quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DESPERTAR

Ela acordou com uma vontade imensa de viver. Pela primeira vez ao longo de muitos meses tinha dormido uma noite sem sobressaltos…sentia-se liberta, liberta das amarras que noite após noite a prendiam numa espera pelo homem amado. Como o amava! Como procurava enganar-se a si mesma, pensando que tudo ia mudar.
Ele ora surgia noites seguidas quando já elas iam longas, ora desaparecia por um tempo que a ela parecia infinito, deixando-a na ansiedade de uma espera sem nome…

Tela do pintor russo Vladimir Kush (1965)


A sua prisão a um ser como este, que se enraizara nela, mas que não permitia que nele entrassem raízes, era motivo para andar numa inquietação permanente. Sabia, sem querer saber, que se estava a humilhar, que se estava a deixar destruir, tinha que encontrar forças para tal não permitir.
Nesse dia despertou! Mas tinha uma certeza, para se libertar para sempre, para que essas raízes fossem totalmente destruídas, teria que voltar a encontrá-lo e, olhos nos olhos, fazer-lhe a pergunta que minava o seu coração há muito.

Quando, como, onde, se daria esse final?
Ela saberia escolher o momento certo! Sabia esperar!Sabia como encontrá-lo! Não esperara já tanto? Ia encontrá-lo!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ANTIGONO

Corria o ano de 1755, poucos dias antes do terramoto que destruiu Lisboa, quando se estreou na Ópera do Tejo* esta obra de reportório barroco italiano de António Mazzoni, baseada num libreto de Pietro Metastasio por “encomenda” de D. José I, como convinha à corte e à tradição musical dominante em Portugal, nesta época.
Duzentos e cinquenta e cinco anos depois volta à cena, no Centro Cultural de Belém e apenas com duas apresentações. Tive o privilégio de assistir à estreia (paguei bilhete)

Argumento:
Berenice, princesa do Egipto, viaja para a Macedónia para casar com o rei Antigono, depois de ter recusado a mão de Alessandro, rei do país vizinho, Epiro. Demetrio filho predilecto de Antigono está apaixonado por Berenice, este desconfiado ameaça-o com o exílio, ao mesmo tempo Alessandro invade a Macedónia para ter Berenice de volta.
A história tem um final feliz (lieto fine), Berenice casa com Demetrio, como convém a uma belíssima história de amor , em que o amor filial, a nobreza de carácter, a capacidade de renúncia, a benevolência,… estão bem presentes.

Figuras em palco: Antigono (tenor), Berenice (soprano), Demetrio (soprano), Alessandro (contratenor), Ismene (filha de Antigono –soprano) e Clearco (capitão à ordem de Alessandro – soprano).

Descrição (muitíssimo condensada) do que vi, ouvi e senti:
-Clearco e Demetrio são representados por mulheres já não existem os castrati**, estraga um pouco a visualização das cenas, mas em ópera é mesmo assim, primeiro o tipo de voz depois o “físico” adaptado à personagem.
-A cantora que representa Berenice é enorme, com uma caixa torácica (leia-se maminhas) bem desenvolvida, já com alguma idade, a que personifica Demetrio é pequenina e jovem (tive dificuldade em “arrumar”na minha cabeça, um par tão apaixonado com aspectos físicos tão díspares)
-O cenário está em constante mutação, efeitos produzidos através de um processo digital feito no momento e ao "sabor" do fundo musical. O processo usado torna-o fantástico, “demolidor”,…
-As vozes são divinais! Excelentes cantores!
-A movimentação das personagens é praticamente inexistente, cantam quase sempre a solo, embora não estejam “sós” em cena.
-Os figurinos são de José António Tenente muito sóbrios e de acordo com a época. Bom trabalho!
-A orquestra residente no CCB “Divino Sospiro” (fundada por Massimo Mazzeo), dirigida pelo maestro Enrico Onofri (que parece uma salsicha preta com pernas e braços, … não me consegui libertar desta imagem) foi magistral…
-Estive no CCB cinco horas, 30+20 minutos de intervalo, 3 h 40m de espectáculo e ½ hora antes do início porque nunca chego atrasada.

