segunda-feira, 8 de março de 2010

UMA ROSA

Há pouco tempo, foi notícia dos jornais por um motivo, deixou-nos…
Hoje Dia Internacional da Mulher, lembrei-me dela e da última crónica (ou uma das últimas) que escreveu e que na altura me tocou muito.

MAZELAS
"Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as mazelas. Insignificâncias: uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, nas pernas, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha pior mazela é não acreditar que tenho 77 anos.
Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade para ver se interiorizo esse facto, mas, por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, e não passo daí.
Setenta e sete? Que loucura!
Tenho sempre tanta coisa para fazer, para acabar, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar, tanto museu para ver e depois as mazelas – ai! -, mas vou porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir.
Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo Estava lá uma velhota, ou Imaginem que uma velha… Estou a falar de pessoas provavelmente mais novas do que eu, mas não me enxergo. Até quando irá durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer tranquilamente?
Só quando me oferecem o braço (já caí na rua e parti a perna, mas nem assim…), quando me sentam no lugar de honra à mesa, quando me dão o assento da direita no automóvel, quando não me dirigem galanteios (que estranho!), acordo para a realidade: ai, é verdade, tenho 77 anos, que maçada…
Ultimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi) cancro de mama. Como acho que Deus não me deu esta doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva. Passei os trâmites habituais: operação, radioterapia, etc. Tudo pacífico. Ainda por cima, o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que eram…Ai, sim?
Tenho 77 anos, que alegria!... "
Rosa Lobato Faria
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É esta a "rosa" que ofereço, no dia de hoje, aos homens e às mulheres que já adquiriram o direito de considerarem este cantinho como vosso.

sábado, 6 de março de 2010

BUMBUM ÀS CORES

Embora não fosse adepta de um jacuzzi público a tentação foi grande, ele estava ali, lindo, borbulhante, sozinho… Meter-se dentro dele e gozar uns largos minutos de relaxamento, prazer e até alguma volúpia, foi conseguido.
Tempo de sair! De o deixar… Imponente mas cuidadosa foi descendo a escada de madeira com muito cuidado, sabia que o perigo de escorregar era grande. Chegada que foi ao piso de acesso escorregou e caiu batendo com a nádega direita na esquina bicuda do último degrau, dor lancinante, pensamento imediato: lá se foi o colo do fémur!
Dois homens solícitos acorrem em seu socorro, um o vigilante/instrutor do local, o outro um utente, ambos querem saber se se sente bem, ela responde, baixinho, esparramada no chão: dói-me a nádega direita. O quê? Pergunta o primeiro homem. DÓI-ME O RABO grita ela…
Depois de se levantar e de caminhar até ao balneário, direita como um fuso e sem olhar para trás, verifica que tem um enorme arranhão que sangra. Miraculosamente o fato de banho não se rasgou, por isso o bumbum ficou resguardado de olhares indiscretos.
No mesmo dia um grande edema apareceu e um negrão alastrou por toda a nádega… Com o passar dos dias o “negro” passou pela zona do cóccix e invadiu a outra nádega.
O bumbum qual vedeta de Hollywood, foi fotografado e admirado por imensos pares de olhos que nunca tinham visto um bumbum tão negrinho. A pouco e pouco esse mesmo negro passou a violeta, a amarelo, a verde, … ficou às cores!
Passaram cerca de 6 meses até que o “nódulo” que entretanto se formou desaparecesse totalmente e mesmo assim, à custa de muitas massagens.
Hoje está fantástica, ficou com uma pequena covinha onde o bico do degrau agrediu o músculo, tal dá um certo cariz à nádega, torna-a única e reconhecível para quem tem o (des) prazer de a poder observar…

Conclusão:
Quem não gosta de jacuzzis públicos não se deve meter lá dentro, pode ter castigo. Ao sair do dito, não se deve deixar cair, muito menos magoar o bumbum pois corre o risco de ter os netos durante dias e dias seguidos a pedirem: vovó mostra-nos o teu bumbum!
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Nota: Embora existam fotos do bumbum lesionado, não foram publicadas por medo de uma debandada geral dos comentadores habituais. O bumbum da fotografia é pertença de uma ilustre desconhecida.

sexta-feira, 5 de março de 2010

DOÇURA OU DIABRURA XXIII

Na ressaca de uma menos “boa semana”e chegado que é o fim da mesma, faço minhas as palavras de Fernando Pessoa

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... ”

E agora cá vai a DOÇURA OU DIABRURA:

“Enquanto houver amor verdadeiro e puro no mundo, o acto de beijar continuará a ser um dos mais belos passatempos dos amantes…
A sua música é a melodia do coração e a poesia da alma.
O seu êxtase é o encanto da juventude, a alegria da idade viril e a suprema felicidade da velhice.”

