Durante o mês que terminou deu-me uma
vontade imensa de fazer remodelações, renovar, renovar, renovar,…era a palavra
que insistia em bater, com alguma delicadeza, na minha cabeça. Não renovar o corpo
físico que esse é meu, é único, é o original, vou-o tratando bem, mas nada de
alterações como hoje está tão na moda. Queria arejar os espaços físicos para
que o interior da minha louca mente, dos meus negros pensamentos, também
aproveitasse.
Comecei pelo sótão e pela arrecadação,
os sítios menos improváveis para tal efeito pensarão alguns.
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| Vista "panorâmica" da janela do meu sótão |
Na arrecadação espero só entrar e sair,
no sótão vou permanecendo, qual “(A)Princesinha” (lembram-se dos contos da
condessa de Ségur, da coleção azul) fechada no sótão do colégio por ter passado
ao estatuto de pobre.
Neste local, que ficou tão convidativo
que até os meus netos querem vir para cá fazer os trabalhos de casa, tenho-me reencontrado
com os meus sonhos, com a tranquilidade desejada, com o ar leve que precisava
de respirar, …
Aqui estou a recomeçar a concentrar-me
nas minhas leituras que tão bem me fazem, sinto-me longe dos problemas que
grassam lá fora, oiço o ladrar dos cães, o chilrear dos pássaros que andam
muito baralhados com o clima ameno impróprio desta época. Neste preciso momento, oiço vozes de mulheres falando mas não consigo, nem quero entender o que dizem,
prefiro tentar adivinhar e imaginar uma história,… devanear.
Olhando pela pequena janela vejo um espaço,
espaço me deixa apreciar uma zona campestre, salpicada por pequenas casas,
cortada ao fundo, na linha do horizonte, por uma serra.
Estou revivendo! Estou tranquila! Hoje
sou ÁGUA!
Deixo-vos espreitar uma parte dessa
minha vista rural, apenas um pequenino ângulo!