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| A Maqueta |
João é um
rapaz com 10 anos mas com “manias” de
adolescente, é preciso, muitas vezes, clamar pela Santa Paciência para se
conseguir “aturar”.
Nestas
férias pediu, ao núcleo familiar, ajuda para fazer um trabalho, para ser
apresentado na escola, sobre tipos de relevo. Houve eleições e a eleita, que
por sinal até não votou, nem sequer estava presente, foi a avó.
Decidido ficou
que o “dito” ia ser apresentado na forma de maqueta e trabalhado em barro.
Num dos dias de férias natalícias lá marchou a avó, de Lisboa, onde presentemente se
encontra mais, para casa dele na zona de Sintra. Lá chegada, a pobre da velhota, encontra o neto ainda de pijama, sentado em frente ao plasma, a “degustar” um
jogo de futebol. Como devem calcular não foi muito bem recebida, eram 10 horas da
manhã, ... “cedíssimo” dizia ele!
Puxando
dos seus galões a “dita”, como não era obedecida, desligou a televisão! Gritos
de protesto, orelhas moucas, as da avó! O João não teve outro remédio, foi
mesmo arranjar-se e acabar de tomar o pequeno-almoço.
Surpresa,
das surpresas! O galito pimpão surge todo "apinocado", até um cachecol, deste
todos modernos trazia…Para quem ia mexer em barro, a vestimenta era a mais
“adequada”! A avó, que aprendeu a disfarçar muito bem em certas situações, teve
que fazer um esforço imenso para não soltar uma enorme gargalhada, porque em
abono da verdade, ele estava lindo! Lindo para ir ao cinema ou a outro lugar
afim, ... para mexer em barro e tintas, jamais!
Para não
existirem mais atrasos, a vestimenta ficou e para cúmulo da sorte não sofreu danos!
Depois de
alguns “rosnados“ e outras peripécias, na presença de outras personagens que
entretanto entraram em cena, a mãe e a irmã, a maqueta foi avançando a três
pares de mãos pois, o planalto
foi moldado pela mana, no fundo a mais pequena e a mais entusiasmada.
Os últimos
retoques, a pintura e a legendagem já foram serenos e… ao fim de cerca de duas
horas, a maqueta estava dada como terminada e com o aspeto que a foto apresenta!
Garanto-vos
que a avó suspirou de alívio!
P.S.- Um
dia depois, ouviram-se “gritos de socorro”, quase que se teve que chamar a
proteção civil, durante a secagem houve um “sismo”, a planície abriu fendas e
uma das casas ruiu. Quem acudiu ao “criador” foi a mãe, depois de “auscultar” a
avó (esta começou a ver a vida a andar para trás), que remendou as fendas com
massa de enchimento e depois retocou a pintura.
Estão todos
em suspenso, à espera da apreciação da professora mas, pelo que já “toparam”,
muito vão ter que esperar!