quarta-feira, 11 de julho de 2012

DECISÃO

(Continuação da INDECISÃO)
 Decidiu e, com a rapidez de um felino, trepou pelo muro que lhe estava perto. Rente ao lado interior deste e dos seguintes, chegou à quinta dela. Parecia um homem invisível, não fazia o mínimo ruído, não lançava odor, nenhum cão das vizinhanças acusou a sua presença. Os locais por onde se deslocava eram-lhe muito familiares, tinha-os memorizado ao milímetro. Na janela da sala por uma fresta de cortinados mal corridos, viu luminosidade, espreitando, observou-a bonita como sempre, sentada na poltrona de orelhas com um livro na mão.

Entretanto ela como não tinha conseguido chamar o senhor do sono, decidira continuar a leitura do livro que iniciara no dia anterior…mas as palavras que lhe passavam pelos olhos não lhe chegavam ao cérebro. Pensava na última conversa que tivera com ele sobre a suspeita, que passava de boca em boca na aldeia, de que por ali estavam a viver vários elementos de um grupo de terroristas muitíssimo perigosos, matavam quem quer que pudesse ser uma ameaça para a sua segurança. Ele não dera grande importância ao aviso, até lhe dissera que provavelmente andava a ler muitas histórias da carochinha, num local bucólico como aquele, essa suspeita não assentava.
Esta conversa tinha acontecido há quase oito dias e ela nunca mais tinha tido nenhum contacto com ele. Que lhe teria acontecido? Estaria zangado?

Ele para não a assustar, bateu levemente na vidraça, ela fez um gesto a indicar-lhe a porta e dirigiu-se  também para lá…Abriu-a e recebeu-o de braços abertos e ele disse-lhe: “Não digas nada, abraça-me apenas…” (sugestão da Pitanga Doce adaptada)
Abraçados entraram na sala e enquanto a conduzia abraçando-a com o braço esquerdo, apunhalava-a com a mão direita, e sussurrava-lhe ao ouvido: nunca deixo ninguém que me possa reconhecer ficar para trás e tu minha querida sabes de mais!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

INDECISÃO

Imaginava-o em frente ao telefone sem capacidade de decisão: “ligo ou não ligo?”
Ela tinha decidido que não o faria, as horas foram passando, passou a tarde numa ansiedade imensa, mal comeu durante todo o dia, anoiteceu…o sono não chegava, levantou-se, bebeu um copo de leite, aproximou-se da janela da cozinha e viu a rua  deserta.

A rua encontrava-se feericamente iluminada, isso irritou-o, sentiu-se frustrado, preferia um negrume para que pudesse passar despercebido, confundindo-se com os muros maltratados das quintas que por ali existiam há mais de duzentos anos.
Que situação tão estranha, seria normal que todo o local se encontrasse apenas iluminado pela luz difusa da lua quase nova.
Hesitou! Que devia fazer? Adiar os planos estudados ao mais ínfimo pormenor? Tanta iluminação iria tornar a sua decisão numa missão quase impossível.
Não podia hesitar, seria naquela noite ou não teria outra oportunidade.
Decidiu-se e…

sábado, 7 de julho de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CII

A semana que está acabando foi pródiga em aõs, aõs,…Foi uma semana em que estive a fazer o papel de ama aos meus amiguinhos de 4 patas.
Tive os dias bem preenchidos!
Jesus Bessa

A VOZ DO TEMPO

Veio a Voz, a falar-me do tempo futuro…
E, eu disse que, ISSO, eu não queria fazer…

Mas, noutro dia, veio a mesma voz,
E disse-me:

Então, faz ISTO, se te alegra mais…

E, eu olhei para dentro de mim,
E sorri-me deste viver sonhando hoje,
Sem eu o desejar…
E disse p´ra mim:

Oxalá!...
Oxalá!...
Oxalá!...

Agora eu vivo na ilusão
De que isso acontecerá.
Maria Alice Peixoto (in Poiesis vol.XV, editorial Minerva)


DE UMA COISA TENHO A CERTEZA, NESTE MOMENTO, ESTOU A DESEJAR-VOS COM O CORAÇÂO UM FIM DE SEMANA COMO CADA UM DE VÓS SONHOU E A ENVIAR-VOS TONELADAS DE BEIJINHOS EMBRULHADOS!



quarta-feira, 4 de julho de 2012

ROTUNDAS


Por altura da Páscoa fugi até ao sul de Itália, iniciei o passeio em Nápoles e visitei toda a Costa  Amalfitana, andei por caminhos “normais” e pasme-se só encontrei duas rotundas! Soltei gritos de espanto!
Esta introdução foi para vos dizer que andei pela “sola e pelo salto da bota”, aconselhar-vos o passeio, não ligarem muito à educação dos italianos, caso contrário andam sempre a chamar-lhes mal-educados (há muitas excepções, como felizmente, não podia deixar de ser) e para vos falar das nossas rotundas (sem conotações políticas).
Mais do que é costume tenho passeado de carro e não só, pelo nosso país, por estradas e estradinhas e, em tudo que é “sítio” encontro uma rotunda, com um enorme, um médio ou um pequeno diâmetro. Parecem ervas daninhas, nascem a uma velocidade estonteante e, por vezes, de tal modo “tão bem sinalizadas”, que quem fica tonta sou eu por ter que as circundar mais do que uma vez.
Rotunda  das Pirâmides (em Mirandela)
Por acaso, apenas por acaso (estou numa de humor negro, não quero insultar ninguém, esta lei é diferente noutros países europeus), conhecem muito bem a lei que rege o modo como se circula nas rotundas  e se sai dela? Acontece que eu conheço-a mas estou arrependida de a conhecer, sou bastantes vezes “buzinada” ou insultada porque faço tudo como manda a lei, ainda não me bateram e espero que não o façam porque, talvez o perito do seguro também não a conheça e decida que eu é que sou culpada. Um motorista de táxi (onde ia como passageira) errou, sem saber que estava a errar, apitou à condutora que procedera correctamente. Quis tirar meças comigo quando tentei, apenas tentei, explicar-lhe como era a lei, mas a cabeça dele era muito dura e a minha muito frágil.

Desafio: Como é que se deve proceder?

Não se coíbam de comentar, até me podem chamar maluca se quiserem, eu continuarei a chamar-vos queridos porque vocês o são!

E VIVA PORTUGAL O PAÍS DAS ROTUNDAS!!! 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

DOÇURA OU DIABRURA CI

Está quase a terminar mais uma semana do nosso calendário e com ela vamos dizer adeus a São Pedro que tantas partidas nos tem feito este ano.Para o ano os Santos Populares vão voltar, este ano pouco ou nada, dei por eles, até as sardinhas já não são o que eram.





Há tempos falava de amor
quando o ego me reconhecia o direito de exigir que alguém me pertencesse
e eu me desse
exausta crisálida
sou agora borboleta de luz e sombra onde me perco
sem remorsos
e o amor flutua
fina camada de ozono no céu da memória

Armando Taborda (SonhoGrafias-Universitária Editora)

PARA TODOS UM FIM DE SEMANA CHEIO DE LUZ E MUITAS CORES!
BEIJINHOS EMBRULHADOS EM PAPEL COM AS CORES DO ARCO ÍRIS!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

FADO VADIO


A perspetiva de ir jantar e passar o serão com um grupo de pessoas gentis, bem-dispostas, generosas na sua camaradagem, deu-me um certo bem-estar, traduzido por uma agitação semelhante à que sentia quando era uma jovem adulta.
Ia ser e foi um serão diferente, muito mesmo!
Por uma viela engalanada, fazendo lembrar a aproximação da época dos Santos Populares cheguei junto do lugar previamente marcado. Em poucos minutos, o grupo foi-se compondo, trocaram-se efusivas saudações e rapidamente chegou o momento de entrarmos.
No primeiro andar esperava-nos uma sala preparada para nos deliciar, servindo um jantar e presenteando-nos com um espetáculo que não era surpresa, conhecíamos o “programa”!
Estávamos ali para ouvir cantar Fado, Fado vadio, boémio, cantado principalmente por homens e mulheres que, generosamente, exprimem emoções sem fins comerciais, fazendo-o apenas por amor ao Fado.
Servido o caldo verde e o bacalhau, regado com um vinho tinto encorpado, começou o espetáculo.
O apresentador vestido a preceito, sapatos reluzentes, e um certo ar castiço, difícil de descrever, iniciou a sua função falando um pouco sobre o que ia “acontecer” e mostrando também os seus dotes de fadista.
Seguiu-lhe uma longa lista de fadistas amadores, com vários níveis de talento, com desejos sinceros de exprimir, de evocar e de partilhar emoções. Versos simples, melodias e letras tristes, sobre o mar, o amor, o ciúme, … a fatalidade da resignação e a melancolia.
A Maria Severa, o conde de Vimioso e a Amália foram evocados.
A “grande poesia” esteve ausente! Mas ouviu-se o Fado cantado pelo povo e para o povo, um Fado genuíno e ingénuo, embora eu não saiba descrever o que é o Fado!

Amália cantava:

“Perguntaste-me outro dia/ se eu sabia o que era o Fado/ eu disse que não sabia/ tu ficaste admirado/ (…)/ Amor, ciúme, cinzas e lume, dor e pecado/ tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Fado (…)”

“O Fado nasceu um dia/quando o vento mal bulia/e o céu o mar prolongava/na amurada de um veleiro/ no peito de um marinheiro/ que, estando triste, cantava (…) (José Régio)

Eu apenas sei que o Fado descreve Portugal e os portugueses.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

DOÇURA OU DIABRURA C

Voltei a folhear os meus livros de poesia…há largos meses que não relia José Agostinho Baptista, o poema que hoje transcrevo e que já conhecia, tocou-me como se o lesse pela primeira vez, partilho-o convosco.
 

REGRESSÃO

Acendi a gardénia, o lótus, a violeta,
procurei o cedro do oriente e a dama da noite,
mas não conheci a sua beleza terrível,
o seu amor.
Bebi os chás do mundo,
malva, alecrim, alfazema e camomila.
Tinha muita sede.
Invoquei estranhos poderes, cálices sagrados,
magias.
Esperei.
Viajei em naves de ouro a caminho da lua e
sentei-me nos seus alpendres,
voltado para baixo,
para as muralhas de vidro de uma solidão sem
tréguas
E aí,
quando todas as portas se fechavam sem ruído
sobre o próprio coração,
vi a minha vida que passava ao longe,
como um albatroz a caminho do mar.
QUATRO LUAS de José Agostinho Baptista (Assírio&Alvim)

PARA TODOS UM FIM DE SEMANA COM CALOR HUMANO QB.
APROVEITEM OS DIAS AO SEGUNDO!
BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS!