sábado, 29 de outubro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA XCIV

.Estou numa de mal humorada, muito triste mesmo! A semana não correu bem, de um desastre de viação inesperado e estúpido, um amigo de longa data partiu...
Mas a vida continua, com este espírito não vou deixar de "escrever" as DOÇURAS OU DIABRURAS.


AS TUAS MÃOS

Nos teus dedos,
Meu amor,
Há uma andorinha,
A graça e o condão
De uma varinha
Que desenha sortilégios
E os esconjura.
Há sinais
Que ficaram por rezar,
Sinais
Que sugerem suscitar
A beleza, a paixão,
E mesmo o pranto.
Jura,
Que as tuas mãos
Serão minhas delícias,
Que me trarão
Certezas e carícias,
E eu saberei a essência
Da ventura.
Jura,
Que as tuas mãos 
Me correrão
Em fogo lento,
As ondas das marés
Do teu tormento
E só minhas.
Canta!
Canta, meu enlevo,
Meu amor,
Ama!
Ama, cantando
Entregue 
Ao cantador,
Já que ele vive apenas 
Quando cantas!

Maria Lucília Bonacho ( in E o Fado Cantou-lhe Assim*, OÁSIS)

PARA TODOS UM EXCELENTE FIM DE SEMANA, NA COMPANHIA DE MUITOS BEIJINHOS EMBRULHADOS!

* Trata-se do primeiro livro de poesia da autora, dedicado à Amália Rodrigues. Toda a sua restante obra é em prosa.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

OUTONO


Estou péssima! Este Outono está dando cabo do meu bem estar! Quando penso que muitos de vós estavam ansiando por ele, sinto-me possuída por uma “vontade assassina” de vos estrangular…
Pronto, já desabafei! Não tenham medo, não vou matar ninguém, um sorriso já assomou ao meu rosto!
O Outono é lindo, é romântico, é acolhedor, quando acompanhado pelo cheiro das castanhas assadas, pela cor das folhas,  com aquelas tonalidades que vão do verde alface ao castanho dourado avermelhado, pelo cair das folhas dos plátanos (e eu o pisá-las deliciada com o som do seu estalar), por se poder apreciar a praia despida de gentes mas com um mar mais encapelado a beijá-la, pelo aconchego que já se vai tendo junto de uma lareia acesa… 
Mas este malvado, que faz espalhar as flores da buganvília por todo o lado, que quebra galhos das nespereiras, que semeia o pânico entre as roseiras ainda floridas, que faz as avezinhas andarem a protestar aflitivamente, … é totalmente dispensável.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SOMOS UM PILAR

O texto que se segue foi escrito pela Helga, autora do blogue Planícies da Memória , com a devida  autorização e o meu MUITO OBRIGADA, transcrevo-o na íntegra (mudei a imagem, não porque não gostasse da que ela publicou mas para dar um pequeno cunho meu). Ao lê-lo senti-me retratada e sei que nunca conseguiria descrever  este desabafo de uma forma tão perfeita, tão bela, como a Helga o fez...




"Somos um pilar. Forte e indestrutível. Sólido como uma rocha. Aguentamos tempestades, aturamos demências, consolamos tristezas, perdoamos ofensas e no final do dia sorrimos. Sorrimos porque nos habituámos a sorrir perante as adversidades. Sorrimos porque é a única forma de as vencer. Habituámo-nos a ser fortes. Habituámos os outros à nossa força. Porém um dia, sem razão aparente, não conseguimos sorrir. Não conseguimos ser fortes. Choramos por tudo e choramos por nada. As demências dos outros aborrecem-nos e as ofensas magoam-nos. Precisamos de um abraço. De um sorriso. De uma palavra de conforto e compreensão. Mas somos um pilar. Forte e indestrutível. Sólido como uma rocha. Somos culpados. Habituámos os outros à nossa força e nunca à nossa fraqueza. Lidamos com as fraquezas de todos e no entanto ninguém sabe lidar com as nossas. Desconhecem-nas. Esperam que sejamos fortes como sempre fomos. Que nos ergamos sozinhos. É o que fazemos. É no auge da nossa angústia que reconstruímos o nosso pilar.  É no meio dos destroços que se ergue a nossa força. Precisamos dela. Para consolar quem não nos consola. Para compreender quem não nos compreende. Precisamos de continuar com a farsa em que todos acreditam. Incluindo nós..."

Helga

sábado, 22 de outubro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA XCIII


A semana que passou foi pródiga em eventos, diverti-me muito e trabalhei pouco. No entanto, o divertimento não conseguiu apagar totalmente uma nuvenzinha que paira sobre a minha cabeça.

Hoje o AMOR das DOÇURA OU DIABRURA é um bocadinho triste, mas real. Tenho a honra de ter entre os meus amigos o autor deste poema.



À minha mulher, Drª Evelina Camarinha

O cancro nasce sem choro
inflorescência  súbita e perversa
com a beleza das papoilas que matam
e liquefazem o corpo
encapelado mar rubro de dor
por segundos minutos horas dias meses anos séculos milénios
eternidade
no pulsar do coração
e nas lágrimas caídas gota a gota
nas flores que sobrevivem na estufa
do nosso disfarçado
espanto.

P.S. A vida continua
A eternidade não tem tempo nem sentido.
Assim te amo enquanto for possível.
 Armando Taborda (in SonhoGrafias, Universitaria Editora)

PARA TODOS UM FIM DE SEMANA PASSADO COM ALGUMA PAZ DE ESPÍRITO. USUFRUINDO DA BELEZA QUE A NATUREZA NOS CONCEDE:
BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA SI!
CHUAC, CHUAC, CHUAC!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

RESPOSTA (MAIS OU MENOS)


Esta foi mais ou menos a resposta dada à carta que publiquei aqui. Mais ou menos porque não ficámos com o original, que foi escrito num guardanapo de papel.

“Gentil Senhor

O rubor subiu-me às faces com tão belas e sedutoras palavras que roçaram, como asas irisadas de uma borboleta esvoaçante, o coração desta pobre mulher romântica, que passa dias e dias suspirando languidamente, por encontrar alguém que saiba encontrar o caminho que conduza ao desvendar dos seus mais secretos anseios.
Sem pudor  cedo-lhe o meu número de telemóvel , ousando ir mais além… Esperando não macular a sua timidez, confio-lhe vários:

96356409347281364402895431749560887587690453498887345234578990067

Digo sim, enlevada com o seu convite, para recatadamente ser venerada e venerá-lo mas, ... tenho que o confessar … não bebo chá!
Sem perder a esperança na concretização desse encontro a dois, permito-me sugerir -lhe que entre nós exista outra bebida, igualmente requintada e deliciosa … uma garrafa de cachaça.
Aguardando com alguma ansiedade pelo nosso encontro, sou uma mulher aberta ao desbrochar de um romance ainda em botão”

Enviámos a resposta pela mesma via, o empregado de mesa. Da outra mesa as gargalhadas surgiram, o guardanapo passou de mão em mão e nós, como nada tivesse acontecido, mantivemo-nos impávidas e serenas sem darmos “parte fraca”.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

UMA CARTA


Todos os meses, numa determinada semana e num determinado dia, eu e mais 9 amigas encontramo-nos para almoçar, salvo uma ou outra excepção o local é sempre o mesmo,  nem sempre estamos as 10, vai quem pode.
Há cerca de um ano numa dessas “festarolas”, o almoço prolonga-se pela tarde e divertimo-nos imenso com as nossas novidades, as nossas conversas e até os nossos problemas, recebemos via empregado de mesa a carta que anexo. 





Quem a tinha enviado tinha sido um cavalheiro que estava na sala e não era dirigida a nenhuma de nós em especial. De imediato descobrimos quem tinha sido o “ousado” ( viemos mais tarde a confirmar com o empregado). Numa mesa perto da nossa estavam vários homens ligados à música, à escrita, à igreja,… muito conhecidos do público em geral.
O autor desta carta foi o escritor António Lobo Antunes.
Estavamos só 8, duas de nós ficaram escandalizadas, consideraram o acto como uma falta de educação, as restantes fartaram-se de rir e alinharam na proposta de se enviar uma resposta "à altura".
O que responderia cada uma de vós (e porque não cada um, pois a carta podia ter sido escrita por uma senhora com as devidas adaptações) ?
Aceitam o desafio? 

domingo, 16 de outubro de 2011

FOTÓGRAFA

É muitíssimo boa fotógrafa, mesmo do cimo da sua grande sapiência, continua a aperfeiçoar-se, treina, treina, treina intensamente… anda em busca da perfeição, quiçá  (agora usa-se muito este advérbio e eu fiquei com ele na cabeça, tornei-me um perigo) da conquista do prémio Pulitzer.
Pelo buraco da fechadura estive a assistir a um dos seus treinos, uma técnica fantástica, inovadora, criativa, motivadora, barata e expedita!
Tira fotografias a si mesma ao espelho! Saem fotos impecáveis, como podem comprovar  na que publico (foi desviada por mim, no dia da “comunicação”, em que todos aguardavam ansiosamente pelas fabulosas medidas a tomar, pelo nosso  eficiente, "fantabuloso", fantasioso, … PM, ela estava muito concentrada de boca aberta, não deu pelo rapinanço). Reparem nos pormenores, cheia de jóias no braço direito*, tal como uma nova rica que gosta de andar com a joalharia às costas, ou melhor nos braços, nada  tremida, totalmente nítida, bem enquadrada,…um trabalho admirável, que deixa qualquer um de cara “à banda”!


Por “cara à banda”, deixo-vos um aviso, não se aproximem muito deste texto, o meu nariz anda a crescer imenso, assim como o do Pinóquio,  estão a “ver”, que há o perigo de entrar no olho de alguém … Fui vítima de um acidente como esse na 5ªfeira, alguém aldrabou tantou que me magoou o olho esquerdo, ando com uma pala, pareço o Camões no feminino, fiquei com uma bruta “infecção subsidiária”.
*O excesso de jóias é um truque que uso para disfarçar a cicatriz