Fui a um concerto na Gulbenkian inserido no tema generico MÚSICA NO
MUNDO e comecei a ficar consertada!
Assisti ao “Yair Dalal” * um grupo de 5
artistas que, usando instrumentos
musicais pouco usuais, presenteou-nos com a tradição musical judaica da Babilónia
(Iraque): música sacra, instrumental e cânticos de Bagdad e Jerusalém.
*Yair Dalal (homem que deu nome ao concerto) é um músico muito conhecido
a nível mundial, tem muito trabalho publicado, trabalho esse que reflecte um
enorme valor musical na música clássica e árabe.
A história do porquê da partilha musical feita por este homem é
muito interessante, cada cântico em si enriquece os nossos saberes…aprendi!
Para além das suas realizações musicais , Dalai é um pacifista, luta
pela remoção das barreiras ideológicas entre as diferentes culturas mundias,
com incidência, nas existentes entre Judeus e Árabes.
Gostei imenso do que vi e ouvi!
Ouvi sons que me fizeram lembrar a música cigana, a dança do ventre,…
o casamento, a glorificação, as peregrinações, a misericórdia, o perdão…
Tive pena de não entender a língua e da não
existir tradução (o que descodifiquei em termos de historial foi à posterior). Um
dos cânticos foi feito em aramaico.
Nunca tinha visto espectadores, na Gulbenkian, sairem antes do
espectáculo terminar, mas aconteceu, em pequenas levadas, e ao longo da
apresentação, sairam cerca de 60 pessoas ( o grande auditório estava cheio) penso
que o fizeram por uma questão de discriminação apenas, lamento que haja no meu
país quem não saiba separar o “trigo do joio”, que não saiba apreciar a Arte
pela Arte.
A minha companhia dormitou (poucas vezes, mas fê-lo)! E eu
interrogo-me:
Seria por estar comigo?
Seria porque a idade não perdoa?
Seria porque o concerto não lhe agradou?
Seria por qualquer outro motivo?