terça-feira, 17 de abril de 2012

PARTILHA

A memória sozinha é pobre, as lembranças têm que ser partilhadas,quantas vezes procuro esquecê-las, tento renascer, mas a memória trai-me.
Fui ferida pelas garras de um felino que deixaram marcas semelhantes a uma tatuagem. Ainda sangro mas estou serena, respiro levemente e não me apresso nos gestos.
Convosco partilho o meu leve respirar e assim vou fugindo à parte do sonho que se desfez.

Pascal Chove (pintor francês contemporâneo que se dedica à pintura  de mulheres )

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DOÇURA OU DIABRURA XCIX

Sem grandes introduções, nem justificações, devo confessar que Florbela Espanca não está no grupo dos meus poetas preferidos, é muito triste, magoada, perturbada,...para o meu gosto. Acontece que durante esta semana tenho pensado muito nela, por motivos um pouco idiotas.
Penso que "fica bem" aqui, durante este  fim de semana, recordada pela voz do Miguel Falabela ( que é um gato...)



PARA TODOS DESEJO UM FIM DE SEMANA COM POUCO VENTO E MUITAS SURPRESAS AGRADÁVEIS! O MEU ESTÁ BEM PROGRAMADO...
NÃO! NÃO PENSEM QUE ME ESQUECI DE VOS ENVIAR OS MEUS BEIJINHOS, EMBRULHADOS COMO É HABITUAL!!!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

VENTANIA

Hoje o vento galopa sem freio que o impeça de refrear a sua traquinice, é como uma criança irrequieta, na plenitude da sua pujança, que desfolha árvores, flores,…derruba ninhos, deixando um rasto da sua passagem.




Gosto de o ouvir, gosto de o sentir no rosto e nos cabelos quando passa a trote ou a passo. Como está a viajar hoje odeio-o!
Pelas janelas do meu Refúgio vejo o chão ficar atapetado com folhas das nespereiras e das suas florzinhas brancas, da mulata e da romãzeira, os malmequeres dobram-se e os “cachos” da glicínia são obrigados a dançarem uma valsa louca.

Quero sentir um vento com toques suaves, com voz terna, murmurada…que me embale num sonho sem sono.

domingo, 8 de abril de 2012

SAUDADES

A viagem foi marcada há 3 anos com um ferro ao rubro. Nessa altura todos os amigos uniram forças, da forma em que cada um acreditava ser a mais adequada, para que a Necas adiasse essa viagem. Acreditávamos que faltava muito tempo para ela a realizar, mas na realidade tínhamos a certeza, que era impossível nunca a vir a fazer, mais cedo ou mais tarde todos a fazemos.
Ultimamente, por motivos óbvios, alguns de nós já não pensava assim, queríamos que ela embarcasse e partisse o mais rapidamente possível, porque amar é também “libertar”.
Partiu, levando consigo pedacinhos dos corações de quem a amava, numa viagem sem retorno! Foi há muito pouco tempo mas tenho a sensação de que foi há uma eternidade!
Tenho saudades, muitas, mesmo muitas …de uma amiga que conheci desde sempre! Brincámos juntas, crescemos juntas, estudámos juntas, “amadrinhámos” o casamento uma da outra, tivemos a mesma profissão, morávamos no mesmo prédio…No entanto, nas três últimas décadas, estávamos meses sem nos ver, a família que cada uma de nós construiu e a profissão, “roubou-nos” um convívio mais assíduo. No entanto, sabíamos que estávamos LÁ!



Eu sou mais velha do que ela 1 mês e 12 dias. No tempo em que andávamos sempre juntas, adolescência e jovens adultas, eu era alta e muito magra, ela baixa e gorduchinha, eu extrovertida e muito faladora, ela introvertida e calada, … ambas líamos, às escondidas dos nossos pais. romances da Corin Tellado e autoras afins, alugávamos esses livros nos Restauradores nuns homens ao lado do então cinema Eden. Sonhávamos com uma vida de romance pintado com as cores suaves de um arco-íris e esperávamos por um príncipe montado num belo alazão!
Hoje sei que não foi exatamente assim!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DOÇURA OU DIABRURA XCVIII


