terça-feira, 15 de junho de 2010

CAMPO DE CRIPTANA

Bem acomodada num veículo que não precisava de conduzir, logo pela manhã, percorri o campo de Montiel. Fui admirando os campos dourados a perder de vista, salpicados por pinceladas de vermelho. Esta espantosa paisagem fez com que, a pouco e pouco, a minha mente se deixasse invadir pelas palavras de Cervantes quando a descrevia exactamente do mesmo modo como os meus olhos a “reconheciam”!
Inesperadamente, D. Quixote esguio montado no seu Rocinante e de lança na mão direita, seguido pelo seu fiel servo Sancho Pança, montado num burro, surgiram um pouco mais à frente no meu trajecto, em amena cavaqueira (o amena é uma “boa vontade” minha, as suas conversas nunca tinham nada de amenas e acabavam sempre mal, para o desgraçado Sancho). Ao longe avistámos (eu e eles) vários moinhos de vento, cujas velas são bem diferentes das dos nossos como podem observar na foto.

Escutei então o seguinte diálogo:
-Olha Sancho! Vês aqueles atrevidos gigantes? Vou travar uma dura batalha com eles… mas vou vencê-los!
-Quais gigantes? Qual carapuça! Aquilo são moinhos de vento!
-Moinhos de vento! Enlouqueceste! São gigantes com uns braços enormes.
-São agora braços! São as velas que por acção do vento fazem trabalhar as mós.
-És um ignorante, não percebes nada de aventuras de cavaleiros. Estás é cheio de medo. Reza enquanto eu me vou atirar a eles e travar uma batalha desigual e sem igual.

E não é que observo este “sonhador”um pouco lunático (deveria ter dito muito?) a investir garbosamente de lança em riste, esporeando o desgraçado do Rocinante, contra um dos moinhos!
E gritava: Não fujam cobardes, sou apenas um cavaleiro que vos desafia!

Eis senão quando um sopro de vento mais forte fez mover as velas e D. Quixote berrou mais alto ainda:
-O vosso mover de braços não me mete medo, nada me faz desistir!

Solicitando como que numa prece a protecção de D. Dulcineia, lá se atirou ele contra uma vela.
A lança ficou em pedaços, Rocinante de patas para cima, D. Quixote voou e aterrou perto de Sancho. Este não sabia o que fazer, só berrava admoestando o amo. Eu mantive-me muda e queda, sabia o desfecho da história.
D. Quixote não perdeu a dignidade, embora estivesse todo “desencaixado” e disse:
-Pára de berrar Sancho! Na guerra há muitas mudanças e eu acredito que os gigantes se transformaram em moinhos, para me roubarem o prazer e a glória de os vencer.
O Rocinante um pouco desasado também se recompôs, o dono montou-o e todos partiram deste Campo de Criptana em direcção a Porto Lápice… continuando na sua eterna conversa…que já não ouvi.

Fiquei a vê-los a ficarem cada vez mais pequenos e foi observar os “gigantes” já transformados em moinhos.


Nota:
*Os campos dourados são searas imensas muito bem tratadas e a ocuparem uma enorme extensão.
* As pinceladas vermelhas são papoilas que existem em grande quantidade no meio das searas.
* Fico à espera que Cervantes não me venha “inquietar” durante a noite por ter posto frases tão “feias” na boca dos seus heróis, quando ele as descreve numa linguagem tão requintada e rebuscada, própria do século em que viveu.
* Desafio a quem leu este meu texto, a tentarem ler o original para se deliciarem com a riqueza das imagens que o encadear das suas palavras nos transmite.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

BREVE APONTAMENTO

Penso que a pouco e pouco, aqueles que me têm vindo a “seguir”, e que já me conhecem um pouco, verificaram que não gosto muito de turismo de multidões (por vezes, lá tem que ser…!).
Desta vez fui fazer aquilo a que se pode chamar a “Rota de D.Quixote”. Visitei alguns dos locais por “onde” D. Quixote com o seu criado Sancho Pança, montado no seu cavalo Rocinante vagueou.
D. Quixote é um personagem mítico, como todos sabem, criado pela pena de Miguel Cervantes (de Saavedra), que em Setembro de 1604, obteve autorização do rei para publicar a primeira parte do “D. Quixote de La Mancha”.
Os lugares que visitei “alimentaram” os meus sonhos de romântica, mas nunca confundi o homem que nunca “existiu”, apenas teve existência na mente muito criativa de Cervantes, com um homem real que tivesse passado por tantas aventuras e desventuras, muitas delas totalmente desprovidas de sentido no mundo em que estamos inseridos, mas de um delírio hilariante que nos faz rir até às lágrimas.
Fiz poiso em Toledo e daí parti para visitar Tembleque, El Toboso, Alcazar de San Juan, Campo de Criptana, Puerto Lápice, Almagro… Várias localidades situadas a sudeste de Toledo e que, como já devem ter inferido, não foram visitadas, nem podiam ser, devido às distâncias que medeiam entre elas, num só dia!
Para além de lá pernoitar sempre, visitei também Toledo, cidade onde já tinha estado por duas vezes, mas que admiro e que me mostra "sempre" pela primeira vez, algo que me escapou anteriormente. Toledo e um dos poucos lugares de Espanha, que durante o século XIII, permitiu a convivência e a tolerância mais ou menos pacífica, entre muçulmanos, cristãos e judeus. Nela encontramos uma combinação invulgar de estilos e culturas, característica desta cidade.
Como diz o título deste post , isto foram apenas umas breves notas para vos “informar” por onde andei nestes últimos dias. Se estiverem interessados em “acompanhar-me”, durante alguns dos próximos, descrever-vos-ei as memórias que me ficaram deste excelente passeio, em que “tomei” um emocionante e maravilhoso “banho de cultura”…

segunda-feira, 7 de junho de 2010

INSANIDADE

O facto de nestes últimos dias ter relembrado vários trabalhos que fiz sobre comportamentos humanos, fez-me pensar em vários conceitos e o termo insanidade, vulgo loucura, surgiu muitas vezes no meu consciente.
Todos já sentiram que quando menos esperamos os problemas surgem-nos e colocam-nos perante situações muitas vezes difíceis de serem resolvidas. Assim temos que arranjar “fugas” para podermos viver de uma forma descontraída e alegre. Tal nem sempre é possível porque a sociedade em que estamos inseridos julga-nos e, muitas vezes, nem sempre bem.
Ser-se “diferente” é para muitos, sinónimo de insanidade. É bastante interessante saber-se como o “significado” desta palavra variou ao longo da História, o insano de Homero era diferente do de Sócrates.
Segundo a Psicologia actual, a loucura é “uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados “anormais” pela sociedade”.
Hegel leva-nos a pensar que a loucura é “pertinente à dimensão humana, só será humano quem tiver a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizará através dela.” A loucura de cada um tem uma lógica própria!
Mas eu não vos quero maçar com estas definições e conceitos, pelos quais estou apaixonada, mas que não têm muito cabimento aqui.


Reparem nestas imagens!



Uma foi desenhada por mim a outra pelo meu neto que tem 8 anos.

Como e porquê surgiram?
De um modo perfeitamente natural.No descanso do trabalho escolar, o meu neto pediu-me para usar os meus lápis de cor, acedi e quando o vi a fazer os desenhinhos, característicos da idade que tem, senti uma vontade imensa de os manusear, fui buscar o meu bloco, a cabeça comandou a mão e saiu o desenho que vêem e que apelidei de imediato de Insanidade. O meu neto quando o viu ficou deliciado, deslumbrado mesmo, tentou imitar-me…saiu o “produto” que podem observar e a que ele chamou “Um Bicho”!
Eu fiquei admirada! Como é que uma criança pequena conseguiu fazer um traçado tão semelhante? A espantada fui eu!

Deixo-vos com as duas para que as possam "julgar" e tecer as vossas críticas.

Aproveito para vos desejar uma ÓPTIMA SEMANA! Vou ausentar-me do país, mas na próxima semana espero cá estar. Vou certamente trazer boas novas sobre a minha viagem!

domingo, 6 de junho de 2010

RESPOSTA À RESPOSTA

Ao publicar os dois últimos posts, diverti-me um pouco ao relembrar o assunto e a ler as vossas reacções, penso que do vosso lado também houve algum divertimento.
O assunto no entanto foi tratado com seriedade da minha parte e embrenhei-me nele durante cerca de dois meses. Foi um trabalho fascinante e do qual tirei algumas conclusões com a ajuda de terceiros, mais experientes do que eu, em assuntos referentes à Psicologia.

Para que não fiquem sem conhecer a resposta às dúvidas que expus na “Resposta” cá vai:
Como está Judith?
Embora a contragosto porque a última coisa que eu queria fazer seria discutir consigo, pelo respeito que a sua mensagem já granjeou na minha humilde capacidade de julgar. E, aí vai a bóia para a salvar do charco em que nunca se afundaria:
-não sendo o caso de hoje que estou com a síndrome do monitor em branco, terei todo o prazer em ler o que tanto gosta de fazer-escrever. Faça um diário que eu replicarei se estiver à altura.
-A minha inteligência infelizmente não é imensa, faço parte de um grupo que deve conhecer e que se chama MENSA, mercê de testes que efectuei nos USA quando lá estive a estudar e trabalhar. Lamentavelmente, repetiram-no porque não concebiam que um português pudesse caber nesse grupo. Fi-los num país estrangeiro com a desvantagem da língua e correram bem. Não tenho particular gozo nisso e disse-lho à falta de um atributo mais ponderoso.
-Não sei manipular nada e muito menos pessoas.
-Resista, não manipule, seja autêntica meia hora por dia.
-Quanto às 3 dimensões, ou 4, ou mais nunca me esqueci do tempo e não queria referir-me às supercordas e à sua filiformidade.
-lipotímia quer dizer perda leve dos sentidos e só a referi porque é bom que se esteja perto de qualquer coisa sólida porque uma síncope com queda pode ser perigosa, concordará.
-Exorcist como poderia ser outro qualquer. Tudo o que me é desconhecido, põe -me curioso. O esoterismo é uma área que me fascina tanto como a culinária (e não sei cozinhar) porque é cultura geral. Decerto se tivesse escolhido cooker50 não a teria deixado tão perplexa. Calhou!
-Quanto ao pagamento eu de cada vez que abro o site eles convidam-me a pagar sem o qual não me dão acesso a mensagens que me mandaram e que não li.
Esperando ter contribuído para que o charco tenha as águas mais límpidas, cumprimenta-a o, exorcist=cooker=filibusteiro=fariseu, you name it.........

Posso acrescentar que na mensagem que lhe enviei a seguir o tratei por "filibusteiro"!

Dou este assunto como finalizado. É natural que volte a falar nos comportamentos humanos, numa abordagem mais teórica mas bastante engraçada (para mim! A vossa reacção verei depois)…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A RESPOSTA

Antes de vos dar a resposta que prometi é necessário que saibam:
1- A mensagem ontem publicada, foi dirigida para um endereço de mail que tenho para receber contactos a partir do hi5 e do Facebook e em ambos uso um nickname.
2-Durante grande parte da minha vida de adulta, até à actualidade, “meti-me” com uma certa profundidade na "Análise do Comportamento", não sou propriamente uma behaviorista clássica, mas gosto de estimular para receber e analisar os comportamentos que daí advêm.
3- A “MENSA” é uma associação para pessoas muito inteligentes, cujo único requisito para admissão é o quociente de inteligência, em princípio superior a 148. Foi fundada, em Oxford, em 1946 e na actualidade estende-se por muitos países do mundo.
Não me vou alongar nestas explicações, mas devem ter percebido que esta mensagem caiu como “mosca no mel”. Não podia deixar passar este maná.
4-Não vi nesta carta, a carta de um sedutor, pelo contrário, vi alguém bastante perturbado, a precisar de atenção.

“Olá exorcist!
Não sei como chegou até mim, talvez se tenha enganado no endereço, mas isso não tem muita importância…
Adoro escrever e estou a fazê-lo como o faço para um registo de memórias, de emoções, de acontecimentos marcantes e este é um acontecimento marcante (?)
Vou bem, estou com uma óptima disposição.
Eu não tenho uma inteligência (I)MENSA mas sou bastante inteligente.
Sou feminina (não feminista) e como tal um poucochinho manipuladora. Acredito na felicidade mas não numa felicidade plena, vivo momentos, mais do que umas esquírolas (como citou), que saboreio plenamente.
Estou de acordo quanto ao não suportar a estupidez, mas quantas vezes me fiz de parva para não criar situações de atrito?
Segundo Karl Kraus "somos sempre mais do que a soma das nossas ideias"
O seu discurso escrito a partir de (…) até ao final deixou-me afogada num charco de águas turvas.
Vou tentar descodificar:
(...) "num mundo como eu o interpreto a mais de 4 dimensões" eu vivo num mundo a 3 dimensões mas, como matemática, posso idealizá-lo a mais.
(...) "lipotímia", desconheço a palavra, conheço o prefixo lipo que significa gordura
Deve haver uma mensagem subjacente mas eu não a descobri.
(...) "nickname " não vejo ligação entre uma curiosidade intelectual com um exorcista. Também tenho um largo espectro de interesses.
(...) "Se quiser continuar"Pagar o quê, a quem? Não captou o quê?
Falhou-me o entendimento.
"A bola está do seu lado do court, desenrasque-se"
Cá estou eu a desenrascar-me (não gosto de usar esta palavra, embora faça parte de um povo que se apoia e muito no desenrascanço) e a atirar a bola para o seu lado do court, confessando que não percebo nada de ténis Judith”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O EXORCISTA

“Olá, como vai?
Apraz-me dizer-lhe que sou o mais comum dos mortais, com gostos simples mas com uma inteligência MENSA que me permite viver numa relação em paridade e sem manipular pois também quero umas esquírolas de felicidade que possam sobrar. Embora personalizado sou flexível até aos limites da razoabilidade. Não suporto a estupidez mesmo quando às vezes por razões sociais tenho de fazer parte dela. Sei que uma relação não se faz só num paradigma mental, mas lá que ajuda, ajuda. Num mundo como eu o interpreto a mais de 4 dimensões, resta-me esperar deitado por causa de provável lipotímia. O meu nickname deve-se a mera curiosidade intelectual pois tenho um largo arco de interesses. Se quiser continuar a conversar comigo tem de entender-se com este serviço pois eu não concebo pagar para auscultar sentimentos, emoções e ideias ainda que a "seres virtuais". Eu penso para massacrar o teclado. A bola está do seu lado do court, desenrasque-se. Exorcist"

Não conheço quem me enviou esta “carta” e já passou mais de um ano.
Partindo do princípio que esta mensagem tanto podia ter sido escrita por um homem como por uma mulher, e que tinha sido dirigida a um de vós, como responderiam ou como a interpretam? Eu no próximo post publico a resposta que dei.

terça-feira, 1 de junho de 2010

FESTA DA AMIZADE

Sábado passado, dia 29, realizou-se a Festa da Amizade em São João das Lampas, festa organizada pela Escola do 1ºCiclo e pela Associação de Pais da mesma.
Foram todos excelentes, pais e professores e o público que acorreu.
Vou fazer a descrição por imagens embora me faltem muitas… como sempre!

Os livros a preços "simbólicos"

Produtos alimentares de todos os tipos embalados e ao peso

Não faltaram as goluseimas!

As flores, muitas flores!

Artesanato

A artesã e parte da sua bancada, está um pouco desconfiada com a fotógafa, porque será?

Uma potencial compradora


E muitas mais bancadas havia, a da quermesse, a dos bolos caseiros, a das bifanas e afins, a dos trabalhos executados pelos alunos
Mas o ponto mais alto foi o desfile de modas. Os modelos portaram-se a nível internacional, posaram para as fotos, desfilaram garbosamente com a cabeça bem erguida, lindos de morrer, nada de anorécticos, nada de cairem, nada de chocarem... tudo muito bem sincronizado, muito colorido, muito animado, "muito de muito"...
Os modelos apresentados foram-no em diversas modalidades: saias compridas, saias curtas, calças compridas, calções, casual (embirro com este termo), de cerimónia e os noivos.
Para não expôr demasiado os nossos jovens, aqui vai uma mostra muito pequena e pouco significativa:
O gato de calças amarelas é meu herdeiro.

O noivo antes do desfile, o sorriso era postiço, reparem que com o nervoso até deu "conta" da flor!

A noiva um pouco nervosa teve que beber um golinho de água, enquanto o noivo gesticulava


Muitos outros entretenimentos existiam no local: pinturas faciais, cavalos, insufláveis, descidas em "queda livre", sorteios, rifas, farturas...
Desfile de marchas! Coros! Entrega de diplomas aos que completam o 4ºano este ano lectivo, momento este que deu azo a algumas lágrimas!
Professores, pais, alunos e comunidade deram as mãos e o resultado foi um dia de alegria, de boa disposição, de confraternização ...
Que hajam muitos mais dias assim!