quarta-feira, 20 de junho de 2012

BONITO

Há mais ou menos um mês, sei o dia exato mas não preciso de revelar tudo, conheci-o! Não me apaixonei, nem estou apaixonada, mas gosto dele, não é muito bonito mas é bonito, é elegante, meigo e paciente. Nem calculam quão paciente é para me aturar!
“Hoje” conheço-o melhor, visitei-o, como quem não quer “nada com ele”, na quinta onde vive e passámos a encontrar-nos com alguma regularidade. Percebo que também gosta de mim, aliás é “um pinga amor”, gosta de toda a gente… finjo que não sei, caso contrário era divórcio certo, embora ainda não nos tenhamos casado.

Parem de idealizar mais histórias…o Bonito é um cavalo e eu decidi frequentar uma escola de equitação!
Ainda não monto em sela e apenas faço volteio.
Montá-lo é um momento hilariante… A minha instrutora, quer que o faça como “deve ser” sem usar “escadote” ou instrumento semelhante, logo dobro a perna esquerda, ela dá-me um impulso, eu impulsiono-me e fico literalmente atravessada sobre o Bonito, como se fosse uma princesa de contos de fada a ser raptada por um príncipe, neste caso invisível (o Bonito até é quase branco). Nesta posição de saco de batatas, rodo sobre ele fico em posição de prancha e só então ergo o tronco e deixo cair as pernas, uma para cada lado, evidentemente.

Moral da história: Nunca tinha montado um cavalo, nem sequer um burro, era um dos meus sonhos por realizar…logo nunca podia passar de cavalo para burro, agora já posso… ( e aqui paro de escrever para não falar de política)

domingo, 17 de junho de 2012

TURBILHÃO


A minha mente fervilha! O meu coração sente e fraqueja! A força anímica que me tem acompanhado ao longo de toda a caminhada pelas estradas, vielas e becos da minha vida, abandona-me mais vezes do que eu alguma vez sonhei! O barco que conduz o meu destino adornou. Sou uma viajante cansada, cansada de lutar contra correntes, marés, vendavais,…
Um turbilhão de afetos faz-me dançar ao som de uma cacofonia sem nexo.
Aguardo que alguém desligue o gramofone!



terça-feira, 17 de abril de 2012

PARTILHA

A memória sozinha é pobre, as lembranças têm que ser partilhadas,quantas vezes procuro esquecê-las, tento renascer, mas a memória trai-me.
Fui ferida pelas garras de um felino que deixaram marcas semelhantes a uma tatuagem. Ainda sangro mas estou serena, respiro levemente e não me apresso nos gestos.
Convosco partilho o meu leve respirar e assim vou fugindo à parte do sonho que se desfez.

Pascal Chove (pintor francês contemporâneo que se dedica à pintura  de mulheres )

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DOÇURA OU DIABRURA XCIX

Sem grandes introduções, nem justificações, devo confessar que Florbela Espanca não está no grupo dos meus poetas preferidos, é muito triste, magoada, perturbada,...para o meu gosto. Acontece que durante esta semana tenho pensado muito nela, por motivos um pouco idiotas.
Penso que "fica bem" aqui, durante este  fim de semana, recordada pela voz do Miguel Falabela ( que é um gato...)



PARA TODOS DESEJO UM FIM DE SEMANA COM POUCO VENTO E MUITAS SURPRESAS AGRADÁVEIS! O MEU ESTÁ BEM PROGRAMADO...
NÃO! NÃO PENSEM QUE ME ESQUECI DE VOS ENVIAR OS MEUS BEIJINHOS, EMBRULHADOS COMO É HABITUAL!!!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

VENTANIA

Hoje o vento galopa sem freio que o impeça de refrear a sua traquinice, é como uma criança irrequieta, na plenitude da sua pujança, que desfolha árvores, flores,…derruba ninhos, deixando um rasto da sua passagem.




Gosto de o ouvir, gosto de o sentir no rosto e nos cabelos quando passa a trote ou a passo. Como está a viajar hoje odeio-o!
Pelas janelas do meu Refúgio vejo o chão ficar atapetado com folhas das nespereiras e das suas florzinhas brancas, da mulata e da romãzeira, os malmequeres dobram-se e os “cachos” da glicínia são obrigados a dançarem uma valsa louca.

Quero sentir um vento com toques suaves, com voz terna, murmurada…que me embale num sonho sem sono.

domingo, 8 de abril de 2012

SAUDADES

A viagem foi marcada há 3 anos com um ferro ao rubro. Nessa altura todos os amigos uniram forças, da forma em que cada um acreditava ser a mais adequada, para que a Necas adiasse essa viagem. Acreditávamos que faltava muito tempo para ela a realizar, mas na realidade tínhamos a certeza, que era impossível nunca a vir a fazer, mais cedo ou mais tarde todos a fazemos.
Ultimamente, por motivos óbvios, alguns de nós já não pensava assim, queríamos que ela embarcasse e partisse o mais rapidamente possível, porque amar é também “libertar”.
Partiu, levando consigo pedacinhos dos corações de quem a amava, numa viagem sem retorno! Foi há muito pouco tempo mas tenho a sensação de que foi há uma eternidade!
Tenho saudades, muitas, mesmo muitas …de uma amiga que conheci desde sempre! Brincámos juntas, crescemos juntas, estudámos juntas, “amadrinhámos” o casamento uma da outra, tivemos a mesma profissão, morávamos no mesmo prédio…No entanto, nas três últimas décadas, estávamos meses sem nos ver, a família que cada uma de nós construiu e a profissão, “roubou-nos” um convívio mais assíduo. No entanto, sabíamos que estávamos LÁ!



Eu sou mais velha do que ela 1 mês e 12 dias. No tempo em que andávamos sempre juntas, adolescência e jovens adultas, eu era alta e muito magra, ela baixa e gorduchinha, eu extrovertida e muito faladora, ela introvertida e calada, … ambas líamos, às escondidas dos nossos pais. romances da Corin Tellado e autoras afins, alugávamos esses livros nos Restauradores nuns homens ao lado do então cinema Eden. Sonhávamos com uma vida de romance pintado com as cores suaves de um arco-íris e esperávamos por um príncipe montado num belo alazão!
Hoje sei que não foi exatamente assim!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DOÇURA OU DIABRURA XCVIII


Tenho andado mascarada de turista, de viajante como diz o meu filho, acabei de chegar do Sul de Itália por onde passeei uns dias e encontrei bastantes italianos pouco simpáticos (relevei porque a causa deve ser da crise).
Gosto de pensar, sempre que abro o computador, o que raramente tenho feito e por pouco tempo, que desta vez vou manter o ritmo de 6 ou 7 meses atrás, “a ver vamos…”



TARDE DE MAIS

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar …

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor? ! …
Florbela Espanca, in sonetos  (Livraria Bertrand) 

Tendo em atenção a quadra festiva que em muitos pontos da Terra se atravessa, a todos desejo PAZ, AMOR, ... e ESPERANÇA!
BEIJINHOS EMBRULHADOS ( não resisto a revelar, os beijinhos são "AMÊNDOAS" recheadas ao gosto de cada um)