sábado, 6 de agosto de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXXIII

Todos os dias desta semana que já foi, quando acordo neste local onde me encontro, tenho uma surpresa proporcionada pela presença de chuva, sol, neblina, vento forte,…
O mês de Agosto não tem sido pródigo em contemplar-me com a presença, sem biombos, sem tabiques, do astro-rei de que tanto gosto e que é uma das fontes do meu rejuvenescimento.
As DOÇURAS OU DIABRURAS não se podem ressentir de tal, por isso…hei-las




Tela de Nicoletta Tomas (2000)




dois séculos de amor

pouco a pouco
passo a passo
gesto a gesto
vou-me aproximando
de ti
pagando sempre
a envolvência da última despedida
como um místico profeta
que ninguém acredita
e ouve
mas que importa
se o Sol renasce
todas as manhãs
na íris dourada da flor
e um devaneio teu
regorjeado na silábica solidão
do entardecer da lágrima
desce pela tua face
todas as manhãs
à mesma hora
deslizando em pó de ciúme
suave, lenta, lentamente
pelo Tejo
na direcção de um ventre imaginário
Miguel Barbosa, in A Eternidade de um Segundo de Amor (Hugins Editores, Lda)


E COM OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS VAI O MEU DESEJO DE QUE TODOS TENHAM UM FIM DE SEMANA DE SONHO!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SOU...

Sentei-me ao computador desejosa de falar convosco, as emoções que emanam do meu cérebro e que querem obrigar o meu indicador direito a registar o que sinto entraram em conflito.


Vou apaziguar essa “guerra” … serenamente, buscando no meu imaginário, desejo comparar-me com outro ser vivo que não seja humano.





Voltando ao início, com a intenção declarada de controlar o que gostava de dizer , mas não "devo" e o dedo, assumo com solenidade: sou uma AVE! Mas...que ave?


Várias!


Sou um pardal que saltita de ramo em ramo, feliz por conseguir voar…


Sou um canário com uma vontade imensa de cantar…


Sou uma arara exibindo a beleza das cores das minhas penas…


Sou uma andorinha que por muito que se afaste de casa, volta sempre ao ninho…


(…)


Sou um pássaro de fogo como o da canção da Paula Fernandes…

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXXII

Há dois meses que não escrevia nada sob este título! Interrogo-me: como foi possível? Adoro poesia, adoro “doçuras” e “diabruras”, adoro desejar um fantástico fim de semana a todos, ficando “a torcer” para seja mesmo bom!
Vou começar a remedear essa situação, sem mais demoras, cá vai!



Óleo de José Santos Aguilar


PESO LEVE

A leveza do que é pesado.
Uma melodia simples.
Um embalar de corações.
Esse peso que trazes,
Peso que me faz sentir tão leve.
Peso suave,
Vem!
Traz esse teu peso!
Sinto-me a flutuar.
Eleva-me com essa dificuldade
De te elevares.
Danço a dança que me desvanece,
Caio no chão de tanto te venerar.
Vem!
Amarra-me com esse teu amargo e rude peso
Quero-me levantar.
Tua beleza é como um divino altar,
Frio e gelado.
Derretes meu medo de amar.
És pesado grotesco.
Traz-me teu peso.
Quero flutuar.
Patrícia Lourenço, in Intemporal (Editorial Minerva)

UM FIM DE SEMANA FANTÁSTICO PARA TODOS NA COMPANHIA DOS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

terça-feira, 26 de julho de 2011

DANÇANDO COM OS AMIGOS

SAUDADE não é apenas uma palavra que soa bem, é um sentimento que nos invade, que nos põe nostálgicos, que nos faz pensar com muita força em pessoas, afectos, locais, acontecimentos, … Tenho saudades do tempo em que usava assiduamente este cantinho, para escrevinhar o meu sentir, para responder aos vossos comentários e visitar-vos quase diariamente.


