Não vou fazer um resumo da minha semana, apenas afirmo que
foi muito movimentada e diversificada, estou tranquila e tranquilidade é o
estado de espírito de que mais preciso actualmente.
Nas minhas deambulações pela poesia de autores portugueses
reencontrei este poema de amor, pleno de ironia que se adapta aos dias de hoje
e dá um toque divertido à quadra em que estamos.
ART. 1056º DO CÓDIGO CIVIL
Oiça, vizinha: o melhor
É combinarmos o modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.
Passo os meus dias a vê-la
Bordar ao pé da sacada.
Não me tiro da janela,
Não leio, não faço nada…
O seu trabalho é mais brando,
Não lhe prende o pensamento,
Vai conversando, bordando,
E acirrando o meu tormento…
O meu não: abro um artigo
De lei, mas nunca o acabo,
Pois dou de caras consigo
E mando as leis ao diabo.
Ao diabo mando as leis
Com excepção dum artigo:
O mil e cinquenta e seis…
Quer conhecê-lo? Eu lhe digo:
“Casamento é um contrato
Perpétuo”. Este adjectivo
Transmuda o mais lindo pacto
No assunto mais repulsivo.
“Perpétuo”. Repare bem
Que artigo cheio de puas.
Ainda se não fosse além
Duma semana , ou de duas…
Olhe: tivesse eu mandato
De legislar e poria:
Casamento é um contrato
Duma hora – até um dia…
Mas não tenho. É pois melhor
Combinarmos algum modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.
Augusto Gil ( Porto, 1873-1929 )
PARA OS FOLIÕES MUITO DIVERTIMENTO DURANTE ESTE FIM DE SEMANA, PARA OS OUTROS UM TEMPO DE DESCANSO...
EU AINDA NÃO SEI QUAL DAS OPÇÕES VOU ESCOLHER... TALVEZ UMA MISTURA DAS DUAS.
UMA CERTEZA TENHO! OS MEUS BEIJINHOS EMBRULHADOS VÃO A CAMINHO ...