Alfred Fowler, in The Curiosities of Kissing


PARA TODOS! VIREM AS COSTAS AO SÃO PEDRO, ELE TEM-SE PORTADO MUITO MAL! SEM LHE PRESTAREM ATENÇÃO, GOZEM O FIM-DE-SEMANA COMO VOS APETECER, MAS APROVEITEM-NO MUITO BEM!!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

CAMINHANDO

Li algures, a citação seguinte que é bastante conhecida, da qual até nem gosto muito : " o caminho faz-se caminhando", pessoalmente, gostaria mais de trocar "o caminho" por "a Vida".
A VIDA FAZ-SE "CAMINHANDO"...

Voando como uma folha levada por um vento forte, saltitando como uma pequena ave, deslizando como quem dança uma valsa nos braços de um amante, caminhando como uma criança dando os seus primeiros passos, vou "fazendo" a minha vida.
Nem sempre sei que caminhos devo percorrer mas sinto, no meu eu profundo, aqueles por onde não quero ir.
Afectos díspares e pensamentos descontrolados emergem do meu coração e da minha mente. Pequenas coisas que num passado próximo me davam um grande prazer, hoje quando as faço são-me quase indiferentes ou então são-me penosas, só as executando por amor aos que me amam e a quem dedico o meu amor.
Sou alguém bastante alegre mas não muito feliz. Será isto possível?
Vou plantando algumas flores na minha caminhada, vou colhendo outras só que, escondidos entre as colhidas, encontro cactos e pedras e, por muito que faça, não os consigo ver antes de as colher. Será por ignorância, por ingenuidade, por estupidez, por falta de visão?
Comecei a sentir algo de que não gosto, estarei a ser uma velha ridícula?

Esta semana perdi um amigo! Estava na hora de partir, já não era jovem, tinha feito há pouco 80 anos. Esta perda fez-me pensar em todos os amigos que já partiram! Murchei um pouco!
Estive com amigas e conhecidos (nestes o sexo feminino predominava), pouco conversámos porque o local onde nos encontrávamos não era o mais indicado e também não senti muita vontade de o fazer. Observei atentamente a serenidade demonstrada pela M., que a pouco e pouco está perdendo a visão, admiro a sua aceitação, a sua filosofia de vida tão optimista. Sorri ao ouvi-la ralhar com a B. que não cuida convenientemente da sua saúde. Gostei de a ouvir declarar que mesmo estando a ficar com um “preenchimento” de vida muito reduzido, continua a gostar de viver, fazendo tudo para ir retardando a cegueira total. Ela, para mim, é um exemplo a seguir!

E assim vou caminhando…

quarta-feira, 3 de março de 2010

OLHARES

Estava-se em pleno Outono, os plátanos despediam-se das suas folhas que levadas pelo vento, num voo cambaleante, caiam um pouco mais à frente e rodopiavam no chão ao ritmo de uma canção infantil “eu tenho um pião, um pião que dança, eu tenho um pião, mas não to dou não, gira que gira o meu pião, mas não to dou nem por um tostão, (…).”
Margarida foi-se aproximando do banco para onde tinha recebido um convite, sem se aperceber que estava a ser observada, não resistiu à tentação de fazer o que fazia na adolescência, correu já numa passada não tão acelerada como no passado, calcou as folhas caiadas, e sobre elas com os braços erguidos olhando o céu de um azul que só os poetas conseguem descrever, bailou, rodopiou e sorriu…
Antes de chegar ao lugar pretendido viu-o ao longe, um longe bem perto, caminhando numa passada tão familiar e que há uns largos meses não via…
Aproximaram-se um do outro e as mais lindas palavras de amor foram ditas no silêncio do olhar que trocaram, os corações bateram mais forte e talvez em uníssono…
E porque as palavras muitas vezes matam a infinita riqueza e beleza do silêncio, sempre em silêncio, já de mãos dadas, sentaram-se no banco onde muitos anos atrás, tinham trocado o primeiro beijo e promessas de amor…
As lágrimas, a dor, a solidão, a angústia, o medo, a que o silêncio, durante largos meses, em ambos tinham habitado, foram-se desvanecendo das suas memórias…
Pelos olhos de ambos, vertiginosamente, passaram imagens de toda a sua vida em comum, todos os momentos em que foram um só. Instantes mágicos em que tudo em redor deixou de existir …
Lentamente, numa intimidade e cumplicidade há muito adquirida, as suas bocas aproximaram-se e o beijo, o primeiro beijo repetiu-se…
O silêncio foi quebrado com lindas palavras sussurradas, palavras de perdão, de ternura, de amor…
Aconteceu a reconciliação!


Texto publicado no âmbito do desafio SILÊNCIO para Fábrica de Letras

terça-feira, 2 de março de 2010

O CONVÍVIO

No sábado fui almoçar com um grupo de blogueiras, só mulheres, homem não entrou! Porquê? Porque as senhoras presentes têm mãos de fadas e fazem “pequenas/grandes” maravilhas com elas, são AQUELAS que se dedicam ao ARTESANATO. Os homens artesãos não têm(??) blogues, talvez nem troquem ideias…
Pois fui! Estive com cerca de 30 artesãs, que se entregam ao bonito e útil prazer de conceberem e construíram com diferentes materiais: tecido, papel, areia, barro, madeira, biscuit, porcelana, lãs, linhas, … peças únicas e trabalhadas com muito AMOR.
Conheci fisicamente senhoras encantadoras, que me receberam com muita ternura, que tiveram paciência para aturar uma decana como eu.
O convívio que decorreu durante o almoço foi muito agradável, houve troca de prendas, conversou-se muito, “trocaram-se” ideias e deram-se testemunhos de vidas, para além de termos alimentado o corpo com uma comida bem confeccionada.
O que estava eu lá a fazer? Fui convidada pela organizadora, excelente na organização, com magia nas mãos das quais saem peças lindas e que é madrinha de blogue da Ana Rita. Somos “comadres”!

