terça-feira, 16 de outubro de 2012

COLORIDO DE VIDA

A máscara é pequena, aqui pode-se comparar o tamanho
Pormenores da pintura

Há mais de 30 anos, o escultor Abel dos Santos, improvisou um cinzeiro que, nas reuniões, passava de mão em mão. Moldado em barro, muito tosco, feito num momento, eu que nunca fumei, via no seu esgar a morte, acreditava que transportava um aviso camuflado do seu criador. 
Abel dos Santos partiu há pouco tempo, esse cinzeiro encontrava-se em meu poder há décadas, era eu que presidia a essas reuniões, quando deixei de o fazer o Abel, um Homem de uma criatividade enorme, um Amigo que todos respeitavam, sempre disposto a ajudar tudo e todos, deixou-me ficar com a máscara.
Muitas de nós chamávamos-lhe: Mestre!

Não me perguntem porquê, mas ao fim de todo este tempo, deu-me uma vontade louca de lhe dar "colorido de vida" e a pintura resultou no que podem ver nas imagens.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CIV


Trrim, trrim, trrim,…toca a campainha, é o fim de semana a chegar, mais um, com ele o sol presenteia-nos com a sua presença. Eu volto, cada vez mais Eu, para vos deixar mais uma poesia.


Quadro trabalhado com areias por moi même. O desenho não é original, foi copiado de uma revista da qual não me lembro o nome.


A fuga dá-se
Pelo lado inatingível
Do eu
Até que o outro do lado finito
Do ser
Reclama a parte
Do sonho
Que fugiu.

Armando Taborda (em SonhoGrafias, Universitária editora)


Para todos o fim de semana que tanto desejaram, a acompanhar-vos os meus Beijinhos Embrulhados!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O ELEFANTE


Não, não é o elefante indiano que D. João III enviou, com pompa e circunstância, para o seu primo o Arquiduque Maximiliano da Áustria e que tão badalado é na “Viagem do Elefante” de José Saramago. Esse viajou no tempo e pelo espaço territorial.
Este elefante apenas viajou no tempo, as viagens, se tal se podem chamar, foram muito curtas, curtíssimas.
Foi adquirido por mim, em “bruto”, para o pintar e oferecer a alguém, de origem indiana, que amei como filha, que ainda hoje ocupa e ocupará um bocadinho do meu coração mas que, as voltas das nossas vidas afastou.
Repousou largos anos na arrecadação do meu Refúgio, primeiro porque o tempo era escasso para poder tratar dele convenientemente, depois porque caiu no esquecimento.
Com as obras que por aqui têm decorrido, ele imergiu de uma arca que há muito não era aberta (uma vergonha para mim).
Senti necessidade de lhe dar um fim, esse começou ao ser pintado e fi-lo de acordo com a sua condição de elefante indiano.
Para onde irá parar? Confesso que não sei! Mas acredito que terá um destino, um destino com um “final feliz “

Alguém duvida?

Ora digam lá se eu não sou habilidosa? Até pode "não fazer o meu estilo" mas ficou ao "point"!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ENCONTRO INESPERADO


Sentada na esplanada da aldeia onde existe o meu Refúgio, apreciando a sombra dos plátanos que a protegem, saboreando um fresquíssimo sumo de laranja e lendo placidamente o livro do momento, tive um encontro inesperado com a Mentira.
Como era bela e insinuante, tinha cara de anjo, se os anjos tivessem cara, era diáfana como uma fada e movia-se com uma leveza comparável ao voo de uma borboleta.
Fiquei fascinada, rendida, feliz por a conhecer! Recebi-a de mãos estendidas, aninhei-a no meio seio e amei-a.
Ignorava o seu nome tratava-a por Amiga.
Aos poucos as cores que a compunham foram-se esvanecendo, comecei a ver para além do seu aspeto corpóreo, cores mais escuras, cada vez mais escuras, … até que descobri como se chamava! Mentir estava na sua natureza!

A mentira acaba por destruir quem a usa e magoa muito quem acredita nela.

domingo, 30 de setembro de 2012

AS MINHAS MÃOS

As minhas mãos estão vivas, bem abertas, sempre estiveram prontas a acolher quem nelas quisesse depositar as suas tristezas, as suas alegrias, os seus afectos, as suas emoções, as suas vitórias, as suas derrotas... 
Ainda estão quentes, chegará um dia em que ficarão frias, mas estão a fechar-se...cansaram-se de serem mal interpretadas, mal aproveitadas, negadas, feridas, desprezadas...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


DOÇURA OU DIABRURA CIII

Mais um fim de semana em que se prevê uma manifestação popular, sinal da revolta de um povo sereno mas que sabe dizer: basta!

Passaram-se semanas desde que escrevi a  Doçura ou Diabrura anterior, para hoje escolhi um poema muito leve.


Tela pintada por Pascal Chôve

 A respiração é leve
e serena
a manhã cresce cálida
e rútila

na pele

o corpo
não deseja
vestir-se.

Armando Taborda (in SonhoGrafias, Universitária Editora)


PARA TODOS OS QUE ME CONTINUAM A VISITAR UM SERENO  FIM DE SEMANA E O MEU MUITO OBRIGADA!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

FOLHAS CAÍDAS


O tempo mudou, o outono está decidido a provar que existe, uma aragem faz-me arrepios, tenho que vestir um casaco.
O chão começa a ficar coberto com as folhas dos plátanos que circundam o jardim infantil da aldeia.
Eu, olhando em redor, para detetar se alguns olhares menos discretos me estão observando, piso-as com prazer, adoro ouvir os estalidos que dão, não são gemidos, são cânticos de alegria de árvores que se despem para se renovarem.
Aprendo com as árvores…

PS- Retirei esta fotografia do mural da Teresa Verde