sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PORTAS

Gosto de portas escancaradas, portas que deixem entrar a luz, os afectos, as emoções,…
Entre conhecidos, amigos, namorados, amantes, casais, familiares,… há sempre portas, que podem estar abertas, fechadas, entreabertas, escancaradas,… Cada um individualmente é que sabe quando quer, deve ou pode, alterar a posição delas, e tem sempre o poder de modificar essa posição. Uma porta aberta, pode ser fechada, devagarinho ou de supetão, ficando hermética ou com uma pequena fresta; uma porta fechada pode sempre abrir-se, basta percorrer o “caminho “ inverso.
Eu tenho portas fechadas, umas que nunca foram abertas, outras que fui e sou obrigada a fechar, quando isto acontece tenho-o feito sempre sem prazer, pelo contrário, sofro e, algumas vezes, magoo quem me leva a tomar esta atitude.

Também tenho portas entreabertas que gostava de abrir mas, para que tal aconteça, preciso da ajuda dos que gostam de mim e que me aceitam tal como “sabem” que sou, um ser nunca completo, mas que tem uma parte física e outras muitíssimo mais importantes, a emocional e a espiritual.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PALAVRAS ESVOAÇANTES

Numa conversa a dois digna desse nome, as palavras brotavam com uma leveza estonteante, passava-se de um assunto a outro numa velocidade apenas conseguida porque os interlocutores se compreendiam, estavam falando a mesma língua, ambos interessados nos mesmos temas, embora por vezes, as opiniões não fossem totalmente concordantes.
Dois seres muito diferentes no modo como manifestam, perante a vida, as suas emoções, ele com uma dificuldade imensa de se expor emocionalmente, ela totalmente aberta para descrever aquilo que sente. A dada altura o elemento masculino, numa abertura, pouco habitual, reveladora de uma grande sensibilidade, durante um breve instante de mudança de assunto declara: “as palavras saltam de flor em flor”! Esta afirmação deu direito a uma graçola e com esta, risos eclodiram.
A frase ficou gravada na mente dela que desejou ser, em vez de palavras, borboleta para saltar de flor em flor absorvendo o cheiro da madressilva, captando  a sensualidade da magnólia, possuindo a rusticidade do malmequer e a sofisticação da orquídea, invejando  a pureza da açucena, …
Como ambos estão encerrados, desde que nasceram, numa caixa do tempo, esta conversa digna desse nome teve que ter fim, um fim que não significa que não pode ter continuação…


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A AGENDA E A CHATA

Tenho um amigo com quem gosto muito de conversar mas ele está sempre muito ocupado, quando nos podemos encontrar ele brincando, diz que me vai meter na calendarização da sua agenda. Esta situação baseada num facto real, foi o mote para este poste



Agenda - Olá querida, por aqui outra vez?
A Chata – É verdade, venho  ver se tens por aí uma vaga para eu poder “entrar”.
Agenda – Hummm! Não me parece mas vou confirmar! Não, nadinha, estou super preenchida para hoje!
A Chata – Já estou habituada mas, … vou insistir, nem uma nesguinha muito pequenina?
A Agenda – Nem isso!
A Chata – Tens mesmo a certeza, arranja-me uma vagazita e eu faço-te um lindíssimo marcador, também posso forrar-te com um belo tecido, padrão quase único, mais … posso ser eu a criar o padrão, sei pintar em tecido… “vestida” por mim  ficarás a parecer uma top model sem paralelo na nossa galáxia…
A Agenda – Estás  a querer comprar-me? Tu que pregas a honestidade acima de tudo?
A Chata – Pois! Sabes, neste momento já não sei bem o que faço, nem o que fazer! Gostava tanto de ter um bocadinho entre as tuas marcações, o tempo urge e eu sou muito impulsiva, ando a preparar “isto” (Gostas? É segredo!), há mais de três semanas, só na 4ªfeira ficou pronto e mesmo assim nesse dia ainda tive que decidir como ficava o invólucro. Adorava que no Natal isto estivesse nas mãos “dele”.
A Agenda – És uma chata, mas também és uma querida, deixa-me consultar melhor as minhas notas. Entretanto devo dizer-te que prescindo do que me ofereceste, não acredito que  “ele” gostasse de me ver vestida … ele gosta de me ver ao natural!
A Chata – Tu sabes muito… mas és boa em guardar segredos, aliás é o que uma prestigiada agenda deve fazer em relação ao seu dono, não revelar o que preenche a calendarização.
A Agenda – Encontrei um "micro buraco de verme” (1) entre duas “obrigações”, aceitas esta solução?

A Chata – Iupi! Então não “houvera” de aceitar! Vou numa corrida! Coloca lá o meu nome! Abracinho, abracinho, até breve…

(1) buraco do verme, buraco da minhoca ou wormhole é um caminho hipotético, um atalho através do espaço e do tempo (considerado válido pela relatividade geral). Em analogia pode-se exemplificar com uma lagarta que fura uma maçã de um lado ao outro (um atalho) em vez de andar rastejando por toda a casca até encontrar o ponto que quer.


l.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TERCEIRA IDADE

Estou na terceira idade dizem aqueles que se sentem velhos, estou no inverno da vida dizem outros, eu digo que estou na estação das colheitas…


quinta-feira, 23 de maio de 2013

REMODELAÇÃO







BLOGUE EM REMODELAÇÃO

PROMETEMOS SER BREVES

sábado, 11 de maio de 2013

DOÇURA OU DIABRURA CXIX

Cá estou eu, em fim de semana, desta vez ouvindo o chilrear dos pássaros, sinal que estou toda "arrebitada"! Dá forte mas rapidamente se desvanece. E foi também, rapidamente, que a semana passou voando!

Claude Monet
CAMINHAR

Caminhava na rua
descalça mas nua
corria nas nuvens
voava com o vento
num sopro do tempo.
Mas era feliz
porque era menina.

Habitava as estrelas
das fadas mais belas
namorava com o mar
com as ondas baloiçando
os cabelos voando.
Mas era feliz
porque era menina

Também era flor
uma esperança, rancor
de não ser valente
queria ser princesa
e foi sempre "Teresa".
Mas era feliz
porque era menina.

Às vezes coração
outras solidão
nascera contente.
Sonhava? Vivia?
Nem ela sabia.
Mas era feliz
Porque era menina.

Maria Idina Morgado Carvalho
Autora incluída na colectânea "Incomensurável" (poesia) coord. de Ângelo Rodrigues, 13 autores, Ed. Minerva,2000

AGORA CHEGOU A ALTURA DE ENVIAR BEIJINHOS EMBRULHADOS COM RECOMENDAÇÕES PARA UM FIM DE SEMANA APROVEITADO AO SEGUNDO, COM MUITOS SORRISOS E COM SOL NO CORAÇÃO!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

SILÊNCIO

Estou sentada na salinha do meu Refúgio, não oiço nada lá fora, está um silêncio tão grande que me chamou a atenção, que me desviou da leitura que estava fazendo e me fez abrir o computador , colocá-lo sobre o colo, coisa rara de acontecer, normalmente faço-o sentada a uma mesa e fez emergir do meu eu interior, uma vontade imensa de registar o que sinto.

Porque não oiço os cães da aldeia? Porque não oiço vozes indistintas? Porque não oiço o vento? Este silêncio acalma-me mas temo-o! Será possível acontecerem estas duas situações tão antagónicas?

Não estou surda, acabei de ouvir a minha voz! Falo muitas vezes em voz alta, será que gosto assim tanto de me ouvir? Será que me sinto só, eu que sou gregária e raramente estou sozinha? Estarei a ficar senil? Não me parece!
A solidão forçada também me atemoriza, espero nunca a vir a sentir na vida.

“ O silêncio é de ouro” diz o povo e é, é-o quando o “barulho” serve para “agredir” quer com poluição sonora, quer com palavras carregadas de hipocrisia, de agressividade, de falsas promessas… Hoje este silêncio não é de ouro, é de chumbo, pesado e cinzento…