quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SENTIRES

Nunca renegámos ser descendentes de intérpidos marinheiros que por “mares nunca dantes navegados” enfrentaram sempre as águas calmas ou revoltas.
Mesmo depois de todos os gritos de alerta, de que o nosso país ia estar sob a fúria destruidora de São Pedro, aventurámo-nos a enfrentá-la e partimos para o fim-de-semana tão desejado e esperado.
Excelente decisão!
Numa alegre e sã camaradagem, lá fomos afoitos dar cumprimento ao programa estabelecido, partimos com destino à Figueira da Foz, com passagem por Louriçal.
Louriçal com a sua Igreja e o seu Convento que alberga irmãs Clarissas, onde para além de se “sentir” a História e as histórias, tivemos oportunidade de contactar com os doces conventuais, não saindo de lá sem algumas mostras. Aqui, ouvi falar pela primeira vez de Madre Maria do Lado, santa ignorância a minha!
Figueira da Foz à vista e à nossa espera a simpática e gentil Violeta, que se tem dedicado empenhadamente na pesquisa da história desta cidade e que partilhou connosco, durante um bonito percurso a pé, pela zona antiga, muito do seu saber.
Agradável companhia, agradável passeata, agradável sensação de liberdade…
Não podíamos ficar para sempre neste local aprazível, houve que o trocar por outro, a travessia da Serra da Boa Viagem.

Serra da Boa Viagem (foto da net)

Que bela viagem! Desde a maravilhosa vista panorâmica da Figueira da Foz, das tonalidades do azul do rio Mondego, da imponência do Oceano Atlântico a beijar, muito ao longe, o firmamento, tudo ficou gravado na minha mente aberta ao belo e à Natureza. A vegetação também não deixou ninguém indiferente.
Indiferentes também não ficámos ao grito do nosso físico a precisar de alimento e assim, entrámos em Tentúgal! O controlador do tempo tinha avançado muito, estávamos mais do que atrasados, mas que interessava isso, se um opíparo repasto nos aguardava.
Depois do paladar veio a visão, a visão histórica e artística da região e a do modo como se manuseia a massa finíssima que envolve os doces e os salgados, tão característicos de Tentúgal.
Sem nos deslocarmos muito, encontrámo-nos com uma figura única, José Craveiro autodidacta, contador de histórias com base na História, que gosta de se ouvir e de ser ouvido, desviando-se muitas vezes do rumo traçado pelos historiadores.
Não podíamos sair de um local gastronomicamente tão doce sem saborearmos “uma delícia” e adquirir outras…
Novamente na Figueira da Foz! Embora nos sentíssemos a “rebentar “, de barriga cheia, a verdade é que todos jantámos com bastante prazer e alguns mais ousados ainda foram, depois da “janta”, beneficiar de um passeio pelo Bairro Novo desta cidade costeira.
Novo dia, continuação da jornada! Por vias que atravessam a zona verdejante do Paul do Taipal, entrámos em Montemor-o- Velho com o seu enorme e altaneiro castelo, muito bem conservado, a dominar toda a região, vista única sobre os arrozais e a vila. Nela nos deleitámos com um belo passeio pedestre ao mesmo tempo que ouvíamos a sua história e admirávamos a sua riqueza monumental.
Depois de mais um almoço, ” a parte gastronómica da região", a nossa perdição, demos um pulinho até Ançã e começámos a vislumbrar a “cereja sobre o bolo”.
A Fernanda que durante toda a viagem nos foi dando “pistas” preciosas e muito enriquecedoras sobre o que andávamos a conhecer, a admirar e a aprender, exprimiu-se eloquentemente sobre temas históricos, artísticos e culturais, falou de João de Ruão, de Filipe Hodart, de Nicolau de Chanterene, … de homens que muita obra deixaram espalhada, pelos caminhos que percorremos durante este curto fim-de-semana.
Os nossos olhos extasiaram-se com a visão de vários retábulos artisticamente talhados, na pedra da região a Pedra de Anção, em diferentes igrejas, detentores de riquíssimos pormenores, em que a História principalmente na sua vertente religiosa, ficou gravada até os homens querem e a Natureza permitir.
Antes do regresso ao nosso local de partida, na alameda que nos conduzia à Igreja de São Marcos, encontrámos o nosso fotógrafo de eleição, o Carlos Silva, que através de cliques a uma cadência alucinante, registou a nossa chegada e a nossa visita a esta igreja. Uma igreja repleta de estilos, devido às diferentes intervenções que foi tendo ao longo dos séculos.
O senhor do tempo tal como nós, não parou e avisou-nos: São horas de voltarem ao vosso quotidiano!
Obedientes, regressámos…!