Mas valeu a pena!
Uma obra que não vou esquecer…
Ainda não percebi porque foi apresentada em apenas dois espectáculos!

*Este teatro “viveu” muito pouco tempo, antes de apresentar Antigono, tinha apresentado outras duas obras, foi totalmente destruído pelo terramoto.
Lisboa voltaria a ter um teatro de ópera, o São Carlos, quatro décadas depois.
** Os castrati surgiram por volta de 400 d.C. Mas a partir do início do séc. XIII até ao século XVI “desapareceram”. Neste século reapareceram em Itália, havia necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas, alguns jovens do sexo masculino com gosto pelo canto, pobres, órfãos, … eram castrados (o recrutamento destes jovens para o coro da Basílica de S. Pedro, foi aprovado pelo papa Sisto V).
Nas óperas de Handel os castrati eram presença obrigatória, eram compostas de propósito para eles.
Nos dias de hoje tal prática é impensável, esses papéis são desempenhados por cantoras ou contratenores

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXVIII

Semana estranha que hoje termina, semelhante a uma montanha russa, acontecimentos exteriores ao meu Eu, levaram-me ao “alto” e trouxeram-me até ao “baixo”, não gosto muito destas mudanças tão bruscas de altitude.
Vamos ao tema de hoje …

VIVER
Nada importa quando não estás lá.
Nada magoa quando não sentes.
Nada te atinge quando não olhas.
Nada te pode enfrentar sem que lhe faças frente

Engana o mundo.
Sê quem quiseres.
Controla!

Fica aí não vás.
Vai embora quando não queres mais.
Agora que ficaste podes ir e sair.
Não penses!
Não fiques!
Não vás!
Vive na incerteza.
Divide-te por várias formas de pensar.
Entrega-te a quem não te queres entregar.
Fica quando já não queres ficar.
Baralha o mundo e deixa-te baralhar.
Entra num jogo em que és tu a comandar.

Deixa que a dor comande.
Deixa que a inspiração nasça da tragédia.
Deixa que a tragédia invada teu ser.
Estremece e faz estremecer.

Vê então o que crias, o que alimentaste.
Desliza num cetim negro de ilusões,
De sensações.
Agora o mundo é todo teu.
E esquece.
Patrícia Lourenço (25/06/82), in “Intemporal” (Editorial Minerva)


Um pouco perturbador este poema…mas apreciei-o!

COMEÇA UM FIM-DE-SEMANA QUE SE PREVÊ COM MUITO FRIO!
MAS QUE INTERESSA ESSE FRIO SE PODEMOS AQUECER O NOSSO ESPÍRITO?
UM ESPÍRITO E UM CORPO BEM AQUECIDOS É O QUE MAIS VOS DESEJO PARA ESTE FIM-DE-SEMANA!

BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS! ESPECIALMENTE PARA TI!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

UMA MANHÃ EM CHEIO!

Sete horas e trinta e cinco minutos, mais minuto, menos minuto, alguém abre a porta do meu ninho lisboeta e invade o meu espaço. Era a Gracinda, o meu braço direito, esquerdo, olhos e ouvidos, ... uma mulher que convive connosco há imensos anos, que viu as crianças crescerem e “produzirem” outras crianças, que assistiu a momentos muito bons da nossa vida e a outros menos bons.
Há duas semanas que tinha “desaparecido”, só ontem consegui saber que estava "viva"…o avançar muito na idade não perdoa os esquecimentos, podia estar a “gozar” o resto da sua vida, na sua casa de aldeia, totalmente remodelada, entre a Beira Alta e Trás-os- Montes mas decidiu que nunca me ia abandonar. Que posso fazer depois de ter sido “servida” com tanta lealdade?

