quinta-feira, 14 de abril de 2011

APELO

Bebo a vida! Os aromas embriagam-me, as cores extasiam-me, … os abismos atraem-me. Em mim encontro forças para não desperdiçar uma gotícula sequer de tão precioso néctar.


Salvador Dali



Odeio esperar! O tique-taque, tique taque sincronizado, da maravilhosa máquina senhora do tempo, transporta em seus braços a ansiedade, a incerteza, a inquietação, … Renego estes sentires!
Aguardo um sinal, sinal combinado a marcar a fogo a linha do horizonte, se não chegar vou ser obrigada a agir!
Por favor, não me obrigues a fazê-lo!

terça-feira, 12 de abril de 2011

AMIZADE

Querida Teresa:

Que à tua vida nunca faltem o colorido e a fantasia.


Que os teus ócios te entreguem as safiras do mar e a serenidade das praias intocadas
Que a tua casa tenha sempre a paz do branco e o vermelho da alegria


Que nunca te falte uma janela bonita rasgada para o mundo… Uma janela decorada com os sonhos que as tuas mãos rendaram
Que a cultura, que a poesia, se encontrem no teu caminho.

Que as memórias do passado tenham apenas o peso da porcelana

Que no horizonte do teu presente não faltem as árvores e o céu.
Que o teu futuro tenha sonhos rematados e a paz de um voo de encontro ao infinito

Que às coisas mais prosaicas não falte nunca o humor e a ternura.

Finalmente: que possas colher sempre, da vida, as flores e os frutos.

Um beijinho

M**** A******

Lx 07/98

Nota: As imagens na sua origem são postais (retirei a margem branca). Cada um deles encontra-se colado numa folha A4 de cor rosa velho, por baixo de cada um podem ler-se as frases que transcrevi, estão manuscritas pela mão desta minha amiga, no seu conjunto fazem parte de uma brochura. Um “Beijinho Embrulhado” que me foi oferecido numa ocasião especial. No seu conjunto é uma brochura lindíssima, pelo aspecto, pelo conteúdo, pela intenção, …pela AMIZADE!

domingo, 10 de abril de 2011

O AMOR

Em relação ao post anterior, em que falei do meu amor por um homem (semelhante ao que tenho por outro homem e por duas mulheres) , na sequência de alguns dos comentários, apeteceu-me divagar sobre o modo como é que esse sentimento a que chamamos AMOR, LOVE, AMOUR, AMORE, LIEBE, FÖRÄLSKELSE, … me influencia, me faz reagir. O que sinto quando me apoio nesta palavra varia imenso, depende do ente a quem o dedico, da fase da vida em que se encontra e eu me encontro e vem, normalmente, acompanhado de outros afectos, de outros “modos” simultâneos de sentir, mas sempre com um ou outro a predominar.O que já senti? O que ainda sinto? O que espero continuar a sentir?


Amor-paixão/Amor-obsessão/Amor-ódio/Amor-protecção/Amor-admiração/Amor-sofrimento/Amor-revolta/Amor-abnegação/ Amor-felicidade/…


Amei tanto a minha avó materna que desejei a sua morte…estava quase na hora de embarcar no navio da grande viagem da sua vida, o sofrimento que se adivinhava e avizinhava seria atroz. Partiu antes de ele chegar e eu senti uma paz imensa invadir-me…Fiquei feliz nesse momento de dor.

Amei com paixão o pai dos meus filhos, aquele que foi meu namorado, meu marido, meu amante, meu amigo, meu confidente, …Mas também sofri e me revoltei! Recordo-o com saudade mas de um modo diferente do “recordar” da minha avó.

Amei o meu pai com admiração e orgulho, a minha mãe com protecção e ternura, mostrei-o nos testemunhos que já deixei por aqui.

Permiti que o amor-obsessão entrasse na minha vida, odeio-me só de pensar nisso!

Algumas formas de amar penso conseguir bani-las, não quero voltar a encontrá-las no que resta da minha vida. Mas…é impensável que enquanto a lucidez (será?) que ainda coabita comigo existir eu deixe de AMAR.

Acredito que não são quatro os elementos que regem as nossas vidas, para mim são cinco: TERRA, FOGO, AR, ÁGUA e AMOR!

Hoje sinto-me TERRA!



Nota: Não falei no amor que sinto pelas pessoas com quem ainda estou corporeamente, não fui capaz…faltaram-me as palavras e o meu testemunho ficou empobrecido!

sábado, 9 de abril de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXVII

Já se foi…! Uma semana recheada de trabalho, de sobressaltos, de tomadas de posição (umas mais “agressivas” do que outras), …. Este fim de semana e a próxima prometem trazer-me mais “canseiras”, mas um cansaço que ajuda à concretização de sonhos que não meus, sonhos de um homem que amo e me ama incondicionalmente, um homem que se encontra ligado a mim por um laço eternamente inquebrável, não há lei, nem humana, nem divina, que o consiga desfazer mesmo através dos séculos… Por ele e por outros como ele a minha vida continua a fazer sentido!

E aqui vai a minha e nossa Doçura ou Diabrura semanal:

SE AS MINHAS MÂOS PUDESSEM DESFOLHAR


Pronuncio o teu nome


Nas noites escuras


Quando os astros vêm


Beber na lua


E dormem os ramos


Das frondas ocultas,


E eu oco me sinto


De paixão e música.


Louco relógio que canta


Mortas horas antigas.



Pronuncio o teu nome


Nesta noite escura,


E o teu nome soa-me


Mais longe que nunca.


Mais longe que todas as estrelas


E mais dolente do que a mansa chuva.



Querer-te-ei como então


Alguma vez? Que culpa


Tem o meu coração?


Se a névoa se esfuma,


Que outra paixão me espera?


Será tranquila e pura?


Se meus dedos pudessem


Ir desfolhar a lua!


Federico García Lorca (Obras Poéticas, tradução de José Bento, Relógio de Água, pág.47)


QUE O FIM-DE-SEMANA VOS TRAGA UM DESCANSO MERECIDO, COM OS MEUS INESGOTÁVEIS BEIJINHOS EMBRULHADOS!



Nota: Pela primeira vez o computador venceu-me, eu dei uns espaços diferentes à poesia, ele aceita-os mas quando publico aumenta-os...desisto!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SOLILÓQUIO

-Ó minha parva, tens um tempinho para me escutares?

- Não me venhas aborrecer, está bem?

- Fazes-me rir! Andas para aí a dar a impressão que estás de rastos e eu é que te aborreço?

-Alteza, dar-lhe-ia muito trabalho se explicasse onde quer chegar, porque eu não estou a perceber nada, mesmo nada!

-Fica atenta! Escuta-me bem! Não gosto do que ultimamente andas a escrever, percebeste?

- Não gostas? Essa é boa! Todos os que leram têm gostado, é certo que não mostrei tudo…

- Acorda querida, acorda! Eu vivo em simbiose contigo e não gosto! Quero-te de volta … recua no caminho que andas a trilhar, podes recordar mas não alimentes essas recordações, toma-as como uma lição aprendida, nem todas as pessoas são transparentes, há maldade no mundo, não te deixes envolver por ela! Caramba já tens idade, mais do que suficiente, para saberes isso! Volta a ser alegre, sem “choradinhos”, nunca ouviste dizer: “os cães ladram mas a caravana passa?" Regista as situações divertidas pelas quais costumas passar, escreve sobre tudo o que dá cor à tua vida! Olha em frente, vês aquela luzinha além?


-Não estou a ver luzinha nenhuma! Ou melhor estou a ver várias luzes acesas e isso não pode ser, estamos a atravessar uma crise, vou apagá-las, há que poupar.


-Alô! Volta à terra! Não desvies a conversa, não costumas fazer isso, normalmente enfrentas bem uma admoestação. Sabes muito bem do que estou a falar!


- Chata! Não me “batas” mais! Vamos ficar por aqui, sim? Vou tomar nota e pensar…pensar um bocadinho e talvez te venha a dar razão…mas não prometo que siga os teus conselhos! Se fosses verdadeiramente minha amiga, tinhas-me alertado para determinados perigos, antes de terem acontecido e já não precisavas de estar com sermões…


-Só faltava dizeres-me isso…tu passas a vida a impedir que eu chegue à tua racionalidade, transformaste-te numa bomba emotiva, prestes a explodir!


- Sabes que mais? As explosões controladas são muitíssimo benéficas, elas enviam para o espaço os fantasmas que nos visitam sem serem convidados.


-Estou um bocadinho de acordo contigo, gosto das diabruras que costumas fazer, mas não estou a gostar muito dessa que está entranhada na louca da tua cabeça!


-“Quem não se sente, não é filha de boa gente”….


-Calma rapariga! É preciso muita calma! Porque é que não começas umas limpezas de Primavera e entre elas limpas o cérebro


-Vou ponderar … gosto da ideia das limpezas, …organizar…renovar…arrumar …tirar as teias de aranha do sótão… És uma “idiota”, sabias?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ARCO-ÍRIS

Nos seus olhos ela mirou-se e para além de se ver reflectida, viu as cores do arco-íris! Rapidamente, o vermelho, o laranja, o amarelo, o verde, o azul, o anil e o violeta, foram-se desvanecendo … resultou o preto, o preto do negrume que habitava no coração de um homem sem alma…um homem que não conhecia o amor, que tinha medo de amar...

Então, só então, ela descobriu que ele ao deixar escapar esse fugaz momento, se tornou um pária que não lutava por ocupar o lugar que todos almejam, o ter a ventura de amar e de ser amado!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXXVI

A minha semana-montanha está a chegar ao fim! Subi ao cume, desci ao sopé, permaneci pelas encostas e ela passou num ápice, trabalhei com afinco horas seguidas, acalmei num dolce far niente, desdobrei-me em leituras e em meditação. Cheguei a horas para publicar mais uma DOÇURA ou DIABRURA

PAIXÃO


Tive-te por pouco tempo.


Pensei ser capaz


De subir montanhas


Descer vales


Beber água do mar


Fazer amigos perdidos


Faria tudo por ti


Sugava-te as lágrimas


Limpava-te o suor


Que desilusão


Nada aconteceu


Uma recordação


Um sonho ficou


Isabel Romano Colaço (Labirinto de Espelhos- Editorial Minerva, página 143)


UM FIM DE SEMANA QUE SE PREVÊ BASTANTE PRIMAVERIL, QUE DEVE AQUECER OS CORPOS CANSADOS PELO FRIO E PELA CHUVA QUE NOS TÊM VISITADO, ESTÁ A BATER À PORTA!… APROVEITEM O MELHOR QUE SABEM E QUE PUDEREM, EU VOU FAZER O MESMO! PARA TODOS OS MEUS INFINITOS BEIJINHOS EMBRULHADOS!


Nota: Nem sempre os poemas que publico são, na minha opinião, de excelente qualidade, mas acredito na divulgação de poetas portugueses menos conhecidos…