Tenho andado mascarada de turista, de viajante como diz o meu filho, acabei de chegar do Sul de Itália por onde passeei uns dias e encontrei bastantes italianos pouco simpáticos (relevei porque a causa deve ser da crise).
Gosto de pensar, sempre que abro o computador, o que raramente tenho feito e por pouco tempo, que desta vez vou manter o ritmo de 6 ou 7 meses atrás, “a ver vamos…”



TARDE DE MAIS

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar …

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor? ! …
Florbela Espanca, in sonetos  (Livraria Bertrand) 

Tendo em atenção a quadra festiva que em muitos pontos da Terra se atravessa, a todos desejo PAZ, AMOR, ... e ESPERANÇA!
BEIJINHOS EMBRULHADOS ( não resisto a revelar, os beijinhos são "AMÊNDOAS" recheadas ao gosto de cada um)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

MÁSCARA

Eis-me de volta a sábado, dia 11, quando escrevi sobre o “Chanfrado” e afirmei que a “tarefa” da parte da tarde e fim do dia, tinha sido mais “fácil”.
O resultado está nas imagens que junto.
O meu neto tinha que se mascarar para desfilar no cortejo da escola e assim, como o tema era água/mar, disfarçou-se de aquário.


Na frente do “aquário” está um peixe que é o Nemo, coitado parece que tomou banho em lixívia! Quem o pintou, a minha neta, decidiu que o queria ver num tom de amarelo desmaiado e de preto quase cinzento (como aos artistas não se deve impedir a criatividade, ficou anémico).
Foi divertido estarmos todos empenhados nos recortes, pinturas, colagens,… de vez em quando surgiram “atritos”, ambos queriam pintar ou fazer o mesmo, mas com um raspanete lá passaram.
Também se ouviram “ameaças” da parte dela, não ia ajudar mais, ia sair da “equipa de trabalho”, porque o irmão não a deixava fazer já não sei o quê.
Até há dois anos os meus netos gostavam de se mascarar e eu, que até nem gosto muito da época, acompanhava-os, mascarava-me a rigor, como muitos de vós sabem e viram fotografias. Nesse passado tão perto acabava por me divertir bastante com eles! Os tempos vão mudando e as máscaras que eles usaram este ano foram quase uma obrigação.
Na escola fizeram o fato dela e assim ela foi o Nemo com as cores que todos conhecemos.
Para o ano há mais “carnavais” (ou será que vamos andar o ano todo mascarados?)


Fiquei nostálgica depois de escrever este poste!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

DOÇURA OU DIABRURA XCVII

Não vou fazer um resumo da minha semana, apenas afirmo que foi muito movimentada e diversificada, estou tranquila e tranquilidade é o estado de espírito de que mais preciso actualmente.
Nas minhas deambulações pela poesia de autores portugueses reencontrei este poema de amor, pleno de ironia que se adapta aos dias de hoje e dá um toque divertido à quadra em que estamos.





ART. 1056º DO CÓDIGO CIVIL

Oiça, vizinha: o melhor
É combinarmos o modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.

Passo os meus dias a vê-la
Bordar ao pé da sacada.
Não me tiro da janela,
Não leio, não faço nada…

O seu trabalho é mais brando,
Não lhe prende o pensamento,
Vai conversando, bordando,
E acirrando o meu tormento…

O meu não: abro um artigo
De lei, mas nunca o acabo,
Pois dou de caras consigo
E mando as leis ao diabo.

Ao diabo mando as leis
Com excepção dum artigo:
O mil e cinquenta e seis…
Quer conhecê-lo? Eu lhe digo:

“Casamento é um contrato
Perpétuo”. Este adjectivo
Transmuda o mais lindo pacto
No  assunto mais repulsivo.

“Perpétuo”. Repare bem
Que artigo cheio de puas.
Ainda se não fosse além
Duma semana , ou de duas…

Olhe: tivesse eu mandato
De legislar e poria:
Casamento é um contrato
Duma hora – até um dia…

Mas não tenho. É pois melhor
Combinarmos algum modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.
Augusto Gil ( Porto, 1873-1929 )

PARA OS FOLIÕES MUITO DIVERTIMENTO DURANTE ESTE FIM DE SEMANA, PARA OS OUTROS UM TEMPO DE DESCANSO...
EU AINDA NÃO SEI QUAL DAS OPÇÕES VOU ESCOLHER... TALVEZ UMA MISTURA DAS DUAS.
UMA CERTEZA TENHO! OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS VÃO A CAMINHO ...