“Danço” convosco quase todos os dias, interrogo-me sobre o que cada um de vós estará fazendo neste momento…mas a minha vida familiar tem estado tão preenchida nestes últimos tempos e o que escrevo é tão pessoal, tão íntimo, que não ouso, nem quero, nestes tempos mais próximos, partilhá-lha aqui.
Danço ao som de uma canção que só outro alguém ouve…sei que a seguir à “noite nasce o dia”, não temo a “noite”! Vivo intensamente as emoções que me fazem caminhar na VIDA! Sinto no ar um aroma diferente, quero, apetece-me, desejo, continuar a senti-lo mesmo que não conheça a sua fonte e que saiba que um dia posso deixar de o sentir…

sexta-feira, 17 de junho de 2011

VIVER A PRAIA

Há quase um ano registei o que sentia deste “jeito”.
Ontem verifiquei que muitas coisas mudaram. Fui pela primeira vez relembrar o prazer de “habitar” a minha praia, voltar a pisar a areia, sentir o sol a aquecer o meu corpo, observar o vai e vem das ondas, … com alguém que entrou inesperadamente na minha vida há três meses. O homem que neste momento me oferece o peito para repousar a minha cabeça cheia de sonhos, que me abraça com ternura, … não é o mesmo.


O homem da “minha praia” continua a viver no meu coração mas já não me pode abraçar…Relembro-o com amor e saudade, revejo-o nos filhos e netos que tivemos em comum, nada mudou em relação ao que sentia por ele, mas a minha vida tomou um rumo totalmente diferente.
“Vivo” a praia de outro modo.


Com aquele que hoje está ao meu lado, estive só na praia, sem crianças, embora elas existam nas nossas vidas que, durante muitos anos, foram totalmente vividas em mundos diferentes.
Desenhámos um coração muito diferente dos do passado, nele apenas ficaram gravadas duas iniciais esperando que fossem apagadas com a subida da maré.
O mar é o mesmo… estava tranquilo, nada zangado. Nele mergulhámos e brincámos como se tivéssemos renascido na idade dos nossos netos…Sonhámos em uníssono com as paragens longínquas que estão para lá da linha do horizonte…Observámos um veleiro e sentimo-nos transportados nele… "Programámos" viagens a realizar brevemente...

Como é bom ainda termos projectos de vida a dois na nossa idade…

segunda-feira, 6 de junho de 2011

PÉ ANTE PÉ...

O tempo vai-se escoando, mas esse escoamento passou a ser muito relativo, tenho os dias muito preenchidos, deliciosamente preenchidos… Caminho pé ante pé como uma criança, procurando não pisar vidros, nem espinhos.
Com uma sensação de liberdade e tranquilidade vou observando tudo o que me rodeia, as cores estão mais vivas, os espaços estão mais alar
gados, as pessoas estão mais simpáticas (devo estar delirando) e o pôr-do-sol é sempre diferente…








Um pôr-do-sol como tantos outros a que ultimamente tenho assistido mas que, para mim, têm sempre um sabor diferente. Este “aconteceu” na 6ªfeira, nas Azenhas do Mar e demorou poucos minutos.

O Sol! O pôr-do-sol! A noite chega e com ela muitas juras de amor vão ser sussurradas…podem ser eternas ou efémeras mas, ao acordar, tenho a certeza que vou novamente encontrá-lo e, espreguiçando-me, estou a dar-lhe os bons dias com um abraço…
Se a luz é símbolo de beleza, verdade, bondade, alegria, pureza, a sua fonte será o quê?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXXI

Os caminhos que nos últimos tempos tenho percorrido, guardam segredos e esses segredos têm-me conduzido a tesouros. Entre esses tesouros encontro a alegria, a ternura, a compreensão, a felicidade, a amizade, o amor,… e todos vós têm dado a vossa contribuição para essa riqueza


Quadro de Leonid Afremov

FELICIDADE
Não é posse
É dádiva

Não é o que se procura
É o que se oferece

É a sensação agradável de liberdade
É o prazer do pequeno e do grande
Do forte e do frágil

É sentir que tudo está do nosso lado
E que caminha ao nosso encontro

É sentimento
Do bem e do belo
E também de pequenos nadas

É saber dar e receber
É saber aceitar o espaço que nos está destinado
É saber colocar os sonhos na realidade.
Irondina Viegas (INTEMPORAL, Editorial Minerva)



QUE NESTE FIM DE SEMANA TODOS CAMINHEM MUITO...DEIXEM UMA JANELA ABERTA PARA QUE QUANDO A FELICIDADE ASSOMAR, CONSIGA ENTRAR... MESMO QUE SEJA APENAS POR BREVES INSTANTES!



BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS!