terça-feira, 30 de abril de 2013

NAMOROS

A I. com metade da idade que tem hoje

Há alguns meses, enquanto o sol nos visitava, numa esplanada de um café da aldeia que me acolhe, esporadicamente há 37 anos, debaixo de dois plátanos, tratados de modo a crescerem só para os lados e ligados entre si, eu e a minha neta I., conversávamos, conversa de mulheres, como costumo dizer,…
Não prometo que o diálogo tenha sido exatamente assim, não ficou gravado, mas vai ficar escrito na sua essência.

-Ó vó, sabes que há muitos namorados na minha escola?
-Sim? E tu namoras? (eu sabia que ela dizia que namorava o G. e que este tinha “ocupado o lugar” de outro G.)
-Ó vó, não é isso, são muitos outros!
-Quais outros?
-Olha a professora (?), namora com o professor F!
-Como é que sabes?
-Vi-os de mãos dadas! Mas a “não sei das quantas” gosta do “não sei dos quantos”, o (?) gosta da (?) (…) e a D. e a A. gostam do G.
-Do G.? Mas esse não é o teu namorado?
-Pois é! Mas eu enfrentei-as (sic) …

A minha cara que se tinha mantido com um esgar de seriedade, perdeu-o totalmente, dei uma sonora gargalhada que fez virar a cabeça a todos os que estavam na esplanada, foi incontrolável…

A conversa não ficou por aqui mas eu cheguei ao "ponto" a que queria chegar.

A  I. anda no 1ºciclo numa escola pública e vai lá ficar mais uns aninhos, vejo-a como uma criaturinha que ainda há pouco deixou de usar fraldas, achei este “enfrentei-as” como um marco que, enquanto tiver memória, nunca mais esquecerei.

domingo, 28 de abril de 2013

DOÇURA OU DIABRURA CXVIII

Pormenor de uma tela que pintei há dias
Porque  hoje é domingo, um fim de semana quase a terminar, com um feriado que o antecedeu e outro quase a chegar, não o quis deixar sem que aqui fique marcada a minha presença com a rubrica deste espaço temporal.
O tempo voltou a fazer-nos uma partida, o frio e o vento instalou-se .... penso no Outono! Vivemos num espaço de ilusão



ILUSÕES

.O teu sorriso poisou, por mero acaso à minha porta.
num bater de asas morno.
Vieste na nudez da tua graça de menino
na sedução macia, esguia
do teu dar, do teu ser e do teu estar.
De ti, só sabia o medo 
de seres pássaro livre.
Trazias-te por descobrir.
De mim, só sabias talvez,
a beleza do instante
de todos aqueles instantes que tu captas.
Ilusões...
Descobri o mundo por detrás do teu olhar.
Era belo o teu mundo, mas não me enfeitiçou
Tu és só desejo, nada alma.
Tu és só loucura, nada calma.
Respiras, 
como se nos teus lábios passasse
todo o azul dum corpo de mulher...
e nada descobriste deste lado de cá
do oceano onde navego
Não quiseste o sol da minha porta
Eu não quis o rodopio do teu voo.
Ensinaste-me a ousadia no olhar
quis mostrar-te a ousadia no sentir.
E depois, mais nada.
Só o voo fascinante e casual
daquele pássaro azul na noite
qual flash embriagado de prazer.

Vera Faria (Histórias de Amor ???)

O TEMPO ESTÁ A "INCOMODAR-ME", PRECISO URGENTEMENTE, DE CAPTAR ENERGIA CÓSMICA, MAS ISSO NÃO ME IMPEDE DE VOS DESEJAR UM DOMINGO RECHEADO DE DOÇURA, UMA DOÇURA SEMELHANTE A BEIJOS DADOS COM CARINHO E AMIZADE!

PARA TODOS OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ABRIL

PORQUE HOJE É ABRIL





Fotografias de Alfredo Cunha "retiradas" do livro 
O DIA 25 DE ABRIL DE 1974
76 FOTOGRAFIAS
E UM RETRATO
(editora Contexto)


" Eu a comandar um esquadrão de carros de combate pela Avenida da Liberdade abaixo...havia de ser bonito" Salgueiro Maia para Baptista da Silva, ambos oficiais da 9º companhia de comandos "Os Fantasmas".
 
" Com o despertar da manhã, são centenas as pessoas que observam boquiabertas o desfile da coluna em direcção ao Terreiro do Paço. Também os agentes da autoridade que estão de serviço na via pública hesitam entre facilitar a passagem da coluna ou interceptá-la a ordens do comando. O mesmo comando que ignorara, às três da madrugada, um alerta da polícia de Santarém, informando que saíra da Escola Prática um significativo contingente militar. A resposta de Lisboa é tranquilizadora: "Não se preocupem com isso. São manobras, não é nada connosco" António de Sousa Duarte, "Salgueiro Maia-Um Homem da Liberdade, Edições ASA.

(...)

ABRIL "existiu" não podemos deixar que grande parte das liberdades que neste dia foram conquistadas, sejam apagadas da MEMÓRIA!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

PETRA


A Petra, uma das minhas amigas de 4 patas, partiu ontem à noite, dela e dos seus e meus amigos já neste cantinho "falei"!
No seu papel de espia
Quem gosta de animais, principalmente daqueles que convivem connosco, sabem bem o que se sente quando partem e das saudades que ficam. Saudades que se vão diluindo com o passar dos dias e com outras ocorrências da vida. Com esta partida isso vai acontecer mas, simultaneamente, um alívio imenso é sentido por mim, era uma pastora alemã que sofria de epilepsia (doença bastante vulgar nesta raça) , embora cuidadosamente medicada, tinha ataques violentíssimos precisando, algumas vezes, de ajuda veterinária pois feria-se com alguma gravidade. Entretanto, com o avançar da idade apareceu-lhe displasia da anca, tinha que tomar analgésicos, mesmo assim havia dias em que a andar arrastava as patas traseiras e via-se-lhe o sofrimento nos olhos.
Partiu! Deixou os meus netos chorosos! Eu fiquei um pouco triste! Este ano pela altura das férias dos seus donos, o meu serviço de babá de cães, terá menos um elemento. O Freddy  (o mijão) e o Ruca (o ciumento) ficaram sem a sua protetora! Para mim vai ser mais fácil, não há a “prisão” dos medicamentos e os "outros" posso trazê-los para ficarem comigo, escuso de ficar em casa da minha filha.
Já não precisarei de fingir que ela era ferocíssima, fechando-a no canil, quando alguém desconhecido, encarregue de algum serviço, entrava na propriedade, Ela conhecia bem todas as deixas dessa cena! Eu puxava-a pela coleira, ela olhava para mim, talvez pensando; esta está tola, eu sou tão obediente, basta dizer-me “casa” que eu vou sem ser preciso agarrar-me!
Era muito dócil, muito cuidadosa com as crianças e com os outros dois cães, muito mais pequenos do que ela.
Para os meus netos esta é o primeiro animal de que se despedem, vai marcá-los, mas será sem dúvida uma lição de vida!

sábado, 20 de abril de 2013

DOÇURA OU DIABRURA CXVII


As minhas Doçura ou Diabrura andam um pouco afastadas do objetivo do seu nascimento, dar a conhecer poetas portugueses menos conhecidos e que falem de afetos, com incidência no AMOR e, aproveitando a boleia, deixar os meus "cumprimentos" de fim de semana.

Como os meus livros de poesia foram passar o inverno a Lisboa e ainda não regressaram para o Refúgio, uso o "material" que tenho à mão...
 Hoje as palavras são minhas!

"Sentir uma mão apertando a minha, uma mão que acaricie o meu rosto, o meu corpo,... É uma doçura! É uma diabrura! 
Não foi qualquer mão foi a  "mão"! A tua mão! Que saudades tenho dela, mão bonita, mão de homem, mas sempre tão suave no toque! Ficavas tão embebecido quando eu te as elogiava... 
O Amor nasce sem  nos apercebermos do momento exato, no entanto,recordo-me bem, quando te conheci e   as vi, que tive um desejo imenso de lhes tocar,  uma atração que não foi fatal... uma atração que se tornou árvore, uma árvore com muitos ramos, muitas folhas, muitas flores  e  que deu frutos !


As mãos são como borboletas, devem esvoaçar  em suaves toques!" Maria Teresa


HOJE PERDI-ME EM DEVANEIOS PELO PASSADO! DURANTE ESTE FIM DE SEMANA PERCAM-SE TAMBÉM NOS VOSSOS!

BEIJINHOS EMBRULHADOS EM PAPEL A REFLETIR  OS RAIOS DO SOL QUE, NESTE MOMENTO, ME AQUECEM O CORPO E O CORAÇÃO!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

NÓS

Claude Monet

Neste poste as “ palavras” não são minhas, mas gostava de as ter sabido escrever. Vieram diretamente da minha Amiga poeta, a Maria Dolores Piteira, que tem sido referida neste cantinho.
Ao lê-lo, senti que em poucas palavras ela nos descreve em ligação com o mundo que nos condiciona.


           


Reinventar


                Crescemos
                e nos resguardamos.
                É a solução,
                porque os tempos são lentos na mudança
                e o mundo é uma força
                inusitada,
                bruta e perdida
                que, nem sabe porque está aqui.



               Talvez à procura de flores.
               Mas nos passos planta desertos
               e no olhar solidões.


               O mundo é um teatro de gestos de aparências,
               aventuras por redescobrir,
               essências de viver
               entre o pensar e o fazer
               acção condimentada da coerência
               e,
               um lugar por reinventar.




                                         M. Dolores Piteira

                                            16/04/2013


Querida Maria Dolores, agradeço a honra que me dá por me  oferecer poemas seus inéditos e permitir que os "use"!
Bem-haja!
Maria Teresa

domingo, 14 de abril de 2013

ESTAR LIVRE

Renoir
Ela aproxima-se do motorista de táxi, parado nas chamadas “praças” e interroga: Está livre? Ele responde sim ou não! Se estiver livre ela acomoda-se no banco traseiro, caso contrário parte em busca de outro, motorista e táxi.
Ela entra num parque de estacionamento e verifica se há um lugar livre para estacionar o carro, nunca lhe passaria pela cabeça estacionar num lugar já ocupado, não é tão tola como às vezes parece.

O “estar livre” ou “ser livre” pode não ter uma definição quando ligada a ações humanas, pensa ela. Mas pensa mais … ninguém é totalmente livre, a vida traz sempre condicionantes, todos são prisioneiros de afetos , responsabilidades, pressões exercidas pelo mundo envolvente (inclusivamente familiar), ela sente-se livre apenas pontualmente.

Ela fica confusa, sensação ultimamente bastante familiar, quando num contexto de conversa amena, com um ser virtual, muito “alongada” num curto espaço de tempo, sobre temas inócuos, mas muito centrados nos “eus” de cada um dos companheiros de diálogo, fala no “ser livre” e a resposta é habilmente desviada para um campo a “dar” para o filosófico.
Ela não entende porque é que o parceiro de diálogo, quando no meio das “pequenas confissões desvendadas”, quando até já se tinha levantado a hipótese da virtualidade poder passar a realidade, não entendeu ou fingiu não entender o que significava, naquele contexto, ser livre…

Ela não gosta de se sentir confusa! Ela é uma mulher pragmática!
Ela questiona-se e remete-se à continuação da leitura do romance que tinha começado a ler!