Nota: Este texto, da minha autoria, foi publicado no Boletim Informativo do VCA (Vida, Cultura e Arte) uma associação da qual faço parte. A sua apresentação no original está mais documentada com fotografias. Este passeio realizou-se num fim-de-semana de Outubro deste ano.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

NUM DIA DE OUTONO

O Outono já comemorou a maioridade mas o dia está solarengo, à sombra sente-se um fio de frio. Ela adora o sol e pensa que o deve aproveitar enquanto os dias verdadeiramente cinzentos não se instalam.Vai buscar uma espreguiçadeira à arrecadação e verifica que a porta desta já não está a fechar bem, situação que se repete todos os anos por esta época, a madeira tal como os ossos das pessoas menos jovens como ela, ressentem-se com o descer das temperaturas.
Dirige-se para o fundo do jardim, local onde a vegetação rareia um pouco, ela gosta daquilo a que chama “jardins selvagens”, jardins com vegetação luxuriante, matizado pelas mãos da Natureza, não aprecia os demasiado bem tratados, aqueles em que o homem corta, apara, altera a direcção do crescimento natural, jardins planeados ao pormenor, simétricos…

Coloca a cadeira num local onde os raios solares ainda a vão poder acariciar durante umas duas horas, senta-se e dá continuidade à leitura do romance que anda a ler aos pedacinhos já há dois dias, não que o enredo não lhe interesse, mas porque se tem deixado perder em pensamentos plenos de saudade. Há mais de um mês que Ele não a visita, um longo mês em que não se viram, não se tocaram… Ela até compreende que tem que ser assim, ambos tinham uma vida já construída há que arrumá-la, aparar fios soltos, dar uns nós, desatar outros.

A leitura pouco avança, está distraída! Decidida marca a página e fecha o livro, coloca-o no colo, simultânea e deliberadamente cerra os olhos e acaba por dormitar a re-sonhar com momentos de felicidade que sentiu a dois.
Uma sensação indefinida fá-la despertar, não é sonho, sabe que está bem acordada! Ele está lá, parado no início do carreirinho que lhe dá acesso, olhando-a com a ternura que lhe é habitual, com os olhos e os lábios sorrindo. Ela não se mexe embora todo o seu ser queira que se erga, que corra, que os braços lhe envolvam o pescoço e as pernas lhe cinjam a cintura, não o faz porque tal tornou-se impossível, a sua agilidade física já não o permite. Enquanto ele lentamente se vai aproximando tal impulso deixa de fazer sentido, deixa de ser importante. Nenhum deles fala mas Ela percebe, sabe ler o silêncio, mesmo sem palavras sente que ele vem para ficar, desta vez, para sempre. ..
Ele estende-lhe a mão, ajuda-a a levanter-se, o livro cai mas isso não os perturba, puxa-a para si e enlaçam-se num amplexo apertado, ao fim de uns momentos, que pareceram séculos, as suas bocas encontram-se…

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

UM POUCO DE LAZER

Domingo dia de lazer para alguns, para mim todos os dias podem ser de lazer desde que eu queira muito, passado em locais por onde não passava há anos, muito perto da água: baía, mar e lagoa.
Fui almoçar a São Martinho do Porto, ao restaurante Caravela, do qual deixo aqui uma mostra do seu cartão, não para o promover, embora mereça porque o serviço é muito bom, mas porque a sua forma de “ovo” me despertou a atenção.
Enquanto degustávamos o alimento que reconfortava o nosso corpo, admirávamos a tão conhecida “concha”. Peixe grelhado como não podia deixar de ser …. À sobremesa pequei, pecámos!




Observar o mar do cimo das dunas altaneiras que protegem o local dos ventos mais ousados, foi uma bênção de tranquilidade e de bem estar anímico. O encontro destas águas revoltas com as águas suas irmãs, desta baía tão calma, é digno de contemplação.
Não duvido que se pode ir buscar à Natureza um bálsamo que nos ajuda a esquecer a “pressa” de viver, faz bater o coração mais compassadamente, dá-nos a sensação de termos todo o tempo do mundo à nossa frente…
Visitei outros locais, o dia foi totalmente bem aproveitado, alguns dos quais foram a Lagoa de Óbidos e as salinas de Rio Maior. O que tenho para testemunhar sobre cada um deles é tanto que tem que ficar para outro texto.


Entretanto não esqueçam o jantar que vai dar que falar:

Contactem o blogue do Gonçalo, não se vão arrepender!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DOÇURA OU DIABRURA LXI

Apetece-me praguejar! Mas não o vou fazer!
Tive uma semana muito estranha, várias situações pouco comuns obrigaram-me a agir um pouco fora da minha normalidade (não sei bem qual é a minha normalidade mas isso também não deve interessar muito).
Para além disso este querido onde teclo (tenho que o tratar bem e dar-lhe um bocadinho de carinho) foi atacado por uma horda de vírus muito agressivos. Eu fui um bocadinho culpada, não me tinha apercebido que as muralhas tinhm fendas, ele também não se queixou e devia tê-lo feito. Esteve às portas da “passagem” mas, miraculosamente curou-se. Milagre é um pouco exagerado da minha parte, porque a sabedoria e a experiência de um doutor de computadores é que lhe trouxe a salvação.
O maroto esteve uns tempos fora de casa, mas regressou e foi recebido como um filho pródigo.
Acabado este “queixume”, vou deixar-vos com mais uma Doçura ou Diabrura.

Amantes (1913)
Pintura de Oskar Kokoschka (1886-1980)



SILÊNCIO ÍNTIMO

SÓ no silêncio disciplinado
o tacto age no tempo
comanda nossos dedos, cria círculos
sem quebras de rituais
sem limites territoriais
sem versões inacabadas
sem vibrações desejadas.

Os lábios acumulam-se em voos sôfregos
os crepúsculos de sangue desejos abrasam
o movimento das águas nas pupilas arrasam
só no teu-meu silêncio o fogo rodeou a água
e teu espaço atravessou meu anel sem mágoa.

Teresa Zilhão (nascida a 26 de Outubro de 1951), in Viola Delta


O TEMPO NÃO PAROU! Novo fim-de-semana, um novo ciclo entre aqueles que foram criados pelo Homem e comandados pelos Astros! Vamos aproveitá-lo o melhor possível, fazendo as melhores opções para o viver em tranquilidade!
BEIJINHOS EMBRULHADOS PARA TODOS! ESPECIALMENTE PARA SI!

Nota: O meu PC está mesmo zangado comigo! Não me aceita a cor no texto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O MEU TEMPO

O Tempo apossou-se do meu tempo e brinca com ele!
Não estou parada, mas levo muito mais tempo a ler um livro do que era costume e não é porque leia mais devagar ou porque veja mal. Milhentas oportunidades para fazer coisas que me dão prazer, estão surgindo a um ritmo alucinante, faço opções, nem sempre serão as mais acertadas mas são as que a minha razão e o meu coração decidem. Não aprendi, nem sei fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, embora faça algumas…