Só que…
Depois deste despertar tão matinal, já não consegui ficar deitada, bem me revirei e tentei fechar os olhos, mas nada, acabei por me levantar. Depois das “movimentações” próprias de quem acaba de se erguer com muita dificuldade, pedi-lhe ajuda para mudar a roupa da minha cama.
Eu: Gracindaaaa! Esse lençol é o de cima, não vê o bordado?
Gr: Ahhh! Pois é! Não tinha reparado.
(***)
Gr.: Ora esta, o edredon está pequeno!
Eu: Vou já! Está a colocá-lo atravessado!
(***)
Decidi fugir para a minha sala de trabalho e atirei-me ao computador ...
(***)
Catrapum, plim, plão, … eram peças do aspirador que estava a ser montado, a rolarem pelo chão da cozinha.
(***)
Gr: Não consigo desenroscar o tubo do aspirador! Como é que fiz isto? Apertei com muita força!
Eu: Deixe ver Gracindaaaa! Realmente está muito apertado, deixe ficar. Mais logo eu, com uma chave-inglesa tento desapertar...
(De repente fez-se luz no meu espírito já muito pouco iluminado)
Eu: Ó Gracinda vai desmontar o aspirador porquê? Ainda não acabou de aspirar…
Gr: Ah! Pois nãoooo! Que cabeça a minhaaaaa!
(***)
Gr: Ó D. Teresa, viu um paninho de lã que eu trazia na mão?
Eu: Não Gracindaaaa! Já vou ver! Está um no chão do corredor, dois sobre a tampa do caixote do lixo, um sobre o microondas e outra sobre a mesa da sala de jantar. Qual deles é Gracindaaaa!
Gr: Que cabeça a minha!
(não estou a exagerar, não sei qual deles ela queria, porque voltei a “esconder-me”)
(***)
Gr: Ai Jesus, arranquei a tomada!
Eu: Gracindaaaa! Sabe porque é que está aí esse adesivo? É porque quase todos os dias que cá vem a arranca (é uma tomada que está no hall, ela actualmente só vem cá a casa uma vez por semana). Todas as divisões têm tomadas use-as por favor e não puxe o fio, retire a ficha da tomada com cuidado, já me custa andar sempre a arranjá-las (estava a começar a ficar brava) !
(***)
A manhã passou-se toda mais ou menos assim, com uns tantos ou quantos episódios que levariam imenso tempo a contar, a ordem dos acontecimentos não deve ter sido bem esta, eu entretanto ia tentando “esconder-me” mas era interpelada constantemente.
Para não perder a calma, decidi tomar um banho relaxante, quando eram quase horas de ela sair.
(***)
Já bem descontraída, enfiada na banheira a ler e de porta encostada.
Gr: D. Teresa até 4ªfeira! Fica aqui ao pé da porta da casa de banho o balde!
Eu: O balde? Que balde?
Gr: O balde para despejar água na sanita!
(Fez-se luz!)
Eu: Ó Gracindaaaa, usou-se um balde durante uns dias, tem razão…mas foi no princípio do Verão, enquanto não encontrava um canalizador para arranjar o autoclismo, lembra-se?
Gr: Já não me lembrava! O que faço ao balde?
Eu: Coloca-o no sítio de onde o tirou!
Gr: De onde é que o tirei?
Eu: Do armário que está por baixo do lava-loiças!
(Uns segundos de silêncio)
Gr: D. Teresa, D.Teresa, viu as minhas chaves?
Eu: Não Gracindaaa, não vi! Mas vi o seu relógio e o seu anel, sobre a mesinha de chá na sala de jantar, não será que as chaves estão também lá? Vá lá ver…
Gr: Afinal estão já na minha mala, juntas com as da minha casa. Até 4ª feira D. Teresa!
Eu: Adeus Gracindaaa! Vá com cuidado!

Alguém tem coragem para me dizer que não foi uma manhã em CHEIO?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PROVÉRBIOS

Todos sabemos o que é um provérbio, todos já os temos usado uma ou outra vez, eu recorro a eles, normalmente, para dar ênfase a uma determinada ideia. São de autor anónimo e baseiam-se no senso comum de um determinado meio cultural.
Estes que vos trago hoje são muito conhecidos mas estão camuflados com uma roupagem, aparentemente, muito “sofisticada”.
Recebi-os por e-mail e achei-lhes imensa graça, cá vão eles:

*Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei.
*Espécie avícola na cavidade metacárpica supera as congéneres revolteando em duplicado.
*Ausência de percepção ocular, insensibiliza o órgão cordial.
*Equino objecto de dádiva, não é passível de auscultação odontológica.
*O globo ocular do perfeito torna obesos os bovinos.
*Idêntico ascendente, idêntico descendente.
*Descendente de espécie piscícola sabe movimentar-se em líquido orgânico.
*Pequena leguminosa seca atesta a capacidade de ingestão de espécie avícola.
*Tem a monarquia no baixo-ventre.
*Quem movimenta os músculos suprafaciais mais longe do primeiro, movimenta-os substancialmente.
*Quem aguarda longamente, atinge a exaustão.


