Mesmo depois de todos os gritos de alerta, de que o nosso país ia estar sob a fúria destruidora de São Pedro, aventurámo-nos a enfrentá-la e partimos para o fim-de-semana tão desejado e esperado.
Excelente decisão!
Numa alegre e sã camaradagem, lá fomos afoitos dar cumprimento ao programa estabelecido, partimos com destino à Figueira da Foz, com passagem por Louriçal.
Louriçal com a sua Igreja e o seu Convento que alberga irmãs Clarissas, onde para além de se “sentir” a História e as histórias, tivemos oportunidade de contactar com os doces conventuais, não saindo de lá sem algumas mostras. Aqui, ouvi falar pela primeira vez de Madre Maria do Lado, santa ignorância a minha!
Figueira da Foz à vista e à nossa espera a simpática e gentil Violeta, que se tem dedicado empenhadamente na pesquisa da história desta cidade e que partilhou connosco, durante um bonito percurso a pé, pela zona antiga, muito do seu saber.
Agradável companhia, agradável passeata, agradável sensação de liberdade…
Não podíamos ficar para sempre neste local aprazível, houve que o trocar por outro, a travessia da Serra da Boa Viagem.
Serra da Boa Viagem (foto da net)
Que bela viagem! Desde a maravilhosa vista panorâmica da Figueira da Foz, das tonalidades do azul do rio Mondego, da imponência do Oceano Atlântico a beijar, muito ao longe, o firmamento, tudo ficou gravado na minha mente aberta ao belo e à Natureza. A vegetação também não deixou ninguém indiferente.Indiferentes também não ficámos ao grito do nosso físico a precisar de alimento e assim, entrámos em Tentúgal! O controlador do tempo tinha avançado muito, estávamos mais do que atrasados, mas que interessava isso, se um opíparo repasto nos aguardava.
Depois do paladar veio a visão, a visão histórica e artística da região e a do modo como se manuseia a massa finíssima que envolve os doces e os salgados, tão característicos de Tentúgal.
Sem nos deslocarmos muito, encontrámo-nos com uma figura única, José Craveiro autodidacta, contador de histórias com base na História, que gosta de se ouvir e de ser ouvido, desviando-se muitas vezes do rumo traçado pelos historiadores.
Não podíamos sair de um local gastronomicamente tão doce sem saborearmos “uma delícia” e adquirir outras…
Novamente na Figueira da Foz! Embora nos sentíssemos a “rebentar “, de barriga cheia, a verdade é que todos jantámos com bastante prazer e alguns mais ousados ainda foram, depois da “janta”, beneficiar de um passeio pelo Bairro Novo desta cidade costeira.
Novo dia, continuação da jornada! Por vias que atravessam a zona verdejante do Paul do Taipal, entrámos em Montemor-o- Velho com o seu enorme e altaneiro castelo, muito bem conservado, a dominar toda a região, vista única sobre os arrozais e a vila. Nela nos deleitámos com um belo passeio pedestre ao mesmo tempo que ouvíamos a sua história e admirávamos a sua riqueza monumental.
Depois de mais um almoço, ” a parte gastronómica da região", a nossa perdição, demos um pulinho até Ançã e começámos a vislumbrar a “cereja sobre o bolo”.
A Fernanda que durante toda a viagem nos foi dando “pistas” preciosas e muito enriquecedoras sobre o que andávamos a conhecer, a admirar e a aprender, exprimiu-se eloquentemente sobre temas históricos, artísticos e culturais, falou de João de Ruão, de Filipe Hodart, de Nicolau de Chanterene, … de homens que muita obra deixaram espalhada, pelos caminhos que percorremos durante este curto fim-de-semana.
Os nossos olhos extasiaram-se com a visão de vários retábulos artisticamente talhados, na pedra da região a Pedra de Anção, em diferentes igrejas, detentores de riquíssimos pormenores, em que a História principalmente na sua vertente religiosa, ficou gravada até os homens querem e a Natureza permitir.
Antes do regresso ao nosso local de partida, na alameda que nos conduzia à Igreja de São Marcos, encontrámos o nosso fotógrafo de eleição, o Carlos Silva, que através de cliques a uma cadência alucinante, registou a nossa chegada e a nossa visita a esta igreja. Uma igreja repleta de estilos, devido às diferentes intervenções que foi tendo ao longo dos séculos.
O senhor do tempo tal como nós, não parou e avisou-nos: São horas de voltarem ao vosso quotidiano!
Obedientes, regressámos…!
Nota: Este texto, da minha autoria, foi publicado no Boletim Informativo do VCA (Vida, Cultura e Arte) uma associação da qual faço parte. A sua apresentação no original está mais documentada com fotografias. Este passeio realizou-se num fim-de-semana de Outubro deste ano.





