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| Renoir |
Ela entra num parque de estacionamento e verifica se há
um lugar livre para estacionar o carro, nunca lhe passaria pela cabeça estacionar num lugar já
ocupado, não é tão tola como às vezes parece.
O “estar livre” ou “ser livre” pode não ter uma definição
quando ligada a ações humanas, pensa ela. Mas pensa mais … ninguém é totalmente
livre, a vida traz sempre condicionantes, todos são prisioneiros de afetos ,
responsabilidades, pressões exercidas pelo mundo envolvente (inclusivamente familiar),
ela sente-se livre apenas pontualmente.
Ela fica confusa, sensação ultimamente bastante
familiar, quando num contexto de conversa amena, com um ser virtual, muito “alongada”
num curto espaço de tempo, sobre temas inócuos, mas muito centrados nos “eus” de cada um
dos companheiros de diálogo, fala no “ser livre” e a resposta é habilmente desviada
para um campo a “dar” para o filosófico.
Ela não entende porque é que o parceiro de diálogo,
quando no meio das “pequenas confissões desvendadas”, quando até já se tinha
levantado a hipótese da virtualidade poder passar a realidade, não entendeu ou
fingiu não entender o que significava, naquele contexto, ser livre…
Ela não gosta de se sentir confusa! Ela é uma mulher
pragmática!
Ela questiona-se e remete-se à continuação da leitura do
romance que tinha começado a ler!