Tenho deixado para trás coisas que gosto de fazer, por exemplo escrever mais assiduamente comentários nos blogues que sigo e de ler outros, mas há coisas que não faço e das quais não me lamento. Deixei de me meter em “discussões” que não conduzem a nada, discussões que não dão frutos e que na actualidade são tão frequentes, quando escrevinho não perco tempo a ver se a vírgula, o parágrafo, …estão bem colocados.
Não me sinto cansada, sei que o meu tempo se vai esgotando a cada dia que passa e que um dia vai chegar ao fim, mas isso não impede que eu queira ter Tempo de ter tempo! Sei que o tempo voa mas eu vou caminhar devagar e aproveitar cada segundo, cada minuto, cada hora, … e com alegria, ternura, amor, sabedoria vou optando por aquilo que decido que devo fazer.


Espero que o Tempo não me tenha traído e que este texto faça algum sentido para quem me lê…

domingo, 7 de novembro de 2010

PRÉMIO DARDOS

Carlos Albuquerque um homem que consegue colocar na blogosfera palavras lindas construindo testemunhos poéticos da sua saudosa África, muito sensível ao mundo que nos rodeia, um guerreiro vencedor de muitas batalhas que trava contra o mal-estar físico que o assola quase sempre, senhor das imprescíndiveis Conversas Daqui e Dali, distinguiu-me com a oferta deste belíssimo selo, o Prémio Dardos.
Sinto-me honrada com esta distinção e passo a transcrever:


«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web».

As regras a seguir são:

1- Exibir a imagem do Selo no blogue;

2- Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio;

3- Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.



Os pontos 1 e 2 cumprem-se com imensa facilidade o 3 é sempre o que me dá “dores de cabeça” mas, desta vez vou tentar cumprir esperando não magoar ninguém, e à partida vou tentar não indicar quem eu sei que já o recebeu.
Sei que alguns de vós não o vão colocar e que têm razões para o fazer mas isso não me vai impedir de os citar.


adiamentos.blogspot.com ** asminhaspequenascoisas.blogspot.com ** avogi.blogspot.com ** carapaucarapau.blogs.sapo.pt ** eopensamentovoa.blogspot.com ** eu-simplesmente-sonho.blogspot.com ** gaspardejesus.blogspot.com ** hades-ver.blogspot.com ** manuelacolaco.blogspot.com ** mclvieira.blogspot.com ** minutosnanoite.blogspot.com ** moonlight-wwwmoonlight.blogspot.com ** nails-in-red.blogspot.com ** omundodesairaf.blogspot.com ** parquedapoesia.blogspot.com ** perfumedejacarand.blogspot.com ** pitangadoce.blogspot.com ** poetaeusou.blogspot.com ** sonhomilcores.blogspot.com ** wwwdejanito.blogspot.com

Depois de fazer esta lista, fiquei com a sensação de que me esqueci de alguém... que me desculpe!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DOÇURA OU DIABRURA LX

Depois de uma semana curtinha, recheada de acontecimentos imensos, uns muito bons outros a dar para o muito mau, chegámos ao início de um novo fim-de-semana que promete ser solarengo.
Vamos ser optimistas e pensar, entre muitas outras coisas, que no dia 11 de Dezembro, vamos ter o NATAL DOS BLOGUISTAS no qual muita gente que se admira na virtualidade se vai poder mirar nos olhos. Vão iniciar-se novas amizades, tenho quase a certeza!

Entretanto vamos pensando na Doçura ou Diabrura de hoje.


O POETA


O Poeta
tem a alma nua,
lança-a
em versos
ao vento.
Reclamam-na
como sua,
de vidro
é o seu
pensamento.
Pertence a todos
e, no entanto,
o Poeta
vive cantando
o Amor
na solidão.
Maria de Lurdes Petronilho, in “da incerteza” (Editorial Minerva)



E agora? Resta-me desejar a TODOS um fim-de-semana ao sabor do que cada um de vós desejar!
E para todos, com muita ternura, os meus BEIJINHOS EMBRULHADOS!