuando numa de confissão, assumo que atualmente, eu que era uma devoradora de livros (não os comia com faca e garfo, não suspendam a respiração) tenho lido muito pouco, não porque me falte material, mas porque ainda tenho alguma dificuldade em concentrar-me na leitura.
Passei por um período muito doloroso, uma fase que se está diluindo no tempo. Para que tal continue a acontecer, e esse estado de espírito fique totalmente arrumado, tenho ocupado grande parte do meu tempo na produção de objetos que vou recuperando de outros que estavam a meio caminho da lixeira mais próxima. As “fugas” que fazia sozinha estão em suspenso, falta-me força anímica!
Continuo a usufruir de alguma futilidade, vou à massagista, frequento uma escola de equitação, tenho uma professora de educação física que vem a casa, trato do meu físico,…sou vaidosa!
Não quero perder o meu lado humano de pessoa que gosta de pessoas, de animais, de plantas, de livros,… nem o meu lado de romântica incurável que vê no AMOR uma panaceia para todos os males!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CVI

Claude Monet (1840-1926)

Semana estranha de encontros e desencontros. No entanto passou a uma velocidade mach 1, não me desconjuntei (caso contrário não estava agora a teclar) e aqui estou para vos oferecer mais uma DOÇURA OU DIABRURA.

A cidade estava coberta de neve, as carruagens passavam na larga avenida a um ritmo lento. Tinham encontro marcado na casa de chá onde se tinham conhecido. Na penumbra do silêncio ele sentiu-a chegar, no ar espalhava-se um suave perfume, o perfume dela. Não a vi-a há uma eternidade, embora na tarde anterior tivessem estado juntos…
Levantou-se para a receber, nos seus braços estendidos ela aninhou-se num abraço terno, beijaram-se, … prenúncio de uma vida a dois.
A neve derreteu, o sol brilhou na larga avenida e a cidade ficou mais bonita! 
Maria Teresa

Que este fim de semana seja: sem neve, sem muita chuva mas com o coração a escaldar e bem preenchido!
Beijinhos embrulhados para todos! 

P.S. Os meus livros de poesia estão em Lisboa, o material de onde costumo retirar a Doçura ou Diabrura. Desculpem terem que aturar as divagações pelo meu imaginário romântico muito soft, como convém a um blogue para todas as idades.