Aproveito esta “escrita” para mostrar a prenda que me foi ofertada pela Sandra Caetano da Montra Colorida. Reparem nos pormenores da pintura deste afasta-espíritos!





Eu como não sou artesã, limito-me a fazer uns “beijinhos embrulhados”, ofereci o turbante que podem observar na figura ( um dos mais de uma dezena que já fiz para presentear amigas). Foi parar a boas mãos, também boa cabeça,... à minha "comadre"!
À anteriormente citada e organizadora deste convívio, a Maria Tavares dos Fios de Alfazema, dona de uma loja que vende materiais diversos para a confecção destas obras únicas, situada na Rua Bernardim Ribeiro nº21, e organiza workshops, envio blosfericamente, um enorme bem-haja! A todas as outras senhoras presentes, entre as quais a Sandra Caetano, que pintou com amor a minha prenda, um enorme OBRIGADA!

Nota: Amigas que por aqui passam, este turbante ( a que o “peixe”, que por aí anda chama barrete), põe-nos lindas, principalmente quando saímos do duche e temos o cabelo molhado. Se não trouxermos mais nada a “compor-nos”, ainda realça mais a nossa beleza e mais não ensino…

segunda-feira, 1 de março de 2010

BEIJINHO À ESQUIMÓ, SUPER FOFO E INSPIRADO

A Anira ofereceu-me este selinho que me pede, sem dizer por favor, permissão para dar ao meu blogue uns beijinhos à esquimó, eu dou toda, todinha, mas desde já declaro, perante a blogosfera, que não me responsabilizo pelo resultado deste tipo de contactos…


E agora, enquanto eles se beijam vou tentar responder ao desafio.
*Uma coisa de que gosto em mim? Se for física: as minhas sardas. Se for psíquica: ser optimista
*Uma coisa de que gosto no blogue da Anira? A engraçada, original e perfeita ligação que ela faz entre o que escreve e as fotografias dos gatos (não fosse ela uma gata!)

Enquanto os beijinhos, entre os dois lá atrás, continuam, eu também vou prosseguir, a Helga decidiu que o mais beijoqueiro,e pelo que vejo pelo canto do olho, não larga o outro, é super fofo e quer que eu diga o que penso do selinho Não consigo perceber bem a figura e tenho dúvidas se vejo corações ou cerejas.
Assim sendo, admitindo que pode ser uma coisa ou outra , o selinho não tem culpa que eu esteja pitosga, respondo: há coisa mais bela que um coração, símbolo do AMOR, e há coisa mais saborosa do que umas cerejinhas vermelhinhas e suculentas comidas à mão, seguras pelo pezinho (principalmente se a mão não for nossa e a “cena” for ternurenta)?
Deixem a vossa imaginação vogar que eu não digo mais nada!


E agora? O que aconteceu? Não é que a Helga, a D* e a Anira juntaram-se, quais conspiradoras embuçadas e pimba, ou pumba, decidiram que eu sou uma blogueira inspirada ( felizmente que ainda não expirei de prazo!) e “(tr)inspiraram-me”( por pouco ficava a transpirar)

Mas não se ficaram por aqui! Não! Fizeram-me responder a um inquérito cerrado.
Observem:
1ºDois truques de beleza
Nunca adormecer maquilhada e de manhã em vez de lavar a cara borrifá-la com água termal da Avène.
2º Duas prendas que goste de receber
Livros e flores
3º Local preferido para fazer compras
Depende do tipo de artigo que quero comprar
4º Dois defeitos
A teimosia e o perfeccionismo (já o levei a maiores extremos)
5º Duas qualidades
Lealdade e responsabilidade
6º Dois produtos de beleza recomendáveis
Um bom creme hidratante para rosto e corpo e um bom gel para banho
7º Três manias
Esticar os lábios a fazer beijinho, quando estou concentrada a fazer um trabalho, verificar se levo as chaves de casa e não gostar de andar em transportes públicos
8º Três características que não suportas nas pessoas;
Mentira, inveja e maldade
9º Três características que admiras nas pessoas;
Lealdade, humildade e simpatia
10º Pessoa especial para ti
Aquela que retribua o meu amor

E agora? Agora estrago as “regras”, subverto-as!
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QUEM GOSTAR DOS SELINHOS SIRVA-SE À VONTADE! TODOS OS QUE ME VISITAM SÃO DIGNOS DELES, POR ESSE MOTIVO ELES ESTÃO À VOSSA DISPOSIÇÃO. SENTIR-ME-EI HONRADA SE OS ACEITAREM