Para os mais distraídos aqui vai a decifração:
*Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
*Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.
*Olhos que não vêem, coração que não sente.
*A cavalo dado não se olha os dentes.
*O olho do amo não engorda o gado.
*Tal pai, tal filho.
*Filho de peixe sabe nadar.
*Grão a grão enche a galinha o papo.
*Tem o rei na barriga.
*Quem ri por último, ri melhor.
*Quem espera, desespera.

domingo, 16 de janeiro de 2011

EU EM 7X7

O Pinguim, a Manuela e a Adek, por ordem de chegada, lançaram-me um desafio.
Por norma nunca fujo, nem a estes desafios, nem aos que a vida me gosta de fazer, talvez me tenha esquecido de algum, muitas vezes não os consigo publicar logo, logo….e vão ficando na gaveta dos “ casos para resolver”.

Euzinha, como diz a minha filha, com 7 meses. A “cobertura” da minha nudez ainda existe, é cor-de-rosa, como não podia deixar de ser…

Então cá vão as respostas ao desafio, sem garantir que se respondesse amanhã o faria exactamente da mesma maneira.

7 coisas que gostaria de fazer antes de morrer (vade retro Satanás):
Andar de helicóptero; passear num descapotável; ver nascer um bisneto (não sou esquisita, pode ser bisneta); passar uns tempos numa daquelas “praias de revista”; viver numa casa sobre o mar; ser apresentada ao Sean Connery; voltar a amar (e a ser amada)

7 palavras que mais vezes digo
:
Querido (a); beijinhos; malvado (a); abracinhos; safa!; entendi; foi?

7 coisas que faço bem (penso eu):
Ler; conversar; escutar; rir; conduzir; tricotar; passear

7 defeitos meus (será que me conheço bem?):
Perfeccionismo (estou em fase de cura); teimosia (chego a ser inconveniente); exigente; vaidosa; gulosa; preguiçosa (só para algumas tarefas); presumida (não me lembrar de mais nenhum é presunção).

7 qualidades (serão…?):
Responsável; tolerante; solidária; carinhosa; leal; pontual; íntegra.

7 coisas que detesto:
.
A maldade; a guerra; a fome; a indiferença; a mentira; a agressividade; a discriminação.

7 enviar este desafio a 7 bloguistas:

Aqui a “porca torce o rabo” não vou indicar 7, vou estender o envio a todos os que me seguem e que gostam deste tipo de desafios…vá lá não me desiludam!

À Manuela, à Adek, ao Pinguim o meu MUITO OBRIGADA!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DOÇURA OU DIABRURA LXVII

Este fim-de-semana está a ser diferente, estou feliz e acompanhada, muito bem acompanhada…sou uma “substituta”, divertida e “chata”. Sou a chefe como diz a mais pequena… Estou como AVÓ a tempo inteiro.
Nessa linha o Doçura ou Diabrura de hoje é um poema escrito por uma criança, sobre o amor , retirado da Net.



Era meia-noite
Vi uma estrela brilhar
Fez-me lembrar os teus olhos
Quando me estavas a beijar

Uma noite vi no céu
Uma estrela cadente
Essa estrela me mostrou
Que me amavas eternamente

Eu não quero mais sofrer
Nem mais uma vez chorar
Eu só quero o teu amor
Que tens para me dar


Esses olhos castanhos
Castanhos linda cor
São teus livros de estudo
Na faculdade do amor

Carlos Miguel 4º ano Trofa



Não sei que dizer deles... deixo-os para a vossa apreciação!

PARA TODOS UM FIM-DE-SEMANA VIVIDO COM ALEGRIA. PAZ E MUITO AMOR! MUITO OBRIGADA POR SEREM QUEM SÃO!

BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS!